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Sexta Rodada

Petrobras fica coma maioria dos blocos no leilão da ANP

18/08/2004 | 00h00

A Petrobras mais uma vez foi o grande destaque num leilão da Agência Nacional do Petróleo. No primeiro dia da 6º Rodada de Licitações, a empresa, sozinha ou em parceria, disputou 66 dos 412 blocos ofertados ontem e arrematou 60, dos quais 27 blocos ela arrematou sozinha. Foram vendidos 81 blocos.
Dos R$ 496,29 milhões arrecadados durante a licitação, a estatal e suas parceiras nacionais e estrangeiras, pagaram nada menos do que R$ 406 milhões, o equivalente a 81% da arrecadação total.
A estratégia da Petrobras ficou clara desde o início: o objetivo era arrematar áreas adjacentes aos campos onde ela fez descobertas recentes, em 2003. Essas descobertas foram feitas nos chamados blocos azuis, que ela teve que devolver em parte à ANP no ano passado.
O gerente-executivo da área de exploração e produção corporativa da Petrobras, Francisco Nepomuceno Filho, não negou que fosse essa a estratégia. "Nosso objetivo foi arrematar uma série de áreas onde fizemos descobertas recentes, em 2003. Como elas foram feitas muito rápido, só depois da fase de avaliação das descobertas e delimitação das reservas pudemos ter uma idéia melhor da direção dos campos, escolhendo então as áreas adjacentes", explicou Nepomuceno.
Segundo ele, entre as aquisições mais importante da Petrobras estão os dez blocos da bacia do Espírito Santo, em torno do antigo bloco BES-100, onde já foram descobertos quatro campos, um deles denominado "Golfinho", que tem petróleo levíssimo, com 40 graus API (sigla da American Petroleum Institute que define a viscosidade do óleo, sendo que, quanto mais alto for o API, mais leve o óleo, e portanto maior é seu valor comercial).
Nos campos adjacentes também foi descoberto petróleo, mas a estatal ainda está em fase de finalização da análise de extensão dos campos. Eles foram encontrados por meio da perfuração dos poços pioneiros ES-134, ES-138 e ES-132, sendo que este último, segundo Nepomuceno, terá declarada sua "comercialidade" até dezembro.
O executivo da Petrobras lamentou ter perdido a disputa do bloco CM-61, na Bacia de Campos, para o consórcio formado pelas empresas americanas Devon, Kerr McGee e a coreana SK. Mas ele explicou que não se tratava de uma área anteriormente da Petrobras, mas sim um bloco que compunha o antigo BC-10, em parte devolvido pela Shell. Apesar de ter oferecido um bônus maior pelo bloco (R$ 37,4 milhões), a Petrobras foi derrotada em um item caro ao governo: suas concorrentes comprometeram-se a utilizar um maior percentual de bens nacionais na fase de exploração e produção de petróleo.
Evitando criticar os concorrentes, Nepomuceno disse que a oferta da Petrobras levou em conta a indisponibilidade de sondas de perfuração no país.
Por sua vez, o presidente da Devon do Brasil, Murilo Marroquim, comemorou a vitória: "O bloco era parte do BC-60, onde já houve descobertas e tem as características necessárias para a geração e migração de petróleo. De forma alguma há garantias de que haverá óleo lá", disse. Atualmente, a Devon opera, no Brasil, os blocos BMC-8 e BMBAR-3. No primeiro bloco já foi encontrado indícios de óleo, mas ainda não há avaliações concluídas sobre a descoberta.
O bloco ES-M-525, localizado na bacia do Espírito Santo, foi o mais disputado entre as empresas participantes.
A Petrobras, em parceria com a Shell, deu o maior lance, de R$ 82,3 milhões, que representou um ágio de 1.947% sobre o preço mínimo estabelecido pela agência reguladora, R$ 4 milhões. O interesse é porque a estatal descobriu nesta bacia 2,1 bilhões de barris de óleo equivalente (petróleo e gás) sendo 1 bilhão de barris de óleo leve.
O leilão começou com uma hora de atraso devido a uma liminar concedida na noite de segunda-feira pelo ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal (STF), que alterava em sua totalidade os fundamentos da lei, principalmente no que diz respeito à propriedade do petróleo extraído no país. Para o diretor-geral da ANP, Sebastião do Rego Barros, o primeiro dia de licitação superou as expectativas. "O leilão iria acontecer com liminar ou sem liminar, mas estamos muito satisfeitos com o resultado", avaliou.
O vice-presidente de exploração e produção da Shell Brasil, John Haney, disse que começou a rodada sem saber o que iria acontecer, mas a disposição era de "ir em frente".
A Shell já investiu US$ 400 milhões no Brasil, onde tornou-se a primeira grande empresa a produzir petróleo. Atualmente, a companhia produz cerca de 60 mil barris por dia campos de Bijupirá e Salema, onde a Petrobras tem 20% de participação.
Segundo Haney, pior do que a existência da liminar é a forma como ela "vai acabar", em referência à decisão do presidente do STF, Nelson Jobim. Em seu voto sustando a liminar, ele afirmou que a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) apresentada pelo Paraná só pode ser julgada em reunião plenária do supremo, com todos os ministros, sendo que sua inconstitucionalidade só pode ser declarada se a decisão for por maioria.
A agência licitou 81 blocos, concedidos a 14 empresas, entre elas a Arby e a australiana PortSea Oil&Gas, que participaram pela primeira vez do leilão. As bacias de Barreirinhas e Foz do Amazonas, na Região Norte do país, e os blocos marítimos localizados em águas rasas, na bacia de Campos, não receberam ofertas. Hoje, a ANP vai licitar mais 15 blocos.



Fonte: Valor Econômico
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