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Petroquímica

Petroquisa negocia com três grupos projeto em São Paulo

25/06/2004 | 00h00

A Petrobras está conversando com a Dow Chemical, Polibrasil e Braskem para definir quem será seu sócio na unidade de polipropileno a ser construída em São Paulo, a partir de 2005. Carlos Alberto Fontes, presidente da Petrobras Química S.A. (Petroquisa) garantiu que a subsidiária ainda não acertou parceria com nenhum grupo para tocar o empreendimento, avaliado em R$ 230 milhões. Com o novo plano estratégico da Petrobras, a subsidiária foi fortalecida. Antes, contou Fontes, estava esvaziada pela ausência de política.
O executivo afirmou que a Petrobras tem pressa de recuperar o tempo perdido no setor. O plano estratégico para até 2010 tem o objetivo de restaurar o braço petroquímico, "desmontado pela privatização". O caminho, nessa retomada, traçou como meta ampliar o porte do setor com novos investimentos de envergadura.
Essa visão surpreendeu o mercado, que esperava uma reestruturação setorial, levando a estatal a ampliar sua presença em um dos três pólos petroquímicos do país. "Se isso ocorresse, a Petroquisa simplesmente iria passar uma certa quantia de dinheiro aos donos dessas participações e PQU, Braskem e Copesul continuariam do mesmo tamanho".
No plano estratégico foi reservado US$ 1,1 bilhão para a petroquímica. Desse total, US$ 850 milhões ficaram com a Petroquisa, que agora planeja dividir a gestão dos empreendimentos onde tem participação. A diferença ficará para investimentos no setor dentro da área internacional, a cargo de Nestor Cerveró.
Para não ser apenas "um sócio oculto e sem voz", disse Fontes, a Petrobras decidiu que nos futuros projetos, como a unidade de polipropileno, a Petroquisa fará exigências aos sócios para participar. Vai estabelecer os parâmetros do empreendimento. "Queremos ser controladores ou no mínimo co-gestores. Pode ser 50% a 50%, com o voto de Minerva nas decisões estratégicas dado pela administração da estatal". Outro ponto é a questão do financiamento do projeto. "Não vamos pôr um tostão a mais no negócio além da nossa participação. Se a gente financiar 70%, seremos donos de 70% e assim por diante. Não haverá também tratamento preferencial a sócios na venda de matéria-prima".
Apesar de ter engavetado, no momento, o plano de ampliar sua presença nas centrais petroquímicas, Fontes disse que a questão deverá ser reaberta em 2005, quando a estatal terá de decidir, em abril, se vai exercer ou não o direito de aumentar sua presença na Braskem. Como a empresa é sócia da Rio Polímeros, terá de se decidir por uma delas. "Chegará um momento em que vamos ter de decidir o que fazer, que ativo vender, porque as companhias são concorrentes, o que configura um conflito de interesses", argumentou Fontes.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: Como ficou a Petroquisa com o novo plano estratégico?

Carlos Alberto Fontes: Tínhamos algumas opções. Uma delas era trabalhar com o que foi erroneamente chamado de reestruturação da indústria petroquímica, porque a Petrobras nunca teve a pretensão de ser uma reestruturadora. A segunda opção era trabalhar no crescimento de toda a indústria com novos projetos, aumentando o número de companhias em atuação no setor e gerar empregos e crescimento econômico. Esse segundo viés foi o escolhido pelo conselho de administração da Petrobras.

Valor: A Petroquisa estaria sozinha nos novos projetos?

Fontes: Nos sempre pensamos em parcerias. Mas com a diferença que, agora, seriam investimentos nos quais a Petrobras tomaria a liderança da implantação. Não queremos ser necessariamente os controladores, mas teríamos de ter pelo menos a co-gestão. Ninguém vai ter participação maior que a da Petrobras. Não queremos é chegar com a bola, alugar o campo e ficar sentado no banco de reserva enquanto todo mundo joga e a gente não.

Valor: Essas participações nas centrais herdadas da privatização são vistas como um mico, não?

Fontes: É um portfólio residual, que resultou de um processo de privatização que tinha como visão a saída da Petrobras da petroquímica. Mas, no momento, a decisão do conselho foi colocar o dinheiro em algo novo.

Valor: Isso tem um lado político, porque com a decisão do conselho a Petroquisa não se envolve nem com um grupo nem com outro.

Fontes: Essa é uma das dificuldades que temos para tomar qualquer tipo de decisão hoje nos projetos em que a Petroquisa já está envolvida nas centrais. Todo mundo quer ser nosso sócio, mas todos querem exclusividade e isso é complicado.

Valor: Isso significa que vocês se conformaram em ter essas participações "micadas" nas centrais?

Fontes: Não. Isso significa apenas que elas vão continuar a ser analisadas para uma decisão futura. Nós nos associamos há duas companhias que são concorrentes, como é o caso de Braskem e Rio Polímeros. Aí existe um conflito de interesses claro e estabelecido. E, nesse caso, não poderemos ficar nas duas companhias. Então, vai chegar um momento em que teremos de decidir o que fazer. Essa é uma questão que está sendo estudada com carinho e com calma. Não posso dizer que não exista pressão de todos os grupos para um posicionamento da Petrobras. Claro que existe. Mas, não trabalhamos com isso, mas com uma visão empresarial.

Valor: Quais são os novos projetos pelos quais vocês optaram?

Fontes: São a conclusão do pólo gás-químico do Rio (Rio Polímeros), a unidade de polipropileno em São Paulo, um complexo ácido acrílico em Minas ou São Paulo, uma fábrica de fenol que pode ser em São Paulo ou Paraná e um pólo gás-químico na fronteira do Brasil com a Bolívia.

Valor: A Petrobras desistiu de comprar o braço petroquímico do grupo Ipiranga?

Fontes: O assunto chegou a ser discutido e aventado. Nunca chegou a ter um nível de formalização que justificasse fazer um comunicado ao mercado. Nós nunca mentimos para o mercado. Não chegou a haver nenhuma formalização. A verdade é que houve efetivamente interesse deles (família controladora da Ipiranga Petroquímica - IPQ) em um certo momento de vender sua parte e nós de comprar. Eles tinham o controle de uma central (a Copesul) que consideramos importante e tínhamos interesse, pela IPQ. Havia uma lógica, como a garantia de matéria-prima para nossas empresas. Se a IPQ algum dia fosse adquirida por nós, iria nos agregar valor. Infelizmente não foi possível. Não tivemos mais nenhuma conversa depois e hoje a família não tem mais nenhum interesse em vender.



Fonte: Valor Econômico
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