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Internacional

Nigéria e Camarões ameaçam guerra por petróleo

15/09/2004 | 00h00

O conflito fronteiriço entre a República dos Camarões e a Nigéria em torno da península petrolífera de Bakassi, está levando novamente estes dois países para a situação de uma possível guerra, assim como aconteceu em 1994, apesar de uma arbitragem da Corte internacional de Haia (Holanda) e dos esforços das Nações Unidas no sentido de desarmar o conflito.
Na noite desta segunda-feira (13/09), como resultado de uma reunião a portas fechadas em Abuja, a sua capital, as autoridades nigerianas oficializaram sua recusa a evacuar Bakassi no prazo previsto, agendado para esta quarta-feira (15/09).
Para não ter de assumir sozinho esta decisão que implica sérias conseqüências, o governo federal da Nigéria abrigou-se por trás das autoridades locais para tornar pública uma posição que já estava tomada há mais de um mês.
"Nós não iremos ceder uma polegada sequer desta terra, e nós não iremos nos tornar camaroneses de um dia para o outro", declarou o presidente da comunidade territorial de Bakassi, Ani Eric Essen.
Referindo-se ao presidente nigeriano, Olusegun Obasanjo, o chefe tradicional dos pescadores locais, Edet Okorode, compartilhou a opinião de Essen: "Ele é um homem honesto", disse, do chefe do Estado nigeriano. "Ele nos disse que a Nigéria não cederia uma parcela sequer deste território, e nós achamos que ele fará exatamente o que ele disse. Caso contrário, tratar-se-ia de uma traição".
Em 1994, Nigéria e Camarões por muito pouco não iniciaram uma guerra, por esta península de cerca de mil quilômetros quadrados de floresta pantanosa de mangues, rica em peixes, e decisiva para a delimitação da fronteira marítima nas águas petrolíferas.
Divididas entre os seus interesses econômicas na Nigéria e os seus laços tradicionais com Camarões, as autoridades francesas haviam enviado um pequeno contingente militar para a sua antiga colônia, mobilizando-se ao mesmo tempo para ajudar a encontrar uma solução pacífica que seja apadrinhada pelas Nações Unidas.

Comunicado ambíguo - Em 10 de outubro de 2002, a Corte de Haia pronunciou um julgamento favorável a Camarões. Desde então, a ONU trabalha na aplicação desta arbitragem, multiplicando as negociações entre os dois chefes de Estado, que se encontraram em várias oportunidades na presença de Kofi Annan.
Até o dia 29 de julho, a solução pacífica parecia estar bem encaminhada. A Nigéria havia se retirado de cerca de trinta aldeias situadas na fronteira do Norte, a qual é também objeto de litígio, em volta do lago Chade.
Mas, no momento em que os preços do petróleo bruto alcançavam níveis recordes, essa boa vontade desapareceu: num comunicado que dizia respeito à visita do presidente Obasanjo a Iaunde (capital de Camarões), a parte nigeriana impôs, de maneira ambígua, a necessidade de um novo acordo entre os dois chefes de Estado para que seja definido o cronograma final da evacuação de Bakassi.
A parte camaronesa, contudo, não se deu conta de que se tratava de uma manobra.
Ora, numa carta dirigida, em 31 de julho, às Nações Unidas, o negociador em chefe da Nigéria, Bola Ajibola, justificou desta forma a recusa de seu país a respeitar o prazo final de 15 de setembro para se retirar da região.
No final da tarde de segunda-feira, a ONU garantiu que a soberania de Camarões sobre Bakassi não havia sido "questionada" e que a retirada da península, onde moram cerca de 150 mil nigerianos, havia sido apenas "adiada por razões técnicas inesperadas".
Contudo, esta mentira mal dissimulada corre o risco de ser de curta duração, uma vez que a tensão está aumentando rapidamente na região. Agora, a Nigéria está exigindo um referendo de autodeterminação em Bakassi, enquanto Camarões, que se encontra em plena campanha para as eleições presidenciais de 11 de outubro, enfrenta muitas dificuldades para conter um novo surto de febre nacionalista frente ao seu grande vizinho do Oeste.



Fonte: Le Monde
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