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Mercado

OGX desponta em meio a imbróglio de Petrobras

23/08/2010 | 15h12
Enquanto Petrobras patina com a capitalização, OGX Petróleo vai ganhando espaço. O último impulso, segundo analistas, veio das especulações sobre o preço dos barris de petróleo que serão vendidos pela União à Petrobras no processo de cessão onerosa que integra a complexa operação de aumento de capital.
 

A possibilidade de o barril do pré-sal ser avaliado acima dos US$ 5 a US$ 6, faixa esperada pelo mercado, acabou puxando o preço da OGX na bolsa, diz o gerente da área de pesquisa da Planner Corretora, Ricardo Martins. "O preço do barril da cessão onerosa serve de referência para as reservas da OGX."
 

Se o barril a ser explorado em águas profundas pela Petrobras sair por um preço mais alto, de US$ 8 a US$ 9, por exemplo, o da OGX tem de valer mais, já que as reservas da companhia estão em água rasa, o que significa risco menor de exploração. Mas não é só isso, assim como a valorização dos papéis da OGX não é recente.
 

Em todos os períodos de tempo, as ações ordinárias (ON, com direito a voto) da empresa de petróleo do empresário Eike Batista aparecem entre as maiores altas. Na sexta-feira, os papéis subiram 1,74%, a R$ 20,45, ante queda de 0,31% do Ibovespa, para 66.677 pontos. Na semana, a alta chegou a 6,62% e, no mês, a 10,01%. Também no ano e em 12 meses, as ações são destaque, com ganho de 19,59% e 79,40%, respectivamente.
 

Já o índice, até sexta-feira, acumulava queda de 1,24% em agosto e de 2,79% no ano. Petrobras, sua principal concorrente, fechou a semana com perda de 3,18% nas preferenciais (PN, sem voto). No ano, o prejuízo é de 25,39% e, em 12 meses, de 16,24%.
 

Martins destaca que a novela da capitalização da Petrobras, que já dura quase um ano, vem beneficiando a OGX, empresa que já faz parte das recomendações de muitas corretoras. Esse é o caso da própria Planner, além da Link Investimentos e Safra, para citar alguns exemplos.
 

Na carteira sugerida para agosto, a Planner destacou a OGX como a principal alternativa no setor de petróleo e gás, sob o argumento da comprovação da presença de hidrocarbonetos na grande maioria dos poços em que opera e da possibilidade de entrada de dinheiro com a venda de parte das reservas.
 

Martins afirma ainda que a companhia sabe administrar a divulgação de informações. "Está sempre pingando notícia positiva." No último dia 12, a companhia anunciou a descoberta de gás natural em bacia no Maranhão. O volume, segundo disse na ocasião Eike Batista, seria suficiente para sustentar uma produção de 15 milhões de metros cúbicos de gás por dia, metade da capacidade de transporte do Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol).
 

O empresário aproveitou ainda para falar sobre a venda de participação entre 20% e 30% em blocos da OGX na Bacia de Campos. Segundo as declarações, a empresa estaria recebendo propostas até dia 18 de outubro. Após o fechamento do pregão de sexta, a companhia divulgou que foi aprovada, em reunião do conselho de administração, a cisão parcial da subsidiária OGX Ltda, de forma que 70% dos ativos referentes a sete blocos na Bacia de Campos sejam transferidos para outra subsidiária, a OGX Campos Petróleo e Gás. Será um passo para a venda de parte dos ativos?
 

O chefe da mesa da HSBC Corretora, Frederico Soares, afirma que, desde a divulgação da primeira prévia da carteira teórica do Ibovespa, fundos que seguem o índice vêm fazendo pequenas posições em OGX. O papel deve ter seu peso elevado em mais de 1 ponto percentual, para 3,5%, de acordo com a segunda prévia. "Por enquanto é uma sintonia fina, o grosso do ajuste vem quando houver de fato a mudança."


Fonte: Valor Econômico
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