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Mercado

Petroleiras devem subir salários no próximo ano

25/11/2011 | 15h03
As expectativas de evolução salarial para 2012 na indústria de óleo e gás estão em alta por conta do cenário econômico favorável, da demanda aquecida e da baixa oferta de profissionais qualificados. É o que aponta uma pesquisa realizada pela consultoria Towers Watson com 75 empresas, das quais 14%, brasileiras. Juntas, elas faturam US$ 82 bilhões anuais e empregam 107 mil pessoas. Em 2010, essas empresas contrataram mais de 13 mil pessoas, de executivos a profissionais de nível técnico e operacional. O grande destaque é para a carreira de engenheiro, cujo salário-base é equivalente à remuneração total - com benefícios - em outros setores da economia, como o automobilístico.

"Se os números de 2010 se mantiverem - o que é provável, pois o cenário atual é semelhante -, o mercado de óleo e gás vai continuar em evidência nos próximos anos", diz o consultor-sênior da Towers Watson na área de remuneração, Gilberto Cupola. Este ano, o reajuste no setor foi de 15,6%, contra 12,1% da média do mercado. O turnover foi de 23%, maior que os 20% em outras áreas. "Pode não parecer, mas é uma diferença bastante significativa", afirma. "Pela falta de mão de obra disponível, as empresas têm que oferecer salários mais altos e buscam profissionais nas concorrentes". As companhias pesquisadas preveem um aumento de 10% na folha de pagamento em 2012.

Para profissionais de nível técnico, houve ganho na remuneração em relação ao custo de vida: 7,33% contra 6,44% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre junho de 2010 e maio de 2011. Para os diretores, a evolução empatou com o INPC (6,4%) e ficou um pouco abaixo para gerente (5,9%) e coordenador (6,2%). A expectativa de crescimento na massa salarial para executivos é de 7,7%, inferior aos 9,5% apontados em 2010 e à do mercado geral (8,6%).

Cupola explica que há diferenças na indústria de óleo e gás. Em geral, o reajuste dos executivos fica um pouco atrás do praticado em outros setores da economia, pois a tendência das empresas é aplicar acordos coletivos de forma linear, parecida ou igual à dos engenheiros e analistas. Já as concessionárias de campos de exploração costumam estar mais alinhadas com as políticas salariais de outros segmentos e dão incentivos maiores.

Observou-se o impacto da valorização do real frente ao dólar sobre a remuneração dos executivos de óleo e gás, em comparação com os Estados Unidos. Em ambos os mercados, ela acompanhou os índices de inflação. No entanto, os salários praticados no Brasil estão mais "caros": entre 2006 e 2011, cresceram 81% em dólar. Cada vez mais os gestores de remuneração das subsidiárias de empresas estrangeiras têm discutido o assunto com executivos globais. O coordenador da pesquisa adverte que uma nova crise global poderia trazer impactos semelhantes aos da deflagrada em 2008. Entre as consequências possíveis estariam revisões para baixo nos reajustes salariais, redução - ou mesmo o não pagamento - de bônus e diminuição nos incentivos de longo prazo. "Os gestores de RH terão o desafio de 'calibrar' adequadamente as ações salariais em um cenário de incertezas", constata.

Ressalvadas as dúvidas sobre os rumos da economia mundial, a expectativa geral no setor é de que 2012 traga boas novidades. A 11ª rodada de licitações de campos de petróleo, a ser realizada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), deve trazer mais investimentos ao país e novas contratações. Desde 2008 o governo não oferta novas áreas de exploração. Por isso, investidores que querem atuar no Brasil estão se associando a empresas que já têm concessões. É o caso da subsidiária da petroleira russo-britânica TNK-BP, a TNK-Brasil, que comprou 45% dos direitos de concessão da brasileira HRT Participações em Petróleo sobre 21 blocos na Bacia do Solimões, em negócio divulgado no dia 31 de outubro.

Criada em 2009 a partir de um centro de pesquisas, a HRT é hoje uma das maiores empresas independentes de exploração de óleo e gás do Brasil, com 500 contratados e 4 mil terceirizados. "Em 2012 devemos aumentar entre 50% e 60% o nosso quadro de efetivos", diz o coordenador de recursos humanos, Fabio Barcelos. Engenheiros, geofísicos e geólogos são os perfis mais demandados. Os novos contratados vão reforçar as operações na Amazônia e em 12 poços exploratórios na Namíbia. Barcelos observa que os desafios são um forte atrativo aos profissionais. A busca de novas experiências foi o motivo que fez o administrador Ricardo Bottas, 36 anos, assumir o posto de gerente executivo-financeiro da HRT, depois de 11 anos trabalhando no setor elétrico. Contratado há três meses, ele está confiante: "A empresa é jovem e está em desenvolvimento, o que abre muitas oportunidades."

A Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP) - desmembrada no fim do ano passado da Queiroz Galvão Óleo e Gás (QGOG) - tem 60 contratados diretos e deve abrir mais 26 vagas em 2012. Dessas, pelo menos seis serão para engenheiros destinados a posições de gestão. "Procuramos a 'mosca branca', o profissional que tem conhecimento profundo do mercado e sabe o caminho das pedras", afirma a gerente de RH Simone Mello. Ela acrescenta que a empresa considera muito importante a qualificação de todo o corpo de colaboradores, não apenas os gestores: "Estamos enviando vários funcionários para fazer cursos em Houston, nos Estados Unidos".

O diretor da divisão de óleo e gás da Siemens no Brasil, Welter Benício, está há um ano e dois meses no cargo. Seu currículo de 25 anos no setor foi fundamental para a contratação, mas ele ressalta que também há oportunidades para quem atua em outros segmentos. "É preciso vontade, coragem e perseverança, pois a janela está aberta e quem entrar agora vai ficar muito bem posicionado daqui a cinco anos". Sua dica aos candidatos é que busquem oportunidades na área, mesmo que não seja em posições equivalentes às que exercem no momento, para conhecer as peculiaridades e a cultura dessa indústria.

"O cenário é de desafio, pois há necessidade de especialistas tanto para elaboração de orçamentos criteriosos e competitivos, como para gerenciamento de projetos e engenharia de soluções para 'offshore", diz a vice-presidente de RH da Schneider Electric Brasil, Rosana Martins. Ela informa que em 2010 a empresa fez uma aquisição estratégica, a parte de negócios de distribuição da Areva T&D, ganhando assim profissionais qualificados e conhecedores do mercado. Para a executiva, o profissional que deseja atuar nessa indústria, além de possuir conhecimento técnico, deve ser flexível, aberto, investir em idiomas e ter capacidade de aprendizagem e gestão, tanto de pessoas quanto de projetos.

Como pano de fundo do cenário favorável está o Plano de Negócios da Petrobras 2011-2015, que prevê investimentos de US$ 224,7 bilhões - em torno de US$ 200 milhões por dia útil - em 688 projetos. Até 2020, a empresa precisará de 568 barcos de apoio. Existem hoje em construção 14 plataformas de exploração de petróleo em estaleiros do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pernambuco. O segmento de exploração e produção será o principal responsável pela elevação do efetivo da empresa, que passará de 86 mil para 103 mil profissionais até 2015.

Entre os grandes desafios estão o fomento à formação de mão de obra, a remuneração competitiva e a retenção de talentos. Atualmente, 51% dos contratados têm menos de dez anos de casa e 46%, mais de 20 anos. "Nosso caso é peculiar, pois não fazemos admissão de gerentes. A formação ocorre internamente, depois que ingressam por meio de processo seletivo público", diz a diretora de recursos humanos da Petrobras, Mariângela Mundim. Todos os executivos, incluindo os seis diretores, são funcionários de carreira. "A empresa identifica os potenciais gerentes, que passam a ter treinamento diferenciado", explica.

"Boa parte dos investimentos do mundo estão sendo direcionados para o Brasil em diversos segmentos. No caso da indústria de óleo e gás, o principal fator de atração é o pré-sal e sua tecnologia pioneira", avalia Ricardo Guedes, diretor-executivo no Rio de Janeiro da consultoria Michael Page. Ele conta que muitos executivos estrangeiros do ramo, que estariam deixando o Brasil para atuar em outras operações, procuram a consultoria para perguntar por novas oportunidades no país.

O headhunter Dárcio Crespi, sócio da empresa de consultoria Heidrick & Struggles, informa que a grande demanda do momento é por funções operacionais, em plataformas ou em serviços correlatos. "Os executivos de óleo e gás em geral são nômades. Eles se instalam onde há oportunidades", diz. "Em mercados emergentes, há pouca gente do próprio país. A primeira onda é de estrangeiros, mas claro que isso vai mudar". Para ele, a carência de bons quadros executivos de óleo e gás no Brasil deve durar pelo menos uma década. "Um gestor precisa ter ao menos 10 a 15 anos de experiência".

Engenharia é uma profissão em alta no ramo. Um engenheiro júnior tem salário inicial entre R$ 8 mil e R$ 9 mil. "Temos ex-alunos ganhando R$ 20 mil com três a quatro anos de formados", diz o professor Victor Hugo Santos, coordenador do curso de Engenharia de Exploração e Produção de Petróleo da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), em Macaé (RJ). O curso foi o primeiro criado no país, em 1993. Todos os anos, são graduados em torno de 15 novos profissionais e quase todos saem com emprego garantido.


Fonte: Valor Econômico
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