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Comércio exterior

Petrobras garantiu 25% do aumento das exportações

07/04/2006 | 00h00

"Vilão" da balança comercial nas últimas décadas, o petróleo impulsionou as exportações no primeiro trimestre e se transformou em "herói" em tempos de real forte. O salto nas vendas externas de petróleo e derivados respondeu por 25% do aumento de US$ 5 bilhões nas exportações de janeiro a março deste ano em relação a igual período do ano passado.

Os embarques de petróleo bruto cresceram 151% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2005, para US$ 1,32 bilhão. A participação do produto na exportação do país dobrou e passou de 2,1% para 4,5% na mesma comparação. No primeiro trimestre de 2001, o óleo bruto respondeu por 1,2% dos embarques . Antes disso, sua fatia era irrelevante.

No primeiro trimestre desse ano, as exportações brasileiras aumentaram 20%, para US$ 29,4 bilhões, conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento. Sem o desempenho do complexo petróleo, esse crescimento teria sido mais modesto: 15%. A explosão dos preços do petróleo no mercado internacional contribuiu para o bom desempenho das exportações do produto. A cotação barril de petróleo Brent subiu 46,2% em 2005 e mais 14,5% em 2006.

Esta é , contudo, apenas metade da explicação. Dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) demonstram que a quantidade exportada de combustíveis aumentou 48,2% nos dois primeiros meses do ano, enquanto os preços subiram 47,7%.

A Petrobras vem aumentando consistentemente sua produção. Em 1987, produzia 865 mil barris de petróleo por dia. Deve atingir 1,8 milhão de barris/dia esse ano, estima o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) - uma alta de 10% em relação ao ano passado.

Primeira do ranking do comércio exterior, a Petrobras obteve receita de US$ 1,6 bilhão com exportações no primeiro bimestre. A empresa importou US$ 1,59 bilhão, obtendo modesto superávit de US$ 100 milhões. As exportações da Petrobras no bimestre corresponderam ao dobro dos US$ 793 milhões embarcados pela Vale do Rio Doce. A diferença entre as duas deve diminuir em março, devido à expansão dos embarques de minério de ferro.

Em 2005, a Petrobras exportou US$ 7,6 bilhões e importou US$ 8,2 bilhões - pequeno déficit de US$ 700 milhões. Nesse ano, a empresa já anunciou que prevê superávit de US$ 3 bilhões, atingindo a auto-suficiência. "A tendência é o petróleo ter um peso ainda mais representativo na balança nos próximos anos", diz o diretor do CBIE, Adriano Pires. Os economistas do Bradesco avaliam que a maior contribuição do petróleo para a balança comercial ainda virá.

O motivo do entusiasmo é a a plataforma P-50, que começa a operar em abril e deve atingir 180 mil barris/dia. A Petrobras também planeja três novas plataformas, que somadas teriam a mesma capacidade. Além disso, a estatal quer produzir mais diesel e nafta, o que reduziria as importações.

Os economistas ressaltam que os aumentos percentuais da exportação de petróleo no segundo semestre podem não ser tão expressivos por conta da maior base de comparação. Mas em 2007 os resultados voltarão a impressionar, por conta da produção das novas plataformas. Fábio Silveira, diretor da RC Consultores, explica que o aumento da produção de petróleo impede que a importação brasileira aumente muito, como ocorria nas décadas passadas, e começa a contribuir para a exportação. "O petróleo deixou de ser um problema para a economia".

O aumento das vendas de derivados de petróleo influencia até o comportamento dos manufaturados. As exportações brasileiras de gasolina e óleos combustíveis, que integram essa categoria, aumentaram 59% e 170%, respectivamente, no primeiro trimestre. Os dois produtos responderam por 19% do aumento de 16,5% das exportações de manufaturados. Sem os combustíveis, a alta fica em 13,3%.

A Petrobras anunciou que deve diminuir a exportação de gasolina por conta da redução de 25% para 20% no teor de álcool na gasolina comercializada no país. O efeito ainda não apareceu na balança. Em março ante fevereiro, a exportação de gasolina cresceu 53% em quantidade e 44% em preço, segundo a Secex. Procurada pelo Valor, a empresa não se manifestou.  



Fonte: Valor Econômico
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