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Iara

Poço abre espaço para megaprojeção no pré-sal

12/09/2008 | 04h55

O anúncio de que os testes no poço exploratório de Iara, na camada de pré-sal da bacia de Santos, constataram reservas recuperáveis de 3 bilhões a 4 bilhões de barris de petróleo leve de alta qualidade está levando especialistas a considerarem a possibilidade de as áreas do pré-sal brasileiro nessa região da bacia de Santos somarem reservas de muitas dezenas de bilhões de barris de petróleo e gás. Ao mesmo tempo em que o anúncio confirma a dimensão das reservas na nova área, traz também um detalhe destacado pelos analistas: o campo está em uma área bem definida o que, em tese, afastaria a necessidade de a exploração do campo ser negociada com a União, no processo conhecido por "unitização".

 

"Temos nove situações (ocorrências de óleo ou gás) naquela área [de Tupi e blocos próximos] e, no conjunto, por que não falar em 70 ou 80 bilhões apenas naquele 'cluster' (complexo)", pergunta o professor Guiseppe Bacoccoli, da coordenação dos programas de pós-graduação em engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ).

 

A reserva de Iara, divulgada por meio de um comunicado técnico e lacônico da Petrobras na noite de quarta-feira, contrariando o foguetório que o governo vem soltando quando o assunto é pré-sal, foi festejada por especialistas e analistas, inclusive pelos que notoriamente têm posições divergentes com o governo e a Petrobras. "Pegando pelos picos de 8 bilhões e 4 bilhões, apenas Tupi e Iara dobram as reservas brasileiras", disse Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE). A referência é ao fato de Tupi, anunciado em novembro de 2007, ter reservas estimadas de 5 bilhões a 8 bilhões de barris.

 

Pires estranhou apenas a coincidência de que os dois anúncios de reservas de pré-sal feitos até agora terem ocorrido em dias de crise de abastecimento de gás. Tupi teve suas reservas prováveis anunciadas quando a Petrobras acabara de anunciar o corte de 17% do gás natural fornecido aos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo para assegurar o abastecimento de usinas termelétricas. Agora, o anúncio saiu ao mesmo tempo em que a Bolívia cortava de 10% a 15% do fornecimento de gás ao Brasil por conta de sabotagem nos dutos que transportam o produto.

 

"Parece haver uma gaveta de notícias boas que são sacadas na hora que interessa", disse Pires. "O pessoal tem achado coincidência que esses anúncios favoráveis sejam feitos na hora que algo ruim está acontecendo, mas eu não tenho elementos para falar nada", disse Bacoccoli, da UFRJ. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está analisando o anúncio da Petrobras para saber se ocorreu alguma irregularidade. Para Bacoccoli, o importante é que as avaliações das descobertas estão apontando para a possibilidade de o Brasil ter, se não uma Arábia Saudita, com seus mais de 250 bilhões de barris de reservas, ao menos um Irã ou um Iraque, países que dispõem de reservas na casa dos 100 bilhões de barris.

 

O técnico ressaltou que o anúncio de Iara reafirma a necessidade de investimentos pesados para desenvolver o pré-sal. "Tupi, vai exigir algo em torno de US$ 30 bilhões. Iara, talvez US$ 15 bilhões. Talvez tudo não chegue aos US$ 600 bilhões previstos por parte do mercado, mas será preciso muito dinheiro", disse. As ameaças ao sucesso, segundo Bacoccoli, são duas: a não-comprovação das reservas ou uma queda do preço do petróleo a níveis muito baixos. "Abaixo de US$ 50 por barril daria para repensar muitas coisas", estimou.

 

"Petróleo depende de o mercado estar disposto a pagar uma margem acima do que você vai gastar", ressalta David Zylbersztajn, primeiro diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), hoje consultor na área de energia. Ele lembrou que em 1973, ano do primeiro choque do petróleo, a elevação dos preços era de interesse dos Estados Unidos, que produzia petróleo no Texas a US$ 5 por barril, enquanto o mercado vendia o produto a US$ 2,5 por barril.

 

Nessa equação, avalia Zylbersztajn, é também vital saber a extensão real das reservas, porque se elas forem mesmo muito grandes, a quantidade produzida pode viabilizar o retorno de investimentos pesados, mesmo que os preços não sejam os melhores. "Na pior das hipóteses, se houver dificuldade econômica para retirar (o óleo e o gás do pré-sal) agora, você estará gerando uma enorme reserva estratégica para o país", disse o especialista, que descartou correlação entre a divulgação de Iara e os problemas com o abastecimento de gás boliviano. "Não sou de teorias conspiratórias", resumiu.

 

As análises dos bancos que operam com investimentos em ações também foram positivas em relação ao anúncio de Iara. "Reiteramos nossa recomendação de compra de ações (da Petrobras)", diz o relatório do Unibanco, afirmando que a divulgação do potencial da descoberta "representa um evento positivo para a Petrobras". O trabalho, assinado pelo analista Vladimir Pinto, diz que o anúncio pode mesmo superar parcialmente a força contrária (às ações) que vêm tendo fatos como o debate político sobre a exploração do pré-sal e a queda dos preços do petróleo.

 

O relatório do Credit Suisse também comemora o anúncio da reserva de Iara feito pelo consórcio formado pela Petrobras (65%), BG Group (25%) e Galp Energia (10%) e o fato de Iara e Tupi poderem acrescentar até 12 bilhões de barris às reservas brasileiras de petróleo. "Nós acreditamos que as indicações desse volume são muito positivas e devem alertar os investidores para o forte potencial de novas descobertas de petróleo da Petrobras", diz o relatório.

 

O documento do Credit Suisse também destaca o fato de a reserva de Iara estar dentro de uma área bem definida. Isso indicaria, em tese, a possibilidade de seus limites não ultrapassarem a área do bloco BMS-11, o que evitaria a necessidade de o novo campo passar pelo processo de unitização, discutido pelo governo brasileiro (definição precisa do quanto da reserva pertence ao consórcio exploratório).



Fonte: Valor Econômico
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