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Petróleo

No pré-sal, China já tem o tamanho da BG

21/02/2011 | 09h22
Depois de tentar comprar ativos da Devon e uma participação na OGX no ano passado, as estatais chinesas fizeram uma estreia meteórica na exploração e produção no Brasil, com investimentos de US$ 10,2 bilhões. Eles permitiram a duas estatais terem acesso a uma área de 1.232 quilômetros quadrados (Km2) nas bacias de Campos, Santos e Espírito Santo. É um pedaço quase igual à da britânica BG, que está no Brasil desde a abertura do setor, em 1999, e cujas concessões somam uma área de 1.361 Km2.
 

Com as aquisições, a China entrou indiretamente nos campos Carioca e Guará, no pré-sal da bacia de Santos, depois da aquisição, pela China Petroleum & Chemical Corporation (Sinopec), de 40% das participações da Repsol no país, sem nunca ter ido a um leilão da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A chinesa participou de um aumento de capital e subscreveu 40% das ações oferecidas pela espanhola.
 
 
A segunda maior operação foi a da Sinochem, que pagou à norueguesa Statoil US$ 3,07 bilhões por uma fatia de 40% do campo de Peregrino, que vai entrar em produção nos próximos meses na bacia de Campos. A parceria com a Repsol gerou uma nova empresa, a Repsol Sinopec Brasil, que tem participação minoritária em 14 blocos exploratórios, onde existem 31 reservatórios descobertos e em diferentes fases exploratórias, e em áreas já em produção, como Albacora Leste, da Petrobras.
 
 
Sobre o negócio no Brasil, que cria uma empresa de US$ 17,8 bilhões, a Repsol não dá detalhes. Sobre a parceria, informou apenas que "não existe acordo sobre o destino da parte do petróleo que cabe à Sinopec na associação" e que "não existe nenhuma cláusula dispondo sobre aquisição de equipamentos". Na semana passada, a Sinopec informou que não tinha nenhum porta-voz no Brasil para conceder uma entrevista e os detalhes deveriam ser obtidos com a Repsol. Devido à natureza do negócio, a Sinopec não precisa se habilitar como concessionária na ANP, nem teria responsabilidade direta no caso de um acidente que exige indenizações, explicou um advogado que conhece alguns detalhes do negócio. Consultada, a ANP informou que ainda está analisando a operação.
 

A Repsol opera sete áreas no Brasil e isso significa que é a sócia que vai decidir o desenho dos projetos de produção e as aquisições de equipamentos e serviços. A Repsol e a Sinopec Brasil não atenderam aos pedidos de entrevista. A questão das compras é relevante, já que a chegada dos chineses traz algumas questões que ainda não foram respondidas, como a existência ou não de acordos de suprimento da fatia do petróleo produzido no país que cabe aos chineses e a origem dos equipamentos e serviços que serão utilizados na exploração do petróleo nas áreas onde a Repsol é operadora.
 

Na África, continente que os chineses tomaram de assalto, o investimento vem junto com mão de obra importada - às vezes os trabalhadores são alojados nos próprios navios em que viajaram - e financiamentos generosos em troca de preferência na aquisição de equipamentos e outros serviços. Ainda não há muitos registros dessa prática no setor de petróleo e gás, já que a China não tem tradição nesse mercado, mas o modelo causa espanto a algumas empresas brasileiras que atuam em Angola.
 

No Brasil a construção da Companhia Siderúrgica do Atlântico, (CSA) do grupo alemão ThyssenKrupp, no Rio, é um exemplo que pode se espalhar. Lá, a chinesa Citic tentou importar 2 mil trabalhadores para a obra, mas o Ministério do Trabalho só permitiu 600, que estão até hoje em Santa Cruz. Um esquema semelhante foi tentado na obra do Gasoduto do Nordeste (Gasene), que teve financiamento do China Eximbank, mas na época a Petrobras obrigou a contratação de mão de obra local.
 

"As empresas chinesas são estatais que operam com uma visão estratégica clara. Elas buscam acesso a recursos para atender objetivos como a garantia do suprimento para suprir a demanda doméstica, que cresce a taxas elevadas, e a abertura de mercado para os seus produtos. Para ajudar, contam com dinheiro abundante e barato. Vinham sendo muito ativos na África. Nos últimos tempos temos visto um aumento da presença deles na nossa região, especialmente no Brasil e na Argentina", diz Décio Oddone, experiente executivo da área internacional da Petrobras, com passagens pela África, Bolívia e Argentina, e hoje vice-presidente de investimentos da Braskem.
 

Ex-embaixador do Brasil na China - servia naquele país quando eclodiu a revolta dos estudantes na praça da Paz Celestial, em 1989 - e observador das relações entre os dois países há 30 anos, Roberto Abdenur acha que o Brasil não deve temer a chegada dos chineses no país.
 
 
"A China coloca ao Brasil um desafio muito grande, que é o desafio da competitividade. Mas não acho que a China seja um bicho-papão. Acho que a China está prestando ao Brasil um grande serviço, porque mais do que nenhum outro país no mundo ela realmente nos confronta com o desafios de superarmos nossas gravíssimas distorções e limitações para ganharmos competitividade no plano internacional. O grande desafio está menos na gestão, na administração da relação com a China, do que naquilo que nós vamos fazer aqui dentro", diz o embaixador, hoje aposentado, ao defender que o Brasil peça maior reciprocidade com relação a investimentos naquele país.
 

O impacto dos investimentos das estatais chinesas de petróleo no mundo foi objetivo de um relatório divulgado na semana passada pela Agência Internacional de Energia (AIE). A agência explica que se dispôs "a testar a suposição generalizada de que essas empresas atuam sob as instruções e em estreita coordenação com o governo chinês".
 

A conclusão dos pesquisadores Julie Jiang e Jonathan Sinton é que as estatais China National Petroleum Corporation (CNPC), Sinopec, Sinochem e CNOOC operam no exterior com "alto grau de independência do governo e seus investimentos ajudam a aumentar as reservas mundiais de petróleo e gás". Contudo, os pesquisadores disseram que não foram capazes de responder algumas questões que merecem mais estudo, como uma comparação dos investimentos das estatais chinesas na África e na América Latina em comparação com outras estatais e empresas internacionais de petróleo, além da análise de possíveis cenários de rupturas de abastecimento e seu impacto sobre a relação dessas estatais com o governo chinês e ainda a influência das tendências do mercado doméstico chinês sobre os investimentos das estatais no exterior.


Fonte: Valor Econômico
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