acesso a redes sociais
  • tumblr.
  • twitter
  • Youtube
  • Linkedin
  • flickr
conecte-se a TN
  • ver todas
  • versão online
  • Rss
central de anunciante
  • anunciar no site
  • anunciar na revista
Mercado

Preço do alumínio está parado há 30 anos

17/01/2013 | 10h49

 

Enquanto os preços da maioria dos metais não ferrosos dobraram e até triplicaram, em valores nominais, nos últimos 30 anos, o alumínio, apesar de alguns momentos de escalada de alta, permanece no mesmo nível, de US$ 2 mil por tonelada. Esse patamar, que já levou companhias a fechar as portas no Brasil ou considerar encerrar operações, faz com que hoje quase metade das empresas globais que produzem o metal tenha prejuízo operacional. A razão da estagnação, segundo analistas e executivos do setor ouvidos pelo 'Valor', tem como um dos pilares o aumento expressivo da produção chinesa.
Na última década, os chineses elevaram o volume de alumínio produzido de 4 milhões de toneladas para perto de 20 milhões de toneladas, segundo dados do World Bureau of Metal Statistics. "A China hesita em depender de outros países para suprir suas necessidades de metais básicos", diz Paul Adkins, sócio da consultoria chinesa de commodities AZ China. Com isso, em 2011 a produção chinesa correspondeu por 40% do total mundial, de 44,6 milhões de toneladas. Apenas uma fabricante chinesa, a Chalco, a maior do mundo no setor, foi responsável por 9% deste total, com 3,9 milhões de toneladas.
Além de maior produtor, a China é o maior consumidor global da commodity. As indústrias de transporte, construção e energia são responsáveis por dois terços do consumo no país asiático. O metal, que é o segundo mais usado do mundo, atrás apenas do aço, também é aplicado em diversos materiais, desde embalagens, como latas e marmitas, até automóveis e foguetes.
Mas a China não é a única explicação para os preços parados no tempo. Diversos produtores de alumínio superestimaram a demanda global pelo metal e aumentaram seus volumes de produção, principalmente antes da crise de 2008. "As expectativas eram de muito crescimento, mas não aconteceu como esperado", diz Gianclaudio Torlizzi, sócio da consultoria europeia de commodities T-Commodity.
Um dos fatores que incentivaram os investimentos em produção de alumínio em todo o mundo na década passada foram injeções de liquidez na economia americana pelo Federal Reserve, o banco central americano, a partir do início dos anos 2000. Em seguida, o crescimento que diversas economias globais esbanjaram entre 2003 e 2005 puxou a demanda pelo metal, o que elevou os preços (de um nível de US$ 1.300 por tonelada para perto US$ 2.000 por tonelada) e estimulou companhias a investir.
Um valor que torna os projetos de novos investimentos viáveis é US$ 2.400 por tonelada, diz Luis Carlos Loureiro Filho, coordenador da comissão de economia e estatística da Associação Brasileira do Alumínio (Abal). De 2005 a 2008, a cotação ficou a maior parte do tempo acima desse patamar. Desde a crise financeira global, entretanto, os preços só voltaram novamente a este nível em 2011. Naquele ano, o preço chegou a ultrapassar US$ 2.700 por tonelada, mas a crise da dívida da europa e as incertezas geradas a partir dela pressionaram novamente a demanda e o preço atingiu no quarto trimestre sua mínima no ano, perto de US$ 1.960 por tonelada. No ano passado, a cotação média da commodity ficou perto de US$ 2.050 na bolsa de metais de Londres, a London Metal Exchange (LME).
Além dos fatores macroeconômicos e da produção chinesa, uma facilidade técnica também ajuda a segurar os preços do metal, segundo especialistas. O alumínio é o terceiro elemento mais abundante em solo terrestre a extração da bauxita é mais simples do que de outros minerais, o que facilita o aumento da produção, diz o analista de metais do BNP Paribas, Stephen Briggs. "E os depósitos de alumínio continuam enormes".
O cobre - chamado de metal vermelho -, por exemplo, cujo preço subiu mais de 200% em 30 anos (o alumínio aumentou apenas 0,30%), também teve um grande aumento da demanda chinesa nos últimos anos, mas tem uma indústria mineira mais complicada, diz Ana Rebelo, chefe de estatística do International Cooper Study Group (ICSG). "Os problemas que afetam a indústria de extração mineral de cobre impediram que a produção crescesse como planejado," diz a especialista. Além disso, é mais difícil encontrar minas de cobre com altos gruas de qualidade. "As existentes têm porcentagens de cobre cada vez menores no material extraído", diz Briggs.
Segundo dados do ICSG, de 2005 a 2011 o crescimento da produção mundial de cobre foi de somente 7%. Já a produção de alumínio refinado saltou 40,3% no mesmo período de tempo.
Em uma década, a partir de 2001, o aumento da produção do metal foi de 82%. Justamente nesse período aconteceram as maiores esticadas de preços dos outros metais não ferrosos. A cotação do estanho, por exemplo, quadruplicou, enquanto o alumínio teve um avanço bem mais tímido, de cerca de 25%, de acordo com números disponibilizados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que não desconta a inflação do período.
Com uma maior capacidade de produção em todo o mundo e uma demanda que não cresceu na mesma proporção, várias companhias passaram a ter prejuízos seguidos e encerraram suas atividades. No Brasil, que tem a quinta maior reserva global de bauxita, atrás de Guiné, Austrália, Vietnã e Jamaica, as condições de produção também se tornaram insustentáveis nos últimos anos. Com isso, duas empresas fecharam suas portas: a Valesul, da Vale, que encerrou as operações de sua unidade no distrito de Santo Cruz, no Rio de Janeiro, em 2009; e a Novelis, ligada à indiana Hindalco, que desativou sua fundição de Aratu, na Bahia, no ano seguinte.
Mais recentemente, a americana Alcoa ameaçou encerrar suas atividades nas unidades de Poços de Caldas, em Minas Gerais, e na Alumar, em São Luis, no Maranhão. "Hoje, 45% das produtoras de alumínio têm prejuízo operacional", disse Franklin Feder, presidente da Alcoa para América Latina e Caribe. Na China, nenhuma empresa tem lucro em suas operações ultimamente, segundo ele. No ano passado, a própria Alcoa encerrou unidades na Itália e na Espanha.
Além do preço em baixa, o alto custo da energia tem sido um grande desafio para as companhias brasileiras. A energia corresponde por cerca de metade do custo de produção do alumínio e, no Brasil, o preço está em torno de US$ 60 por MWh, bem acima da média global de US$ 40 por MWh. Com a redução anunciada pelo governo em setembro do ano passado, de 28%, o valor chegaria perto de US$ 45. No entanto, empresários calculam que o corte deve ficar próximo de 11% e, neste momento, tentam conseguir mais.
Para os preços, as perspectivas nos próximos anos não são animadoras. Na opinião do presidente da Alcoa, a cotação não vai subir neste ano. "O volume de estoques continua subindo, e a China continua aumentando sua produção. Muitas das fábricas chinesas são estatais e é mais difícil de serem fechadas", afirma Feder.
Analistas que acompanham o metal também não preveem altas expressivas. Briggs, do BNP Paribas, calcula um preço de US$ 2.200 por tonelada neste ano, pouco acima dos US$ 2.100 atuais. O mesmo preço foi projetado pelo Bank of America Merrill Lynch, que cortou em dezembro sua previsão em 4%. O banco australiano Macquire, por sua vez, reduziu em 2,9% sua estimativa para o metal em 2013 na semana passada, para US$ 2.075 por tonelada. Na mesma linha, a agência de risco Standard & Poor's disse em relatório recente que o mercado global de alumínio continua desafiador.

Enquanto os preços da maioria dos metais não ferrosos dobraram e até triplicaram, em valores nominais, nos últimos 30 anos, o alumínio, apesar de alguns momentos de escalada de alta, permanece no mesmo nível, de US$ 2 mil por tonelada. Esse patamar, que já levou companhias a fechar as portas no Brasil ou considerar encerrar operações, faz com que hoje quase metade das empresas globais que produzem o metal tenha prejuízo operacional. A razão da estagnação, segundo analistas e executivos do setor ouvidos pelo 'Valor', tem como um dos pilares o aumento expressivo da produção chinesa.


Na última década, os chineses elevaram o volume de alumínio produzido de 4 milhões de toneladas para perto de 20 milhões de toneladas, segundo dados do World Bureau of Metal Statistics. "A China hesita em depender de outros países para suprir suas necessidades de metais básicos", diz Paul Adkins, sócio da consultoria chinesa de commodities AZ China. Com isso, em 2011 a produção chinesa correspondeu por 40% do total mundial, de 44,6 milhões de toneladas. Apenas uma fabricante chinesa, a Chalco, a maior do mundo no setor, foi responsável por 9% deste total, com 3,9 milhões de toneladas.


Além de maior produtor, a China é o maior consumidor global da commodity. As indústrias de transporte, construção e energia são responsáveis por dois terços do consumo no país asiático. O metal, que é o segundo mais usado do mundo, atrás apenas do aço, também é aplicado em diversos materiais, desde embalagens, como latas e marmitas, até automóveis e foguetes.


Mas a China não é a única explicação para os preços parados no tempo. Diversos produtores de alumínio superestimaram a demanda global pelo metal e aumentaram seus volumes de produção, principalmente antes da crise de 2008. "As expectativas eram de muito crescimento, mas não aconteceu como esperado", diz Gianclaudio Torlizzi, sócio da consultoria europeia de commodities T-Commodity.

Um dos fatores que incentivaram os investimentos em produção de alumínio em todo o mundo na década passada foram injeções de liquidez na economia americana pelo Federal Reserve, o banco central americano, a partir do início dos anos 2000. Em seguida, o crescimento que diversas economias globais esbanjaram entre 2003 e 2005 puxou a demanda pelo metal, o que elevou os preços (de um nível de US$ 1.300 por tonelada para perto US$ 2.000 por tonelada) e estimulou companhias a investir.


Um valor que torna os projetos de novos investimentos viáveis é US$ 2.400 por tonelada, diz Luis Carlos Loureiro Filho, coordenador da comissão de economia e estatística da Associação Brasileira do Alumínio (Abal). De 2005 a 2008, a cotação ficou a maior parte do tempo acima desse patamar. Desde a crise financeira global, entretanto, os preços só voltaram novamente a este nível em 2011. Naquele ano, o preço chegou a ultrapassar US$ 2.700 por tonelada, mas a crise da dívida da europa e as incertezas geradas a partir dela pressionaram novamente a demanda e o preço atingiu no quarto trimestre sua mínima no ano, perto de US$ 1.960 por tonelada. No ano passado, a cotação média da commodity ficou perto de US$ 2.050 na bolsa de metais de Londres, a London Metal Exchange (LME).


Além dos fatores macroeconômicos e da produção chinesa, uma facilidade técnica também ajuda a segurar os preços do metal, segundo especialistas. O alumínio é o terceiro elemento mais abundante em solo terrestre a extração da bauxita é mais simples do que de outros minerais, o que facilita o aumento da produção, diz o analista de metais do BNP Paribas, Stephen Briggs. "E os depósitos de alumínio continuam enormes".


O cobre - chamado de metal vermelho -, por exemplo, cujo preço subiu mais de 200% em 30 anos (o alumínio aumentou apenas 0,30%), também teve um grande aumento da demanda chinesa nos últimos anos, mas tem uma indústria mineira mais complicada, diz Ana Rebelo, chefe de estatística do International Cooper Study Group (ICSG). "Os problemas que afetam a indústria de extração mineral de cobre impediram que a produção crescesse como planejado," diz a especialista. Além disso, é mais difícil encontrar minas de cobre com altos gruas de qualidade. "As existentes têm porcentagens de cobre cada vez menores no material extraído", diz Briggs.


Segundo dados do ICSG, de 2005 a 2011 o crescimento da produção mundial de cobre foi de somente 7%. Já a produção de alumínio refinado saltou 40,3% no mesmo período de tempo.


Em uma década, a partir de 2001, o aumento da produção do metal foi de 82%. Justamente nesse período aconteceram as maiores esticadas de preços dos outros metais não ferrosos. A cotação do estanho, por exemplo, quadruplicou, enquanto o alumínio teve um avanço bem mais tímido, de cerca de 25%, de acordo com números disponibilizados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que não desconta a inflação do período.


Com uma maior capacidade de produção em todo o mundo e uma demanda que não cresceu na mesma proporção, várias companhias passaram a ter prejuízos seguidos e encerraram suas atividades. No Brasil, que tem a quinta maior reserva global de bauxita, atrás de Guiné, Austrália, Vietnã e Jamaica, as condições de produção também se tornaram insustentáveis nos últimos anos. Com isso, duas empresas fecharam suas portas: a Valesul, da Vale, que encerrou as operações de sua unidade no distrito de Santo Cruz, no Rio de Janeiro, em 2009; e a Novelis, ligada à indiana Hindalco, que desativou sua fundição de Aratu, na Bahia, no ano seguinte.


Mais recentemente, a americana Alcoa ameaçou encerrar suas atividades nas unidades de Poços de Caldas, em Minas Gerais, e na Alumar, em São Luis, no Maranhão. "Hoje, 45% das produtoras de alumínio têm prejuízo operacional", disse Franklin Feder, presidente da Alcoa para América Latina e Caribe. Na China, nenhuma empresa tem lucro em suas operações ultimamente, segundo ele. No ano passado, a própria Alcoa encerrou unidades na Itália e na Espanha.


Além do preço em baixa, o alto custo da energia tem sido um grande desafio para as companhias brasileiras. A energia corresponde por cerca de metade do custo de produção do alumínio e, no Brasil, o preço está em torno de US$ 60 por MWh, bem acima da média global de US$ 40 por MWh. Com a redução anunciada pelo governo em setembro do ano passado, de 28%, o valor chegaria perto de US$ 45. No entanto, empresários calculam que o corte deve ficar próximo de 11% e, neste momento, tentam conseguir mais.


Para os preços, as perspectivas nos próximos anos não são animadoras. Na opinião do presidente da Alcoa, a cotação não vai subir neste ano. "O volume de estoques continua subindo, e a China continua aumentando sua produção. Muitas das fábricas chinesas são estatais e é mais difícil de serem fechadas", afirma Feder.


Analistas que acompanham o metal também não preveem altas expressivas. Briggs, do BNP Paribas, calcula um preço de US$ 2.200 por tonelada neste ano, pouco acima dos US$ 2.100 atuais. O mesmo preço foi projetado pelo Bank of America Merrill Lynch, que cortou em dezembro sua previsão em 4%. O banco australiano Macquire, por sua vez, reduziu em 2,9% sua estimativa para o metal em 2013 na semana passada, para US$ 2.075 por tonelada. Na mesma linha, a agência de risco Standard & Poor's disse em relatório recente que o mercado global de alumínio continua desafiador.

 



Fonte: Valor Econômico
Seu Nome:

Seu Email:

Nome do amigo:

Email do amigo:

Comentário:


Enviar