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Bolsa de Valores

Petrobras segura o mercado brasileiro

04/12/2008 | 03h19

Em mais um dia de números bastante negativos sobre a economia internacional, a bolsa brasileira surpreendentemente conseguiu se segurar no campo positivo, mesmo que aos trancos e barrancos. O Índice Bovespa oscilou muito durante todo o dia, mas em nenhum momento engatou uma queda acentuada. O indicador acabou fechando em alta de 0,85%, aos 35.296 pontos. O nome do grande responsável por essa resistência do mercado local chama-se Petrobras.

 


As preferenciais (PN, sem direito a voto) da estatal subiram 5,51% e as ações ordinárias (ON, com voto), 5,54%. Como são os dois papéis mais importantes dentro do Ibovespa, com cerca de 15% de participação dentro do indicador, não há dúvidas de que foram eles que definiram a alta de ontem. Bom, ok, até aí acho que todos concordam. Mas o que fez as ações da companhia subirem dessa forma? É exatamente isso que intrigou a maioria dos profissionais de mercado. Nenhum deles encontrou um fato que saltasse aos olhos e que pudesse se encaixar como uma boa explicação.

 

Muito pelo contrário. Em condições normais de temperatura e pressão, as declarações de ontem da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sinalizando que existe a possibilidade de redução nos preços dos combustíveis como reflexo da queda acentuada do petróleo deveriam causar desvalorizações dos papéis da companhia. Dizer o que, então, desse movimento surpreendente de ontem? A primeira coisa que sempre se cogita nesses casos é que alguém suficientemente grande para definir o rumo dos negócios de uma ação importante como as da Petrobras pode saber de algo também razoavelmente relevante e que ainda não seja de domínio público.

 

Teorias da conspiração à parte, os analistas foram buscar explicações que justificassem a alta. A mais óbvia delas é a notícia de que a companhia está preparando uma captação de US$ 1 bilhão no mercado internacional. Por si só, o fato já é bastante positivo pois sinaliza como grandes empresas brasileiras estão conseguindo crédito externo, à despeito de toda a crise financeira internacional. Neste momento em que se criou uma polêmica sobre o empréstimo da estatal junto a Caixa Econômica Federal (CEF), também uma instituição pública, essa captação externa também pode ser uma sinalização de que a empresa tem credibilidade e fundamentos suficientes para obter um caminhão de recursos seja com quem for, com ou sem crise.

 

Uma discussão um pouco mais aprofundada sobre a chance de queda no preço dos combustíveis também pode ser um estímulo para a alta das ações, acreditam alguns analistas. Contraditório? Eu explico. Assim como o governo esperou o preço do petróleo ficar menos volátil para repassar a alta da commodity para os combustíveis neste ano, ele deve proceder exatamente da mesma forma neste momento de baixa contínua do petróleo. “O mercado ainda não trabalha com um cenário de redução de preços dos combustíveis dado que o petróleo ainda não demonstrou que irá se estabilizar nos níveis atuais”, diz o gerente de renda variável da Modal Asset Management, Eduardo Roche.

 

O resultado é que, enquanto isso não acontece, a Petrobras continua cobrando o mesmo valor por um petróleo que ela está pagando cada vez mais barato, explica Roche. “Esse modelo de defasagem no repasse para os combustíveis vale para o bem e para o mal, sendo que neste momento é para o bem, da Petrobras”, completa o gerente da Modal.

 

Novos números negativos

Os investidores esperaram ontem ansiosamente pelo indicador americano que mostra como anda o mercado de trabalho e o resultado não foi nada bom. O segmento registrou uma perda de 250 mil postos de trabalho o mês passado nos Estados Unidos enquanto as expectativas eram de que houvesse uma redução em torno de 200 mil postos. Além de vir muito acima do que se esperava, esse número é a maior queda mensal desde novembro de 2001, dois meses depois do ataque terrorista às torres gêmeas, no coração de Nova York. O número de perdas de postos de trabalho no mês de outubro foi revisto de 157 mil postos para 179 mil.



Fonte: Valor Econômico
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