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Internacional

Ministro do Petróleo líbio foge para a Tunísia

18/05/2011 | 09h27
O ministro do Petróleo da Líbia, Shukri Ghanem, abandonou o governo e fugiu do país, cruzando a fronteira coma Tunísia na noite do sábado. Ghanem também era o presidente da estatal petrolífera Libyan National Oil Corporation. A informação foi divulgada ontem por Abdel Moneim al-Houni, ex-representante líbio na Liga Árabe, que renunciou ao cargo no início da ofensiva da Otan contra o regime de Muamar Kadafi.


Ghanem ocupava a pasta desde 2006 e era considerado "homem de confiança" do ditador. A notícia foi confirmada por um porta-voz do Ministério do Interior da Tunísia, Neji Zairi. O funcionário disse ao jornal Washington Post que Ghanem ainda está no país, mas que sua localização exata é desconhecida.


Outra fonte do governo tunisiano afirmou à agência France Presse que o ministro desertou por terra. "Ghanem fugiu da Líbia e chegou a Túnis de carro, passando pelo posto fronteiriço de Ras Jedir." Questionado sobre a deserção, o porta-voz do governo líbio, Moussa Ibrahim, minimizou o caso. "Não é grande coisa para nós. Se ele o fez, é problema dele."


Ibrahim disse que o ministro seguiu para a Tunísia em viagem oficial, mas desapareceu. "Nós não conseguimos contatá-lo desde a noite passada", reconheceu o porta-voz. Além de Ghanem, já abandonaram Kadafi desde o início da crise os ministros das Relações Exteriores, Moussa Koussa, da Justiça, Mustafa Abdul-Jalil, e do Interior, Abdel-Fatah Younes. Dezenas de diplomatas líbios também deixaram seus cargos.


A ONU acusou ontem o governo líbio de estar incentivando imigrantes a embarcarem em navios em direção à Europa, atravessando o mar Mediterrâneo em viagens que já custaram a vida de 1,6 mil pessoas em pouco mais de dois meses. Kadafi estaria cumprindo a ameaça de "inundar a Europa de imigrantes", uma represália ao fato de os governos europeus terem decidido atacar o país.


Mais de 14 mil imigrantes - a maioria da África Subsaariana - usaram a Líbia como plataforma para a Europa em pouco mais de um mês. "As autoridades em Trípoli não estão impedindo essas viagens e, de fato, há sinais de que estão, na realidade, incentivando", afirmou Melissa Fleming, porta-voz do Alto Comissariado para Refugiados da ONU.


Melissa citou o Brasil como um dos países que podem ajudar a resolver o problema, recebendo parte dos 8 mil refugiados que estão hoje presos nas fronteiras com Tunísia e Egito. A ONU estima que 6 mil desses imigrantes precisam ser transferidos com urgência.


O apelo foi lançado para vários países. Melissa declarou que, por enquanto, o Brasil não respondeu ao pedido, mas disse que a ONU ainda espera um sinal positivo por parte do governo da presidente Dilma Rousseff.


Fonte: Redação/ Agências
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