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Cortes

Petrolíferas agora têm de preservar caixa

27/11/2008 | 02h27

A indústria petrolífera mundial se prepara para tomar algumas decisões difíceis, já que a queda no preço do petróleo começa a forçá-las a reconsiderar como gastarão seus recursos. E a nova prioridade é conservar o caixa.

 

Poucos meses atrás, importantes produtoras de petróleo e gás batiam recordes de faturamento com o boom mundial da demanda por energia, e o barril do petróleo chegou a US$ 145 em julho. As petrolíferas não precisavam escolher entre pagar dívidas, aumentar o dividendo, rechear o caixa ou expandir o orçamento para despesas de capital. Elas podiam fazer tudo isso ao mesmo tempo.

 

Mas agora a crise econômica mundial está sufocando a demanda por petróleo e gás natural, e o preço do barril de referência caiu para a faixa dos US$ 50 na semana passada pela primeira vez desde 2005 - e tem estado nessa faixa desde então. A notícia, ontem, de que as reservas de emergência dos Estados Unidos estão maiores do que o previsto abortou um ensaio de recuperação dos preços.

 

Se a cotação não melhorar bastante nas próximas semanas, especialistas do setor prevêem que um dos primeiros passos das petrolíferas será passar a faca em generosos programas de recompra de ações, que ajudaram a protegê-las do brutal declínio das bolsas nos últimos meses.

 

Outros cortes podem se fazer necessários. Prever a cotação do petróleo num mercado tão volátil é um passatempo perigoso, mas analistas do setor têm diminuído as previsões de preço e alguns deles acreditam que o petróleo não vai se recuperar tão cedo. O banco de investimentos em combustíveis Tristone Capital, de Calgary, Canadá, previu anteontem que a cotação permanecerá na média de US$ 50 no ano que vem.

 

A esse preço, gigantes como Exxon Mobil Corp., Chevron Corp. e ConocoPhillips precisarão contrair novas dívidas, gastar seu considerável caixa ou cortar custos para poder financiar o orçamento para despesas de capital e manter os dividendos, segundo uma estimativa de fluxo de caixa feita por analistas do Barclays Capital, a divisão de banco de investimentos do banco britânico Barclays PLC.

 

Diante do excessivo declínio do petróleo e da crise mundial de crédito, "não há dúvida de que ocorrerá uma desaceleração notável na indústria petrolífera mundial", afirmou em nota para investidores a firma de investimentos TPH Energy, sediada em Houston. "Medo + fluxo de caixa menor = recuo."

 

Mesmo com o petróleo a US$ 70, a Chevron e algumas empresas de médio porte como Marathon Oil Corp. e Suncor Energy Inc. vão precisar tomar decisões estratégicas sobre o que cortar e o que financiar. Numa nota de análise recente, a administradora de fortunas Sanford C. Bernstein afirmou que se o petróleo ficar em US$ 70 em 2009, "é óbvio" que empresas como BP PLC, ENI SpA, Royal Dutch Shell PLC e ConocoPhillips "podem ter dificuldade para manter os níveis de recompra e de dividendos", enquanto que Exxon e StatoilHydro ASA podem enfrentar problemas parecidos em 2010.

 

Para administrar o caixa, algumas petrolíferas de médio porte começaram a enxugar os planos para despesas de capital. Até agora, as multinacionais estão mantendo os planos, embora tenham decidido adiar certos projetos, na esperança de que os custos de engenharia e construção - que foram às alturas nos últimos anos - cairão juntamente com o enfraquecimento da expansão do setor.

 

As petrolíferas já estão acossadas pelo declínio nas bolsas e as preocupações com a fraca cotação do petróleo. As ações da Exxon e da Chevron, as duas maiores petrolíferas americanas, estão em queda este ano. E, este mês, o J.P Morgan cortou em 17% a previsão de lucro da Exxon para o ano que vem, e em 26% a da Chevron.

 

Para resistir à crise sem cortar o financiamento para projetos que permitam crescimento no futuro, as empresas provavelmente vão gastar suas reservas enormes e aumentar o endividamento, disse Jason Gammel, analista do setor de energia da Mcquarie Securities. Ele ressalta que a Exxon pode financiar suas despesas de capital durante um ano e meio com os US$ 37 bilhões que possuía em caixa no fim de setembro.

 

E, embora a crise de crédito tenha travado os mercados de empréstimo para a maioria dos setores, o sólido balanço obtido nos últimos anos com a alta do petróleo deveria gerar "bastante apetite no mercado por dívidas de petrolíferas se as coisas realmente piorarem", disse ele.

 

É claro que se o petróleo subir novamente, como continuam prevendo alguns analistas, as petrolíferas conseguirão atravessar a atual crise sem se preocupar muito. A previsão do Barclays é que um crescimento da demanda continue a pressionar a cotação de volta aos US$ 100. Outros, como a Tristone Capital e o Deutsche Bank, estão mais pessimistas.

 

Se as previsões pessimistas estiverem corretas, as petrolífera serão forçadas a agir. Existem várias potenciais barreiras à recuperação do petróleo: uma recessão mundial profunda; a incapacidade do cartel de exportadores Opep de cooperar para cortar a produção; e as tendências políticas nos EUA para promover investimentos em energia renovável, algo que tende a puxar para baixo o petróleo no longo prazo.

 

Mesmo assim, o suprimento continua restrito e, se a demanda reaquecer, os preços podem se recuperar rapidamente. Se ocorrer uma movimentação ampla no setor para adiar novos projetos nos próximos meses, aumentarão as preocupações com o impacto no futuro suprimento. "No fim das contas, isso cria o potencial para uma alta severa quando atravessarmos o atual ciclo econômico", disse Gammel, da Macquarie.

 

A queda profunda na cotação do petróleo e gás natural já vem tendo um efeito dramático nas empresas menores e com situação financeira pior do que as titãs multinacionais. Essas empresas menores, principalmente produtoras focadas em gás natural ou projetos de alto custo como as areias betuminosas do Canadá, já cortaram as despesas de capital para garantir que não gastarão mais do que a receita dessas operações. Só esse fato já é uma mudança em relação aos últimos anos, quando muitas dessas empresas gastaram à vontade e usaram os mercados de crédito e de ações para obter mais recursos.



Fonte: Valor Econômico
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