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Mercado

Petrobras vai iniciar competição em PET com a italiana M&G

16/09/2011 | 10h13
A Companhia Petroquímica de Pernambuco, conhecida como Petroquímica Suape, vai dar início às suas operações no fim deste ano, em um investimento total de cerca de US$ 2,5 bilhões. A primeira das três unidades do complexo industrial, a fábrica de PTA (ácido tereftálico purificado), matéria-prima para PET, começará a funcionar entre o fim deste ano e início de 2012, afirmou ao Valor Paulo Roberto da Costa, diretor de abastecimento da Petrobras. As outras duas fábricas - de resinas para embalagem PET e fios têxteis - estão previstas para o início do segundo semestre do ano que vem.

O tão esperado complexo de Suape da Petrobras marca o início da produção nacional de PTA, principal matéria-prima para PET. A italiana Mossi & Ghisolfi (MG), instalada em Suape e única fabricante de PET no Brasil, ganha agora um concorrente de peso e está sob risco de perder o benefício de importar o PTA com tarifa zero. "Vamos ter uma produção verticalizada [de PTA e PET em Suape]", afirmou Costa.

"Quando a MG decidiu produzir PET no Brasil, o projeto original contemplava também a produção de PTA no país. Mas, na prática, a companhia passou a importar a matéria-prima de sua unidade do México com tarifa zero e não se fala mais na fábrica de PTA", afirmou uma fonte ao Valor.


Projeto petroquímico da Petrobras em Suape terá investimentos da ordem de US$ 2,5 bi para suas três fábricas

Com o início da produção nacional dessa matéria-prima, o governo federal deverá rever, quando a Petroquímica Suape entrar em operação, a isenção tarifária. "Como o Brasil passará a produzir, não faz sentido ter PTA subsidiado", afirmou Costa.

O PTA é utilizado para a fabricação de resinas PET - destinadas para a produção de garrafas ou para fio de poliéster (para o setor têxtil). Atualmente, essa matéria-prima é importada com isenção da alíquota do imposto de importação, por questão de desabastecimento. A tarifa é de 12% para o produto. Esse benefício vale até 31 de dezembro de 2011, podendo ser renovado ou não, e contempla uma cota de 135 mil toneladas por ano. No entanto, as importações são bem maiores do que o estipulado pela cota. Em 2010, a M&G importou 502 mil toneladas.

No passado, o Brasil chegou a ser pequeno produtor de PTA. A Rhodia tinha uma unidade de PET em Poços de Caldas (MG), que foi adquirida (e desativada) pela M&G em 2002. Essa unidade, quando estava nas mãos da Rhodia, era abastecida de PTA produzido pela Rhodiaco (Rhodia e Amoco) em Paulínia (SP), cuja capacidade era de 250 mil toneladas ao ano. Neste primeiro semestre, as vendas de resina PET da M&G caíram 25,8%, para 173,5 mil toneladas. A unidade produtora da companhia ficou paralisada quase uma quinzena no mês de abril, segundo dados obtidos no balanço de resultados da companhia.

Para tocar o projeto de PET em Pernambuco, a M&G recebeu benefícios do Programa de Desenvolvimento do Estado (Prodepe). Os incentivos ao grupo passaram a valer a partir de janeiro de 2005, com prazo de 12 anos. Em 2017, o benefício poderá ser prorrogado por mais 12 anos, de acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado. Nos quatro primeiros anos, a M&G desfrutou de 80% de crédito presumido do ICMS. Atualmente, conta com incentivos de diferimento para compra de matéria-prima dentro de Pernambuco e quando realiza vendas fora do Estado, obtém um desconto de 5% de crédito presumido. Além disso, há uma redução de 30% no cálculo do imposto devido.

Frederico Amâncio, vice-presidente do Complexo Portuário de Suape, afirmou que a companhia italiana tinha sinalizado que poderia construir uma unidade de PTA no Estado. "Os incentivos federais [isenção de tarifas] seriam extintos com a produção local da matéria-prima, mas os estaduais continuam valendo", disse. Segundo ele, a região de Suape está ganhando importância com a entrada de mais um produtor de PTA e PET. "A região é privilegiada, com toda a infraestrutura do local."

A unidade da Petrobras de PTA terá capacidade de produção de cerca de 700 mil toneladas por ano. E quando estiver em operação, a fábrica de resina PET terá capacidade anual de 450 mil toneladas. A Petrobras destinará cerca de 390 mil toneladas de PTA para a produção de PET e outras 200 mil toneladas para poliéster. A produção restante poderá ser negociada para a M&G, segundo apurou o Valor. Procurada, a companhia italiana não retornou aos pedidos de entrevista.

Segundo Costa, a Petrobras poderá exportar uma parte de sua produção de PET, uma vez que a demanda nacional ainda não deverá absorver a oferta de duas fábricas no país.

A participação da petroquímica Braskem no projeto de PET no complexo de Suape também deverá ser definida nos próximos meses. "Ainda está em estudo", afirmou o executivo. A expectativa é de que a entrada da Braskem seja decidida quando a unidade de PET da Petrobras entrar em operação, mas antes deverá ser submetida à aprovação do conselho da empresa, afirmou a companhia ao Valor.

A unidade de polímeros e filamentos de poliéster do complexo da Petroquímica de Suape está sendo aguardada com grande expectativa, por dar um ânimo ao polo têxtil do Nordeste. "O projeto trará uma revitalização desse setor", afirmou Otávio Carvalho, da consultoria Maxiquim. O mercado de poliéster concorre diretamente com os fios de algodão.

Essa fábrica terá capacidade de produção de 240 mil toneladas anuais. Segundo Costa, da Petrobras, duas das 64 máquinas desse polo já estão em pré-operação. "Outras cinco ou seis máquinas entram em operação nos próximos meses. A expectativa é que esteja tudo em funcionamento em até um ano", disse.

Essa área de poliéster está dividida em filamentos poy (Partially Oriented Yarn), com 86 mil toneladas ao ano. Esse é um produto intermediário que necessita de beneficiamento para ser utilizado em tecelagens e malharias. A produção de filamento texturizado - DTY (Draw Textured Yarn) será de 85 mil toneladas por ano. Esse filamento é produzido a partir do poy, que passa por um processo de estiragem e frisagem para dar volume e maciez ao fio. O produto é usado para fabricação de tecidos e malhas, entre outras aplicações. Já o filamento liso - FDY (Full Draw Yarn), de 14 mil toneladas/ano -, é usado para algumas aplicações específicas no segmento têxtil, como cortinas e bancos de automóveis. Além de polímeros, com 55 mil toneladas/ano, com aplicação na indústria têxtil, matéria-prima para a produção de poy e FDY.

Esses investimentos são considerados prioritários pela Petrobras, uma vez que trará ganhos de competitividade para a indústria têxtil. A localização em Suape traz vantagens para exportação e no escoamento da produção para outros Estados.


Fonte: Valor Econômico
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