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Refino

Petrobras planeja a terceira refinaria

12/02/2007 | 00h00

Rio e Nordeste disputam a unidade, com custo estimado em US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões

As obras na Unidade Petroquímica Básica (UPB), em Itaboraí, e na refinaria do Nordeste, com a PDVSA, sequer começaram, e a Petrobras já bateu o martelo sobre uma terceira unidade de refino, orçada em US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões. Mais otimista que a Agência Internacional de Energia quanto ao crescimento da produção brasileira de óleo bruto em 1,2 milhão de barris até 2012, a diretoria da Petrobras evita comentários públicos, mas estaria convencida da necessidade de acelerar o novo investimento. Por trás da pressa, quebrando trinta anos de inércia em refino com um ritmo que soa frenético, está uma conta simples: exportar 500 mil barris de óleo pesado por ano, como consta no Plano Estratégico da Petrobras, obrigaria a um desconto de US$ 12 a US$ 15 por barril. Com a estatal deixando de ganhar US$ 1,2 bilhão a US$ 1,6 bilhão por ano.

A nova refinaria, focada no processamento do óleo pesado (20º API, medida de densidade e complexidade de cadeia de carbono do American Petroleum Institute) de Marlin , priorizaria a produção de gasolina e derivados leves, para colocação no mercado americano e, em menor escala, no europeu. O desembolso é pesado, ainda mais por coincidir ao menos em parte com duas outras obras semelhantes, só no Brasil, o que encarece o aluguel de equipamentos. Mesmo assim, prevalece na empresa a projeção de que a obra se pague em três a quatro anos, pelo aumento do valor agregado nas exportações.

Plano Estratégico. A disputa regional pela obra antecipou-se à inclusão da nova refinaria no Plano Estratégico da Petrobras, revisto anualmente. O porte do empreendimento justifica o apetite dos governos estaduais: presidente do Conselho de Energia da Firjan e ex-presidente da Petrobras, Armando Guedes Coelho lembra que "unidades assim são raras, mesmo em países continentais como a China e a Índia".

Antes de trocar a secretaria de Energia, Petróleo e Indústria Naval pela presidência da Cedae, Wagner Victer enviou carta ao ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, destacando pontos favoráveis à escolha do Norte fluminense, como a proximidade da Bacia de Campos, e a iminente instalação de um porto apto a receber navios de até 300 mil toneladas de porte bruto, na Barra do Açu, em São João da Barra. O Maranhão do senador José Sarney, padrinho da nomeação de Rondeau, e o Ceará ,dos irmãos Ciro e Cid Gomes,também atuaram nos bastidores.

O argumento número 1 dos nordestinos é a maior proximidade com os mercados-alvo da refinaria. Transportar petróleo é bem mais barato do que transportar derivados. O segundo argumento, tão forte quanto o primeiro para um presidente que registrou inédita maioria no Nordeste, é o do desenvolvimento regional. A escolha do Maranhão compensaria a frustração no estado com o fracasso do pólo siderúrgico, pensado para beneficiar o minério de Carajás e explorar o porto de Itaqui.

Refinarias voltadas para a exportação, contudo, costumam ficar mais próximas das regiões produtoras, de forma a otimizar a logística da matéria-prima. A ligação por duto entre os poços produtores e a refinaria seria significativamente mais barata do que o transporte por navio, o que poderia compensar o trajeto mais longo dos derivados. Engenheiro de carreira da Petrobras antes de tornar-se secretário de Estado, Wagner Victer lembra que as refinarias britânicas, na maioria, estão instaladas no Mar do Norte, principal região produtora da Europa.

A composição do parque mundial de refino, voltado prioritariamente para o óleo leve, de maior rendimento em derivados nobres como diesel e gasolina, seria outro fator a empurrar a Petrobras para a decisão de investir pesado, inclusive com a terceira unidade. Armando Guedes explica que a maior parte das refinarias está calibrada para um blend de 32° API. Como o óleo de Marlin e dos demais blocos recentes da Bacia de Campos registra de 20° a 23° API, o comprador, além de exigir desconto, teria de acomodar o gasto extra com um óleo ultraleve, superior a 40° API para compor o blend (mistura a ser refinada e transformada em derivados).

A disputa pela localização do investimento não se esgota no terreno técnico. No plano político, a luta opõe um aliado de primeira hora do presidente Lula no PMDB, José Sarney, a um recém-chegado de prestígio crescente e afinidade talvez maior, o governador Sérgio Cabral. A instalação da refinaria daria um horizonte mais longo a uma região dependente da exploração do petróleo, por definição finita. Além disso, portos como Itaqui e Barra do Açu, no Maranhão e no Rio, ganhariam escala definitiva com a movimentação dos navios petroleiros e tanqueiros. Dado que se somaria à força da mineração, seja da província de Carajás ou das jazidas de Minas Gerais, para a criação de um novo pólo regional de indústria.

O convite de Eike Batista a Rodolfo Landim, ex-presidente da BR e ex-diretor da Petrobras, para dirigir a MMX, empresa de mineração e logística, soa, portanto, como mais do que um reconhecimento de que talentos gerenciais não conhecem fronteiras de atividade. Sugere que o filho de Eliezer Batista, por intuição ou informação, posicionou o complexo de Barra do Açu para focos mais amplos que o minério de ferro.



Fonte: Jornal do Commercio
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