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Entrevista

Petrobras vê Bolívia estável e vai investir mais no país

24/03/2006 | 00h00

Meta é dobrar produção de gás, diz diretor da área internacional

Sem mostrar preocupação com o noticiário, a Petrobras aguarda apenas sinal verde do governo da Bolívia para retomar os investimentos no país. É o que diz o diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró. Segundo ele, a estatal quer investir para "mais que dobrar" a produção boliviana de gás, atualmente de 40 milhões de metros cúbicos. Essa é a opção vista pela estatal para suprir a demanda de projetos na fronteira dos dois países e ainda para atender ao crescimento dos mercados não só do Brasil, como também de Argentina, Uruguai e Chile.

Em entrevista concedida no dia em que se falava de reestatização das reservas de gás na Bolívia, Cerveró disse que a Petrobras "não tem com que se preocupar". Segundo ele, a retomada só depende de que seja sacramentado, pelo ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, e pelo presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, acordo prévio assinado antes do carnaval com Petrobras pelo ministro de Hidrocarbonetos boliviano, Andrés Soliz Rada, pelo presidente da Yacimientos Petroliferos Fiscales Bolivianos (YPFB), Jorge Alvarado.

Nesse acordo, Petrobras, YPFB e autoridades bolivianas acertaram as bases de um documento que prevê a possibilidade de associação em refino, exploração, produção e distribuição de petróleo e gás, e a instalação de um complexo industrial na fronteira, com a construção de um pólo gás-químico, uma planta de fertilizantes e uma termoelétrica, entre outros.

"Assinando isso, vamos começar a trabalhar em cima [da venda de uma fatia] da refinaria e nas associações de produção para liberar o desenvolvimento de novos negócios e novos contratos que, por enquanto, estão paralisados.

Só aguardamos uma posição deles", frisou o diretor, explicando que o investimento na produção de gás não ficará só a cargo da Petrobras, mas também de outros petroleiras como a Repsol, a BG e a Total.

Cerveró diz que o investimento será feito dentro do novo marco legal boliviano, o que permite a volta da YPFB ao refino, hoje controlado pela estatal brasileira. Ele informa ainda que ainda não há definição de preço ou do tamanho da participação que a YPFB quer adquirir nas refinarias da Petrobras.

O diretor critica o que chama de visão pessimista do noticiário sobre o vizinho. "Falar sobre instabilidade política na Bolívia é uma questão de foco. Se você olhar da Europa, o Brasil também é um país instável politicamente, assim como outros vizinhos. A Bolívia está hoje com uma situação de estabilidade política. Pode não estar definida a questão econômica, mas hoje é um país estável politicamente e com um presidente eleito que tem maioria no Congresso."

Ele não quis comentar a prisão de executivos da Repsol no país.

Um sinal de confiança é que a Petrobras participa do processo de consulta de sua controlada, a Transportadora Brasileiro Gasoduto Bolívia Brasil (TBG), para expansão do Gasoduto Bolívia Brasil (Gasbol). Cerveró não informou os volumes que serão pedidos, mas disse que será superior aos 4 milhões de metros cúbicos previstos no plano estratégico de 2005, que está sendo revisto. Com base no interesse dos agentes, a TBG vai definir o tamanho da expansão.

Cerveró disse que os planos de ampliar a oferta da Bolívia e os estudos para construção do gasoduto trazendo gás da Venezuela, elaborado pelo seu colega Ildo Sauer, da diretoria de Gás e Energia, não são excludentes. "O projeto da Venezuela tem uma dimensão muito grande. É um projeto de médio e longo prazo que visa atender consumos futuros de grande porte para toda a região. Não há um conflito com o aumento da produção da Bolívia. E, é até bom esclarecer, ele não é uma alternativa à Bolívia e nem à produção de gás nacional."

Apesar do tom otimista, o executivo admite que ainda faltam definições sobre questões que levaram à paralisação dos investimentos em 2005. Entre elas, o novo imposto sobre produção de gás e a alteração dos contratos, que terão que migrar e se adequar à nova regulamentação do setor, ainda não definida. Mas diz que os bolivianos não propuseram subir o preço dos 30 milhões de metros cúbicos/dia vendidos ao Brasil, como chegou a ser noticiado.

"O preço do gás boliviano está alto hoje em decorrência do preço do petróleo no mercado internacional. Só isso", afirma. "O fato de nós, produtores, estarmos pagando mais royalties e mais impostos pela produção de gás não é transferido para o Brasil. O gás está em torno de US$ 3,50 porque o petróleo está mais caro, e o contrato é acoplado a uma cesta de óleos."

Ele não descarta a possibilidade de definição de novos preços para o gás que ainda precisa de investimento para ser produzido.



Fonte: Valor Econômico
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