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Odebrecht

Presidente no Peru vê boom de mineração, gás e etanol

01/08/2008 | 04h42

Mais humildade: para Jorge Barata, presidente da Odebrecht no Peru, discurso do 'Brasil maior do mundo' é um defeito. Com longa experiência em América Latina, onde atua há 20 anos, o presidente da Odebrecht no Peru, o brasileiro Jorge Barata, dá um conselho às empresas brasileiras que queiram entrar no mercado regional: ter humildade. 


"As empresas brasileiras precisam aprender a entrar sem invadir. O discurso da dimensão, da grandeza, de que tudo no Brasil é o maior do mundo, é um defeito brasileiro", afirmou Barata em entrevista ao Valor, em seu escritório num moderno e novíssimo prédio no bairro de San Isidro, em Lima. 


Segundo ele, esse discurso amedronta os possíveis parceiros dessas empresas na região, que temem ser engolidos pelos - reais ou imaginários - monstros brasileiros. E ainda é visto pelos vizinhos como um atitude arrogante. 


A Odebrecht é uma das empresas brasileiras há mais tempo no Peru, onde atua desde 1979 sem interrupção. A construtora permaneceu no país mesmo no final dos anos 80, período de hiperinflação e atuação da sanguinária guerrilha Sendero Luminoso. 


"Agora o Brasil começa a descobrir o Peru. As grandes empresas brasileiras já vieram", disse Barata, de 45 anos, engenheiro mecânico formado pela Universidade pela Universidade Federal da Bahia e que trabalha na construtora desde 1984. 


Ele espera que o fluxo de comércio e investimento brasileiro com o Peru continue crescendo aceleradamente, beneficiado ainda pela abertura, provavelmente no final de 2009, da rodovia interoceânica sul, que ligará o Acre a Cuzco e, a partir daí, ao Oceano Pacífico. "As economias são complementares. O Peru pode fornecer vegetais, cimento, brita para o Acre, que pode vender carne." 


A atuação da Odebrecht no Peru é uma espécie de termômetro da atividade econômica no país. Em 1999, auge da crise econômica e política que desembocaria no ano seguinte na queda do então presidente Alberto Fujimori, a empresa tinha 300 funcionários e faturava cerca de US$ 25 milhões. Hoje, após oito anos seguidos de crescimento do país, tem mais 8.000 funcionários e faturou US$ 400 milhões em 2007. 


Barata atribui o sucesso da economia peruano à estabilidade da política econômica pró-negócios, introduzida no governo de Alberto Fujimori, no início dos anos 90. 


Hoje a empresa lidera os consórcios que executam três das mais importantes obras em andamento no Peru: as rodovias interoceânicas Sul e Norte (que ligarão o Brasil ao Oceano Pacífico) e a transposição das águas do rio andino Huancabamba para a costa, por meio de um túnel de 14 km que corta os Andes, que permitirá geração de energia e um grande projeto de irrigação. 


Essas obras estão sendo realizadas em regimes de concessão, num programa de parceria público-privado (PPP), que tem sido fundamental para atrair investimentos em infra-estrutura no Peru. A política do governo é de deixar com a iniciativa privada tudo o que for possível. Este mês, comentando a necessidade de investimentos no estratégico porto de Callao, o maior do país, perto de Lima, o primeiro-ministro peruano, Jorge del Castillo, disse: "Precisamos investir US$ 1 bilhão em Callao. Mas, se eu tivesse US$ 1 bilhão, investiria em educação e saúde. Callao pode ficar com a iniciativa privada." 


Apesar de o programa de PPP peruano estar mais adiantado que no Brasil, para Barata a burocracia ainda é o maior obstáculo aos negócios no Peru. 


"A maior dificuldade é trabalhar com o Estado", disse. "O processo de moralização, de perseguição que se seguiu à crise de Montesinos [chefe do serviço de inteligência de Fujimori que mantinha um amplo esquema de corrupção], foi tremendo. Pelo menos quinze ministros foram detidos. Alguns ficaram presos. Os funcionários públicos se sentiram enfraquecidos, e isso gerou paralisação da máquina estatal." 


Segundo ele, as decisões freqüentemente não são implementadas, "não adianta um ministro ou chefe de setor ordenar", até que a burocracia dê todas as garantias aos servidores envolvidos. "O funcionário não é punido se não tomar decisões, então ele não toma decisões", disse Barata, que, além de dirigir a Odebrecht, Barata preside o grupo Brasil, associação que reúne as principais empresas brasileiras no país. 


Questionado sobre os setores mais promissores no Peru, Barata listou imediatamente três: mineração, gás e etanol. 


"Em mineração, só 10% do potencial do Peru está sendo explorado hoje. Há áreas para as quais não há sequer estudos", disse. A Votorantim Metais tem uma mineradora e uma refinaria de zinco no país. A Vale ganhou a concessão de uma grande jazida de fosfato, num projeto que inclui ainda a construção de um porto para exportação. 


"O gás consiste hoje em apenas um negócio [o projeto Camisea], que está operando na sua capacidade máxima. Estão fazendo segundo gasoduto, será um boom", disse Barata, que também acredita que as reservas do Peru devem crescer muito nos próximos anos com novas prospecções. 


Ainda no âmbito do gás, ele citou o projeto da Braskem, empresa do grupo Odebrecht, de construir um pólo gás-químico no país. 


Sobre biocombustíveis, Barata lembrou que a ETH, outra empresa da Odebrecht, também avalia a possibilidade de produzir etanol no Peru. "O Peru nos anos 70 era o maior exportador de açúcar do mundo e está se recuperando do colapso da produção. Sua vantagem é que a produtividade é maior que a do Brasil, com agricultura irrigada." 


Barata vê potencial para exportação de etanol para a Califórnia, já que o Peru tem um tratado de livre comércio com os EUA, o que fará com que seu etanol seja mais competitivo que o brasileiro nos EUA, que impõem uma tarifa ao produto do Brasil. 


O governo peruano não está estimulando a produção de etanol, pois a cana ocuparia espaço de outras culturas nas limitadas áreas costeiras irrigadas. O país, que importa diesel, prefere se concentrar em biodiesel, que pode ser produzido a partir de culturas da serra ou da Amazônia. Mas a própria agência de promoção de investimentos estrangeiros, a ProInversión, informou que já há várias consultas sobre produção de etanol no país. Com o preço atual do petróleo, o governo considera inevitável a produção de cana-de-açúcar e etanol em grande escala. 


Barata não citou, mas o seu setor, de construção, é outro que deve atrair investimentos bilionários, pois o déficit de infra-estrutura no Peru é enorme diante do crescimento do país e do boom de exportações. O asfaltamento de estradas mais que triplicou em 2007 em relação a 2006. A maioria dos portos peruanos é obsoleta. Praticamente não há tratamento de esgoto. 



Fonte: Valor Econômico
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