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China

Moody's rebaixa China e alerta para desgaste da força financeira com aumento da dívida

24/05/2017 | 09h57

A Moody's Investors Service rebaixou a nota de crédito da China nesta quarta-feira pela primeira vez em quase 30 anos, dizendo esperar que a força financeira da economia vai se desgastar nos próximos anos conforme o crescimento desacelera e a dívida continua a aumentar.

O rebaixamento de um degrau, para A1 de Aa3, acontece no momento em que o governo chinês enfrenta os desafios do aumento dos riscos financeiros provenientes de anos de estímulo alimentado pelo crédito.

"O rebaixamento reflete a expectativa da Moody's de que a força financeira da China vai se desgastar de alguma forma nos próximos anos, com a dívida continuando a subir conforme o crescimento potencial desacelera", disse a agência de classificação de risco em comunicado, mudando a perspectiva para a China para estável, de negativa.

O Ministério das Finanças da China disse que o rebaixamento, o primeiro da Moody's para o país desde 1989, superestima os riscos à economia e foi baseado em "metodologia inapropriada".

"A visão da Moody's de que a dívida não-financeira da China subirá rapidamente e de que o governo continuará a manter o crescimento via medidas de estímulo estão exagerando as dificuldades enfrentadas pela economia chinesa, e subestimando a capacidade do governo de aprofundar a reforma estrutural do lado da oferta e de expandir apropriadamente a demanda agregada", afirmou o ministério em comunicado.

Os líderes da China identificaram a contenção dos riscos financeiros e das bolhas de ativos como a maior prioridade neste ano. Da mesma forma, as autoridades estão agindo de maneira cautelosa elevando os juros de curto prazo enquanto apertam a supervisão regulatória.

Ao mesmo tempo, a necessidade de Pequim de cumprir as metas oficiais de crescimento devem tornar a economia cada vez mais dependente de estímulo, disse a Moody's.

"Embora o progresso em andamento das reformas deva transformar a economia e o sistema financeiro ao longo do tempo, não deve impedir um novo aumento material na dívida, e o consequente aumento das responsabilidades contingentes para o governo", disse.

Embora o rebaixamento deva elevar de forma modesta o custo do empréstimo para o governo chinês e suas empresas estatais, a nota permanece confortavelmente dentro da classificação de investimento.

Em março de 2016, a Moody's cortou sua perspectiva para o rating da China para negativa, de estável, citando o aumento da dívida e incertezas sobre a capacidade das autoridades de realizarem reformas.

A agência Standard & Poor's reduziu sua perspectiva para negativa no mesmo mês. O rating AA- da S&P está um degrau acima tanto da Moody's quanto da Fitch Ratings, levando a especulações entre analistas de que a S&P também pode rebaixar o país em breve.

"Entendemos o risco e o motivo para rebaixamento, mas como a China é um sistema único --com conta de capital fechada e controle forte do governo sobre todos os setores importantes --ela pode tolerar um nível mais alto de dívida", disse Edmund Goh, gerente de investimento do Aberdeen Asset Management.

A desaceleração da economia se tornou um tópico cada vez mais sensível na China, com as autoridades direcionando economistas e jornalistas chineses para uma mensagem mais positiva.

Autoridades aumentaram os esforços nos últimos meses para conter a dívida e os riscos imobiliários, e uma série de dados recentes têm sinalizado esfriamento da economia, que cresceu 6,9 por cento no primeiro trimestre.

O crescimento econômico potencial da China deve desacelerar para 5 por cento nos próximos anos, mas o enfraquecimento deve ser gradual devido a mais doses de estímulo fiscal, disse a Moody's.

Dívida

O Ministério das Finanças afirmou que o crescimento econômico contínuo de nível médio a alto "fornecerá suporte fundamental para conter os riscos da dívida dos governos locais. Os riscos da dívida do governo da China não mudarão dramaticamente em 2018-2020, em comparação a 2016."

A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma disse que os riscos da dívida são controláveis uma vez que medidas para reduzir a alavancagem corporativa alcançaram resultados iniciais, e os riscos sistêmicos da dívida são relativamente baixos.

A Moody's disse projetar que o peso direto da dívida do governo subirá gradualmente na direção de 40 por cento do PIB até 2018 "e mais perto de 45 por cento até o fim da década".

 



Fonte: Reuters, 24/05/2017
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