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MME

Planejamento energético na mão do governo

11/05/2004 | 00h00
A secretária de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério das Minas e Energia, Maria das Graças Foster, criticou as rodadas de licitações para blocos de petróleo realizadas até hoje. Segundo ela, desde a rodada zero até a quinta não havia um planejamento claro, baseado em uma política de petróleo desenvolvida para o país. Foster acredita que a Sexta, a Sétima e as rodadas seguintes serão mais interessantes porque serão elaboradas com base nos estudos da recém-criada Empresa de Pesquisa Energética (EPE) dentro de uma visão de longo prazo para o setor. "É preciso fazer um plano de exploração que beneficie os interesses do Brasil e ao mesmo tempo tenha a capacidade de atrair investidores estrangeiros", define.
A retomada do planejamento do setor energético por parte do governo foi a linha defendida na palestra dos secretários do Ministério das Minas e Energia Maria das Graças Foster, de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis, e Amilcar Guerreiro, de Política e Planejamento Energético. Os secretários federais participaram do painel Modelagem do Setor Energético: Visão do Governo, que abriu o segundo dia de trabalho do Workshop Modelos em Planejamento Energético, realizado durante dos dias 10 e 11 de maio, no Rio Othon Hotel, sob organização do Grupo de Economia da Energia (GEE) do Instituto de Economia da UFRJ.
A secretária ressaltou a importância e o grau de responsabilidade necessário para a gestão de hidrocarbonetos devido à condição finita desses recursos. "Eles acabam mesmo e é preciso definir uma relação ideal de reservas e produção, assim como é importante diversificar a matriz energética, descobrir novas reservas e agregar valor ao petróleo descoberto para gerar riqueza no país. O uso do petróleo na indústria petroquímica, por exemplo, tem muito mais valor agregado do que o seu uso como insumo", explica.
Com o desenvolvimento da utilização do gás natural, Foster admite que haverá um deslocamento de outros combustíveis, mas considera que embora o gás seja muito mais adequado como combustível, isso não significa que ele venha a eliminar outros insumos. "O gás vai deslocar o álcool e o petróleo onde ele realmente for competitivo", comenta.
Sobre os prejuízos sofridos durante o ano pelas termelétricas a gás, o secretário Amilcar Guerreiro, comentou que este ano houve um excesso de energia elétrica, mas que a tendência é de que nos próximos anos a oferta, a demanda e distribuição de energia venham a se harmonizar. A primeira rodada de licitações do setor elétrico envolve 17 hidrelétricas.

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