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Álcool

País promoverá encontro para criar fórum de etanol

17/07/2006 | 00h00


O Brasil convocará países produtores e consumidores de etanol para uma reunião de alto nível, em setembro. O objetivo é transformar o produto em commodity energética com cotação internacional, a exemplo do petróleo. O governo pretende desenvolver um "Fórum de Etanol", mecanismo informal com participação de parceiros como EUA, Unidos, União Européia, China e Índia, afim de criar bases para um mercado global do produto.

O potencial do etanol estará hoje no centro da participação do presidente Lula na reunião ampliada do G-8, num contexto de preço recorde do petróleo, instabilidade política em países produtores e preocupações ambientais com o combustível fóssil. Mas Lula não falará da criação do fórum, porque nem todos os países em volta da mesa estão engajados nesse tipo de produção energética.

"O etanol é tratado como produto agrícola, mas o Brasil quer transformá-lo em commodity cotada internacionalmente", afirma o ministro Antonio Simões, diretor do Departamento de Energia do Itamaraty, criado no mês passado em plena crise do gás com a Bolívia. "Queremos fazer como as sete grandes companhias do petróleo fizeram no passado, para estabelecer padrão, infra-estrutura, garantia de suprimento."

A idéia do Itamaraty é que os governos devem ser o catalisador no caso do etanol, porque não há setor privado forte como havia no petróleo, onde as sete grandes chegaram a controlar 75% das reservas (fora a ex-União Soviética).

Brasil e EUA representam 70% do mercado global do produto. Para Simões, o país pode plantar milhões de novos hectares de cana e multiplicar por quatro a produção, sem causar danos ao meio ambiente. Mas o interesse é estimular a produção também em outros países. Como a gasolina, o etanol tem diferenças. A produção pode ser feita a partir da cana, milho, ou de produtos lácteos, como na Nova Zelândia. A definição de padrão ajudará a estabelecer o produto no mercado.

A energia é tema central das relações internacionais A grande questão não é a produção, mas o acesso. Não por acaso, na cúpula do G-8 o principal objetivo do governo da Rússia é convencer seus parceiros que a abundante reserva de óleo e gás do país é capaz de influenciar o preço mundial da energia e por isso deve ser considerado um igual dentro do grupo.



Fonte: Valor Econômico
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