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Indústria naval

Poloneses estudam criar pólo naval na baixada santista

10/10/2005 | 00h00

Empresários da Polônia voltaram a manifestar interesse em investir na implantação de estaleiros na Baixada Santista. A questão foi debatida pelos executivos durante sua visita à Capital, na última semana, e à região, na sexta-feira. Projetos como o Porto Industrial Naval de Cubatão (Pinc) foram tema de diversas conversas entre os visitantes e representantes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Apesar de impedidos de confirmar qualquer aplicação de recursos no Brasil, por normas polonesas, os integrantes da missão comercial deixaram claro que há interesse em participar de empreendimentos de infra-estrutura. Um deles, falaram, é a construção de navios.

A intenção dos empresários de atuar nesse setor já havia sido manifestada durante visita de representantes diplomáticos do país ao Porto de Santos, no último dia 25 de julho.

Segundo o presidente da Câmara de Comércio do Norte da Polônia (entidade equivalente à Fiesp), Dariusz Wiecaszek, que integrou esta última missão, os projetos fundamentais para o desenvolvimento do setor de transportes no Brasil podem se tornar alvos de grupos empresariais poloneses.

‘‘Não posso dizer, por questões diplomáticas, quais são ou se serão investimentos diretos do governo da Polônia, porque só divulgamos uma negociação quando ela está concluída’’, disse. Entretanto, ele garantiu que a delegação voltará à Polônia com conhecimentos mais aprofundados sobre os projetos de construção de navios.

Segundo Wiecaszek, o porto polonês Szczecin está passando por mudanças estruturais e de expansão, semelhantes às ocorridas no cais santista nas últimas décadas. Por isso, ele afirmou que acredita na confirmação de negócios com a Baixada Santista. ‘‘A mesma escala de transformação que acontece em Santos, acontece conosco. Apareceram projetos interessantes e empresas estão olhando o mercado para saber onde podemos expandir’’, disse.

O presidente afirmou que trabalhará para criar novas rotas diretas entre os dois países e para a divulgação do cais santista entre as empresas européias. ‘‘Temos que ter consciência de que todas as trocas comerciais não têm outra alternativa, têm de ser feitas pelo transporte marítimo’’.

Uma das propostas para aproximar Szczecin e Santos é usar os dois complexos para o transporte de suco de laranja envasado (em caixas do tipo longa vida) na Europa para o Brasil. Discutida durante a visita dos empresários à unidade local do Serviço Social da Indústria (Sesi), a idéia é considerada ‘‘curiosa’’, principalmente pelo Brasil ser o maior exportador do produto no mundo.

Wiecaszek assegurou que os turistas europeus preferem beber o suco industrializado por empresas conhecidas na Europa e, portanto, distantes do mercado brasileiro. ‘‘Os turistas europeus que viajam para o Norte e o Nordeste querem os sucos que eles estão acostumados a beber. Posso afirmar que são quantidades grandes’’, argumentou.

Atualmente, uma das principais mercadorias negociadas entre os dois países é o minério de ferro. Por ano, cerca de dois milhões de toneladas da matéria-prima são exportadas pelo Brasil, que também vende soja e produtos petroquímicos para produção de asfalto.

Fases

Segundo o diretor regional do Ciesp de Santos, Ronaldo Souza Forte, a missão deve ser encarada em duas fases. A primeira, ocorrida durante a semana passada, prioriza a identificação de projetos.

A segunda se refere à viabilização dos negócios. ‘‘Eles têm que conhecer a nossa infra-estrutura. Eu sei que eles ficaram impressionados, mas também temos que trocar experiências para concluir qualquer negócio’’, explicou.

Forte destacou que a passagem da comitiva polonesa pela Cidade comprova o potencial de investimentos na região.

Além do diretor da regional santista do Ciesp, a missão comercial foi recepcionada pelo deputado estadual Marcelo Bueno (PTB), o vice-prefeito de São Vicente, Paulo de Souza, e o secretário de Planejamento de Santos, Márcio Lara.



Fonte: A Tribuna de Santos
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