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América do Sul

Petrobras retomará este mês negociações com presidente da Bolívia

05/01/2006 | 00h00

A Petrobras vai retomar do zero, a partir da posse do novo presidente da Bolívia, Evo Morales, no próximo dia 22 de janeiro, as negociações que haviam sido iniciadas há dois anos e que foram interrompidas em razão das sucessivas crises políticas e institucionais ocorridas naquele país. A informação foi dada à Agência Brasil pelo diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró.

"Não houve oportunidade para desenvolver o projeto e, a partir de agora, volta-se a apresentar a proposta partindo do zero. Ou seja, vai começar de novo a negociação", explicou.

Cerveró esclareceu que as negociações feitas há dois anos previam a participação da estatal boliviana YPFB em empreendimentos da Petrobras, como as refinarias de Cochabamba e Santa Cruz de la Sierra, adquiridas pela empresa brasileira na década de 90, e o pólo gás-químico que a Petrobras pretende construir na Bolívia.

A assessoria da presidência da Petrobras confirmou que existe, de fato, disposição do presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, de encontrar-se com o novo chefe do Executivo da Bolívia após sua posse, para tratar também de outros assuntos relacionados ao setor de petróleo e gás.

A assessoria da Petrobras informou ainda que há possibilidade, inclusive, de que esse encontro ocorra antes da posse de Morales, durante sua visita ao Brasil para audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve ocorrer no próximo dia 13. A visita de Morales foi confirmada pelo Palácio do Planalto.

Entre os temas previstos destaca-se a nova Lei de idrocarbonetos, que aumentou de 18% para 50% a taxação sobre empresas estrangeiras que atuam naquele país nessa área. No ano passado, a Petrobras investiu na Bolívia, até o mês de novembro, aproximadamente US$ 41 milhões. Em 2003, os investimentos feitos pela estatal na Bolívia atingiram U$ 49 milhões e, em 2004, U$ 19 milhões.

A estatal começou a atuar na Bolívia no final de 1995, quando foi criada a subsidiária Petrobras Bolívia, cujas operações começaram em meados de 1996. Segundo a assessoria de imprensa da companhia, em menos de dez anos a Petrobras Bolívia tornou-se a maior empresa do país. Os investimentos totais nos projetos em que tem participação na Bolívia alcançaram cerca de US$ 1 bilhão no período 1996-2004.Com o controle de 14% das reservas de gás da Bolívia a Petrobras foi, no ano passado, a maior produtora de gás natural do país, com uma produção média equivalente a mais da metade do total.

Embora como candidato à presidência tenha afirmado em diversas oportunidades que nacionalizaria o gás natural, Morales foi mais moderado, em sua primeira entrevista como presidente eleito, ao explicar que a nacionalização dos hidrocarbonetos não significavam confisco ou expropriação.

Primeira reunião entre Gabrielli e Morales pode acontecer no próximo dia 13 durante a visita do presidente eleito a Brasília.



Fonte: Gazeta Mercantil
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