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Energia

Prefeitos pressionam consórcio de Belo Monte

06/04/2011 | 09h27
Os desafios do consórcio Norte Energia para iniciar a construção da hidrelétrica de Belo Monte não se restringem mais a barreiras sócio-ambientais erguidas por organizações ou pelo Ministério Público Federal. Agora a pressão vem também dos 11 municípios do Pará que serão direta ou indiretamente afetados pelas obras da usina. Há um descontentamento generalizado entre as prefeituras, que cobram a execução de compromissos assumidos durante a fase de elaboração do projeto. Essa lista de cobranças é encabeçada por uma nova exigência do governo paraense, uma demanda que, caso não seja atendida, pode complicar de vez o andamento do projeto.


O Valor apurou que o governo do Pará acaba de concluir um plano de segurança pública para a construção da usina. O projeto fazia parte do planejamento de Belo Monte, mas sua conclusão foi precipitada com as revoltas ocorridas nas margens do rio Madeira, no canteiro de obras de Jirau, em Porto Velho (RO). O Valor teve acesso exclusivo às principais demandas que constam do plano de segurança pública desenhado para a usina.


O relatório do governo do Pará inclui ações ligadas a todas as fases de proteção da comunidade, desde medidas de prevenção socioeducativas para evitar a geração de tumultos, até a aquisição de equipamentos e carros para aparelhamento da polícia, construção de prédios para encarceramento e estruturas especializadas em recuperação de delinquentes. Esse pacote já tem um preço. O investimento em infraestrutura e equipamentos é calculado em R$ 250 milhões. Outros R$ 170 milhões por ano são estimados para o custeio e manutenção de toda a operação, incluindo gastos com pessoal.


A elaboração do plano foi liderada pelo vice-governador do Pará, Helenilson Pontes (PPS). Pontes afirmou que deverá ter um encontro ainda nesta semana com o presidente do consórcio Norte Energia, Carlos Nascimento, para entregar as exigências. "Uma das condicionantes definidas pelo Ibama para liberação da usina é a criação de um convênio de segurança pública entre o consórcio e o Estado do Pará. Isso é um pressuposto da própria licença", afirma Pontes. "A rigor, já estamos atrasados, a empresa já deveria ter procurado o governo e esse acordo deveria estar firmado."


Segundo o vice-governador, o plano de segurança pública está restrito à demanda que será gerada por Belo Monte. "Não se trata de necessidades gerais do governo. O empreendimento demanda essas medidas, que têm que ser pagas pelo consórcio", diz Helenilson Pontes. "O que aconteceu em Jirau pode ocorrer de forma multiplicada em Belo Monte, por isso nós recusamos a ideia de que a obra se antecipe às condicionantes."


Do lado dos municípios que serão afetados pela obra, prefeitos já se articularam para cobrar um cronograma de obras e benfeitorias a serem entregues. Segundo o presidente Federação das Associações dos Municípios do Estado do Pará (Famep) e prefeito da cidade de Ananindeua, Helder Barbalho, há um desequilíbrio no atendimento aos municípios. "Hoje só Altamira, Anapu e Vitória do Xingu estão sendo atendidas. Os demais municípios tiveram atendimento superficial", afirma Barbalho.


O pacote de compensações para os onze municípios é estimado em R$ 3 bilhões, segundo a Famep. As ações incluem projetos como a construção de centros habitacionais, escolas, hospitais e obras de saneamento. Além de Altamira, Anapu e Vitória do Xingu, fazem parte do acordo os municípios de Senador José Porfírio, Placas, Uruará, Medicilândia, Brasil Novo, Porto de Moz, Pacajá e Gurupá.


Em Altamira, cidade que será a mais afetada pelas obras, vivem cerca de 100 mil habitantes. Se somada a população dos demais municípios, chega-se a aproximadamente 360 mil pessoas, segundo o IBGE. Estima-se que, no pico das obras, Belo Monte tenha 20 mil funcionários trabalhando em seus canteiros. A migração total de população para a região estimada pelo governo é de, pelo menos, 100 mil pessoas.
 

Para o prefeito de Uruará, Eraldo Pimenta (PP), "a região tem esperança" que os compromissos sejam cumpridos. Pimenta, que também é presidente do "consórcio Belo Monte", criado para representar os onze municípios do entorno da usina, diz que o grupo já solicitou, por meio da Famep, uma audiência com a diretoria do Norte Energia para apresentar suas reivindicações. O encontro deverá ocorrer na segunda quinzena deste mês.


Procurado pela reportagem, o consórcio Norte Energia informou que não comentaria o projeto de segurança pública porque ainda desconhecia o relatório. Sobre as benfeitorias nos municípios, informou que atualmente mais de 70 obras estão em andamento em Altamira, Anapu e Vitória do Xingu. O plano de desenvolvimento regional de Belo Monte inclui a construção de 500 novas casas em Altamira e 2,5 mil casas em Vitória do Xingu. Segundo o consórcio, o desenvolvimento previsto para a região de Altamira (PA) e municípios vizinhos prevê a melhoria das condições de vida de 4,5 mil famílias que hoje vivem em palafitas, além de uma compensação financeira anual de R$ 88 milhões.


Com investimento total estimado em R$ 23 bilhões, Belo Monte tem sua conclusão projetada para daqui a dez anos, mas está previsto que as primeiras turbinas entrem em operação a partir do quinto ano, gradativamente. A usina terá capacidade instalada de 11.233 MW, com energia firme (garantida) de 4.571 MW médios, geração suficiente para abastecer 40% do consumo residencial de todo o país.


Fonte: Valor Econômico
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