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Economia

Mineração: US$ 21 bi são cortados

06/03/2014 | 11h55

 

O setor mineral brasileiro receberá US$ 53,6 bilhões em novos investimentos nos próximos cinco anos, até 2018. Esta é a previsão mais recente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). A cifra até parece positiva quando o valor é olhado isoladamente. Mas é muito pequena quando se observa o potencial minerador do país. E parece ainda menor se comparada ao valor de dois anos atrás. A previsão era de US$ 75 bilhões para o período de 2012 a 2016. Hoje, os recursos previstos são 28,5% menores.
Os maiores cortes e suspensões de projetos têm sido feitos em operações de minério de ferro, até porque a commodity é responsável por 60% do total dos investimentos minerais do país. Recursos para projetos de ouro e cobre também têm encolhido, bem como aqueles que seriam direcionados para a produção de níquel e zinco.
A razão das quedas não é única, mas um conjunto de fatores que fizeram minguar o otimismo na mineração brasileira. Queda dos preços das commodities, burocracia excessiva para licenciamentos ambientais, escassez de capital e incertezas regulatórias formam o pacote de desestímulo.
O preço das commodities metálicas tem reduzido os retorno dos projetos, o que levou empresas a substituir planos de investimentos por cortes de custos e busca por eficiência. "Muitas passaram a trabalhar só com jazidas que permitiam preços mais competitivos", diz Martiniano Lopes, sócio-líder da PwC para recursos naturais.
O minério de ferro, por exemplo, caiu 36%, de um pico de US$ 190 a tonelada em 2011 para perto de US$ 120 agora. Em 12 meses, cai 23%. No caso do ouro, a cotação caiu 17% em um ano e cerca de 45% desde 2011. Há, hoje, ao menos 14 projetos ou operações de ouro parados no país, principalmente de empresas de menores portes.
"Muitos projetos tinham sido planejados há quatro ou cinco anos, em outro patamar de preços. É natural que muitos estejam sendo revistos, em todo o mundo, até porque muitas empresas tiveram que dar baixas contábeis grandes", diz Bruno Rezende, da Tendências Consultoria. No Brasil, é o caso da AngloAmerican, que anunciou em 2013 uma baixa contábil de R$ 4 bilhões no projeto Minas-Rio.
O alumínio caiu ainda mais: 60% em quatro anos e 13% em um ano. Nesta cadeia, estão parados, por exemplo, a segunda fase do projeto de bauxita de Juriti (PA), da Alcoa, e projetos Norsk Hydro e da Votorantim Metais. "Há muitos casos de projetos engavetados no país, à espera de uma melhora dos preços. Podem não ser cancelados, mas deverão de um 'delay' de cinco ou até dez anos", diz Rezende.
Com uma escassez de capital projetos de mineração passaram a perder espaço para outros tipos de investimentos. Na bolsa de Toronto, por exemplo, as 1,6 mil empresas do setor mineral - 40 delas com projetos no Brasil - perderam 57% de valor de mercado em três anos, de pouco mais de meio trilhão de dólares canadenses em 2010 para 240 bilhões de dólares canadenses ao fim de 2013.
Além do preço dos metais e da escassez da capital, que atingem empresas em todo o mundo, o Ibram diz que o grande entrave do Brasil, hoje, é a burocracia ambiental. "A demora para a liberação de uma mina chega a dez anos. A própria Vale demorou uma década para obter as licenças todas do projeto S11D [minério de ferro]", diz José Fernando Coura, presidente do Ibram. Na visão dele, "faltam critérios" para a autorização dos projetos no país, e a demora para as licenças fazem com que os aportes demorem a acontecer.
No ano passado, foram concedidas 177 portarias de lavras no país, o menor número desde 2000, quando foram 300 concessões. "Em minério de ferro, essa demora fez com que a Austrália nos superasse em produção", acrescentou Coura. De uma participação de 20% na produção global do minério de ferro no início da década passada, o Brasil passou a 13% atualmente, de acordo com levantamentos do instituto.
A Austrália passou o Brasil em produção em 2008. Em 2013, o país produziu 525 milhões de toneladas de minério de ferro, 26% mais do que a produção brasileira. A tendência é de a diferença se ampliar. No ano passado, os australianos investiram perto de US$ 1,6 bilhão em exploração mineral, enquanto os investimentos brasileiros ficaram próximos de US$ 300 milhões, de acordo com a empresa de pesquisa SNL Metals & Mining.
O aumento recente do risco de racionamento de energia, a inflação dos custos de produção e a indefinição sobre o marco regulatório do setor fecham o quadro de entraves ao aumento de investimento em mineração no Brasil.

O setor mineral brasileiro receberá US$ 53,6 bilhões em novos investimentos nos próximos cinco anos, até 2018. Esta é a previsão mais recente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). A cifra até parece positiva quando o valor é olhado isoladamente. Mas é muito pequena quando se observa o potencial minerador do país. E parece ainda menor se comparada ao valor de dois anos atrás. A previsão era de US$ 75 bilhões para o período de 2012 a 2016. Hoje, os recursos previstos são 28,5% menores.

Os maiores cortes e suspensões de projetos têm sido feitos em operações de minério de ferro, até porque a commodity é responsável por 60% do total dos investimentos minerais do país. Recursos para projetos de ouro e cobre também têm encolhido, bem como aqueles que seriam direcionados para a produção de níquel e zinco.

A razão das quedas não é única, mas um conjunto de fatores que fizeram minguar o otimismo na mineração brasileira. Queda dos preços das commodities, burocracia excessiva para licenciamentos ambientais, escassez de capital e incertezas regulatórias formam o pacote de desestímulo.

O preço das commodities metálicas tem reduzido os retorno dos projetos, o que levou empresas a substituir planos de investimentos por cortes de custos e busca por eficiência. "Muitas passaram a trabalhar só com jazidas que permitiam preços mais competitivos", diz Martiniano Lopes, sócio-líder da PwC para recursos naturais.

O minério de ferro, por exemplo, caiu 36%, de um pico de US$ 190 a tonelada em 2011 para perto de US$ 120 agora. Em 12 meses, cai 23%. No caso do ouro, a cotação caiu 17% em um ano e cerca de 45% desde 2011. Há, hoje, ao menos 14 projetos ou operações de ouro parados no país, principalmente de empresas de menores portes.

"Muitos projetos tinham sido planejados há quatro ou cinco anos, em outro patamar de preços. É natural que muitos estejam sendo revistos, em todo o mundo, até porque muitas empresas tiveram que dar baixas contábeis grandes", diz Bruno Rezende, da Tendências Consultoria. No Brasil, é o caso da AngloAmerican, que anunciou em 2013 uma baixa contábil de R$ 4 bilhões no projeto Minas-Rio.

O alumínio caiu ainda mais: 60% em quatro anos e 13% em um ano. Nesta cadeia, estão parados, por exemplo, a segunda fase do projeto de bauxita de Juriti (PA), da Alcoa, e projetos Norsk Hydro e da Votorantim Metais. "Há muitos casos de projetos engavetados no país, à espera de uma melhora dos preços. Podem não ser cancelados, mas deverão de um 'delay' de cinco ou até dez anos", diz Rezende.

Com uma escassez de capital projetos de mineração passaram a perder espaço para outros tipos de investimentos. Na bolsa de Toronto, por exemplo, as 1,6 mil empresas do setor mineral - 40 delas com projetos no Brasil - perderam 57% de valor de mercado em três anos, de pouco mais de meio trilhão de dólares canadenses em 2010 para 240 bilhões de dólares canadenses ao fim de 2013.

Além do preço dos metais e da escassez da capital, que atingem empresas em todo o mundo, o Ibram diz que o grande entrave do Brasil, hoje, é a burocracia ambiental. "A demora para a liberação de uma mina chega a dez anos. A própria Vale demorou uma década para obter as licenças todas do projeto S11D [minério de ferro]", diz José Fernando Coura, presidente do Ibram. Na visão dele, "faltam critérios" para a autorização dos projetos no país, e a demora para as licenças fazem com que os aportes demorem a acontecer.

No ano passado, foram concedidas 177 portarias de lavras no país, o menor número desde 2000, quando foram 300 concessões. "Em minério de ferro, essa demora fez com que a Austrália nos superasse em produção", acrescentou Coura. De uma participação de 20% na produção global do minério de ferro no início da década passada, o Brasil passou a 13% atualmente, de acordo com levantamentos do instituto.

A Austrália passou o Brasil em produção em 2008. Em 2013, o país produziu 525 milhões de toneladas de minério de ferro, 26% mais do que a produção brasileira. A tendência é de a diferença se ampliar. No ano passado, os australianos investiram perto de US$ 1,6 bilhão em exploração mineral, enquanto os investimentos brasileiros ficaram próximos de US$ 300 milhões, de acordo com a empresa de pesquisa SNL Metals & Mining.

O aumento recente do risco de racionamento de energia, a inflação dos custos de produção e a indefinição sobre o marco regulatório do setor fecham o quadro de entraves ao aumento de investimento em mineração no Brasil.

 



Fonte: Valor Econômico
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