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Comércio exterior

Petrobras reverte déficit na balança de petróleo

02/08/2005 | 00h00

Até junho, empresa exportou US$ 540 milhões a mais que importações de óleo e derivados.

Apesar de os números ainda não aparecerem nas estatísticas oficiais de comércio exterior, a Petrobras começa a reverter de forma consistente seu déficit comercial de petróleo e derivados. Pela segunda vez (a primeira foi em 2003 em um momento de queda no consumo de combustíveis) a estatal contabiliza um superávit em um período longo de tempo.
No primeiro semestre de 2005, a empresa fechou sua sua balança de petróleo, derivados e álcool com saldo positivo de US$ 540,6 milhões (FOB), antes do pagamento dos impostos. O superávit é resultado da diferença entre os US$ 3,381 bilhões arrecadados com as exportações de petróleo, derivados e metanol (exportado para a Venezuela), e importações de US$ 2,835 bilhões feitas pela área de Abastecimento da Petrobras. Essa conta não considera as importações da Refap que desde 2001 - após venda de 30% para a Repsol-YPF - tem contabilidade a parte.
O superávit da estatal nestes primeiros seis meses também ocorreu em volume e somou 153 mil/barris/dia de petróleo e derivados. Os valores registrados pela Petrobras não são ainda oficiais e se referem ao controle físico de despesas e receitas da área de Abastecimento, responsável pela comercialização de petróleo e derivados.
Olhando apenas para a exportação e importação de petróleo e derivados, mais metanol (produtos sob o teto da diretoria de Abastecimento) a empresa já havia alcançado um expressivo superávit em 2003. Naquele ano, a empresa exportou US$ 4,2 bilhões em petróleo e derivados e importou US$ 2,9 bilhões. O superávit foi de US$ 1,39 bilhão. Entre os motivos deste saldo positivo de 2003 estão o baixo desempenho da economia brasileira - o PIB cresceu apenas de 0,5% - e a queda do consumo de derivados. O sinal mudou este ano, quando os números apontam um crescimento mais consistente.
O superávit de 2005 tem diferenças, portanto, com o de 2003 porque veio junto com o crescimento da economia, ainda que em uma situação de baixo consumo de combustíveis. O saldo de janeiro a junho reflete, ao mesmo tempo, aumento das exportações e recuo nas importações.
O ex-presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, ressaltou, no seu discurso de despedida, que durante sete dias de junho a Petrobras produziu no Brasil mais petróleo do que o país consumiu. Segundo ele, nesses dias a Petrobras esteve "no limiar da auto-suficiência". Ela produziu mais de 1,8 milhão de barris por dia, batendo recorde de produção (1,83 milhão de barris/dia) no dia 23 de junho. Essa produção é maior que o consumo aparente de combustíveis no Brasil, que foi de 1,719 milhão de barris/dia de derivados em 2004.
O crescimento das vendas externas da Petrobras acompanha o aumento da produção doméstica de petróleo. No primeiro trimestre, a estatal exportou US$ 469,9 milhões em óleo bruto, valor que saltou para US$ 1,256 bilhão no segundo trimestre (crescimento de 167% ), segundo dados fornecidos pela empresa. Em contrapartida, os gastos de US$ 1,148 bilhão com importações de óleo bruto no primeiro trimestre mostram tendência de queda, tendo sido reduzidos para US$ 765,6 milhões no segundo trimestre do ano.
O diretor da área de Abastecimento da companhia, Paulo Roberto Costa, lembra que houve aumento da produção de petróleo com a instalação das plataformas P-43 e P-48. Elas foram instaladas em janeiro e fevereiro, respectivamente. Cada uma tem capacidade de produzir 150 mil barris/dia. Com elas a estatal vem batendo sucessivos recordes de produção a partir de abril, após amargar queda de 3% na produção em 2004. Segundo Paulo Roberto Costa, a partir de agora a tendência é aumentar as exportações .
"Todo o aumento de produção de petróleo até novembro ou dezembro deste ano será exportado, pois não temos como processar todo esse petróleo pesado no Brasil", explicou o diretor.
Somente quando forem concluídas as obras de US$ 1,1 bilhão que estão sendo feitas na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) - o que está previsto para outubro ou novembro - é que haverá uma redução das exportações. Isso porque atualmente a Refap é uma refinaria concebida para processar óleo leve, que é importado. Com as obras, inauguradas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada, será possível, entre outras melhorias, aumentar a capacidade de refino em mais 60 mil barris/dia, elevando em 25 mil barris/dia a capacidade de processar petróleo pesado nacional.
Até lá, a Petrobras já garantiu mercado para o petróleo brasileiro e assinou um contrato de exportação com a chinesa Sinochem International Oil Company no valor de US$ 600 milhões. O contrato prevê o embarque de 12 milhões de barris de petróleo que serão exportados em seis etapas, cada carga podendo ocupar um superpetroleiro com capacidade de transportar até 2 milhões de barris de óleo. Segundo Costa, a primeira exportação para a Sinochem será em agosto.
A obra que está sendo feita na Refap (parecida com a realizada na Replan (SP) no ano passado) vai resultar em menos exportações de óleo crú, mas essa "perda" será compensada. Ao processar mais petróleo produzido no Brasil, a Petrobras reduz a produção de óleo combustível (derivado mais poluente e menos nobre), aumentando a produção de produtos mais leves e de maior valor, como o óleo diesel, gasolina e gás de cozinha (GLP). Como alguns desses atualmente são importados, a consequência natural é uma redução das importações de derivados.
O superávit deste semestre não considera as importações destinadas à Refap, contabilizadas em separados desde 2001. Se elas forem incorporadas à estatística, o saldo em dólares vira um déficit de US$ 331 milhões, mas em volume a estatal permanece com um superávit de 63 mil barris/dia.



Fonte: Valor Econômico
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