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Mercado

Petrobras ganha brilho, mas de curto prazo

23/02/2011 | 10h01
Os mercados estão sofrendo com as tensões no Oriente Médio e no norte da África. No entanto, um setor em especial vem se beneficiando com os conflitos: as petrolíferas. As ações dessas companhias estão se valorizando, com a escalada nos preços do petróleo, já que alguns desses países em conflito são importantes produtores da commodity. Esse cenário pode ser o elemento que faltava para os papéis da Petrobras enfim se valorizarem e saírem do atoleiro em que se encontram desde 2010.


Essa valorização, no entanto, pode ser um respiro de curto prazo, se os conflitos ganharem proporções e acabarem atingindo a recuperação econômica mundial. "Se o aumento do petróleo for acentuado e consistente, pode prejudicar a economia global", diz o chefe de análise da Link Investimentos, Andres Kikuchi. Ele lembra, por exemplo, que o petróleo é um item extremamente importante dentro da economia americana.


Ontem, o petróleo do tipo WTI, negociado em Nova York, atingiu o nível mais alto em mais de dois anos. O barril atingiu os US$ 94,49, a maior cotação desde 3 de outubro de 2008, fechando o dia em US$ 93,57, com alta de 8,55%.


Já o barril do tipo Brent, negociado em Londres, chegou a bater na segunda-feira, quando o mercado americano estava fechado, US$ 104,60, também o maior nível em dois anos e meio, com alta de 3,14%. Ontem, subiu apenas 0,04 %, fechando aos US$ 105,78.


O impacto tem sido imediato sobre as ações das petrolíferas. As preferenciais (PN, sem voto) da Petrobras ontem subiram 1,35%, enquanto o Índice Bovespa caiu 1,22%, fechando aos 66.439 pontos. Os papéis da estatal movimentaram sozinhos R$ 1,018 bilhão. Já as ordinárias (ON, com voto) da OGX ontem caíram 0,37%, mas vêm numa trajetória de alta desde o início dos conflitos.


Para Pedro Galdi, da SLW Corretora, as petrolíferas ganham apenas num primeiro momento, quando os investidores relacionam a alta do petróleo com as companhias. "Em seguida, elas, assim como todo o mercado, perdem com o cenário global de aversão a risco, além dos reflexos negativos da alta do petróleo sobre a inflação mundial", explica ele.


Estatal sobe com alta do petróleo por causa dos conflitos


No caso do Brasil, como a inflação voltou a ser um problema, dificilmente haveria um repasse para o preço dos combustíveis, levando a Petrobras a absorver o aumento do petróleo, lembra Kikuchi.


Há quem veja na escalada da commodity um motivo para uma alta mais prolongada das ações da Petrobras. Para o gestor da Gap Asset Management, Ivan Guetta, a tendência da commodity deve ser mais relevante para a Petrobras do que os fatores específicos da companhia, como o processo de capitalização e o plano de investimentos, que tanto prejudicaram as ações em 2010.


Já no caso das demais petrolíferas - OGX, HRT e Queiroz Galvão -, que estão em fases diferentes da Petrobras, ainda devem depender de fatores específicos de cada empresa, acredita Guetta.


Fonte: Valor Econômico
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