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Gás natural

Petrobras pede que outras empresas também invistam no mercado de gás

30/05/2006 | 00h00

O otimismo do diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer, contrastou com um rosário de restrições feito pela maioria dos demais palestrantes do seminário "O Mercado de Gás no Brasil - Perspectivas para os próximos 10 anos", promovido ontem pelo Valor, no Rio. "Dizer que há crise de gás no Brasil é um acinte à inteligência. Se há uma crise aqui é do espetáculo do crescimento do mercado de gás", disse Sauer, dizendo que o mercado de gás no país tem crescido 20% ao ano desde 1998 e o consumo deverá passar de 50 milhões de metros cúbicos por dia em 2005 para 99 milhões em 2010.

Para o diretor da Petrobras, "o que está faltando é investimento de risco" da parte dos demais agentes do mercado que não a estatal. Ele disse que não haverá mais modelos de viabilização de projetos como foi o do Gasoduto Bolívia-Brasil, no qual a Petrobras investiu 90% dos US$ 2 bilhões aplicados e ficou com 51% das ações, enquanto os demais sócios (um grupo de empresas internacionais) aplicaram US$ 180 milhões e ficaram com 49% do capital. "Esse tempo acabou."

Sauer afirmou também que não haverá interrupção no fornecimento dos 30 milhões de metros cúbicos diários de gás natural contratados à Bolívia e acrescentou que os bolivianos sabem que não há condições de aumentarem os preços do gás porque do lado brasileiro a Petrobras tem contratos independentes com as distribuidoras que não permitem o repasse. Disse ainda que as termelétrica que têm contratos com a Petrobras serão abastecidas e quando o fornecimento para elas passar de 20 milhões de metros cúbicos diários o atendimento será feito com gás natural liquefeito (GNL).

Sentado à mesma mesa que Sauer, o físico Luiz Pinguelli Rosa, que foi presidente da Eletrobras no atual governo, disse, momentos antes, que "o problema do gás natural é a termeletricidade" e que "Morales (o presidente boliviano Evo Morales) é o delta" que se soma a esse problema. Pinguelli acrescentou que a produção nacional é a mais segura, "mas leva tempo" para crescer. Segundo ele, o gasoduto Venezuela-Brasil-Argentina "é uma solução de integração continental e, como o produto boliviano, sujeito a crises políticas".

A representante da Gás de Alagoas (Algás), Angela Fernandes, também foi reticente. Após mostrar números espetaculares de crescimento do mercado de distribuição no país, ela disse que o crescimento tende a continuar, desde que o gás natural mantenha uma paridade de 70% em relação ao preço do óleo combustível.

O tom também foi de preocupação por parte de outros palestrantes que não estiveram na mesma mesa que Sauer. O economista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), criticou o fato de o crescimento do mercado ter ocorrido, basicamente, graças a um só fornecedor interno (a Bolívia) e perguntou como o consumo do gás crescerá até 2008, quando a Petrobras pretende ofertar cerca de 25 milhões de metros cúbicos de produção doméstica nova, se não haverá aumento da compra de gás boliviano.

Pires colocou em dúvida a capacidade da estatal para mobilizar esforços capazes de produzir 16,9 milhões de metros cúbicos de gás no Espírito Santo em 2008, se antes a meta era chegar a 10 milhões em 2010 (hoje a produção é de 1,3 milhão de metros cúbicos). O secretário de Desenvolvimento Econômico do Espírito Santo, Júlio Bueno, disse que é possível alcançar a nova meta da Petrobras, mas acrescentou que será necessário "um enorme esforço gerencial".

Bueno disse que o aumento só será viável se houver gasodutos disponíveis. Ele reclamou da demora para a construção do trecho Cacimbas-Vitória do Gasoduto do Nordeste (Gasene) e disse também que o preço do gás não pode ser o mesmo para os Estados produtores e para os que não produzem.

Bueno cobrou da Petrobras que ao menos parte do gás produzido no local tenha preço mais em conta, para facilitar a atração de investimentos.

Sauer disse que não é possível atender essa reivindicação, a mesma dos Estados do Mato Grosso do Sul, Amazônia, Rio Grande do Norte e Rio. "O Estado que quiser gás mais barato terá que inscrever suas distribuidoras no leilão da ANP, produzir e transportar", disse.



Fonte: Valor Econômico
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