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Financiamento

Mesmo após crise, BNDES é maior credor da Petrobras

14/12/2010 | 10h23
Mesmo após a crise, a Petrobras está cada vez mais dependente dos financiamentos do BNDES, que neste ano, até setembro, já representavam 36% do endividamento total da estatal, de US$ 57,1 bilhões (cerca de R$ 97 bilhões).


Também estatal, o banco substituiu as instituições financeiras e o mercado de capitais como principal fonte de crédito à petrolífera.


Em 2009, durante a crise, a Petrobras recorreu a uma linha de crédito especial do banco federal de fomento diante da secura do crédito bancário e do mercado externo. No ano passado, o BNDES emprestou R$ 27,24 bilhões e representou 41% da dívida da estatal do petróleo.


Neste ano (até setembro), o banco se manteve como o principal instrumento de financiamento da Petrobras, que já tomou até outubro R$ 3,8 bilhões, cifra superior aos empréstimos concedidos à companhia em 2007 e 2008, segundo dados repassados pelo BNDES à Folha.
 

Até 2008, o crédito privado representava entre 60% e 70% do endividamento da Petrobras. Em 2007, o BNDES correspondia a apenas 10% da dívida da Petrobras. A cifra subiu para 20% em 2010.


Especialistas dizem que a estatal tem condições de se financiar no mercado privado com juros baixos, mas absorve um volume significativo de recursos do BNDES que poderiam ser destinados a empresas e setores que necessitam de fomento.


Na semana passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo prepara medidas de estímulo ao financiamento privado com o objetivo de desafogar o BNDES.


À Folha o diretor-financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, disse que não há risco de a Petrobras depender excessivamente de só uma fonte de financiamento.


"O aumento do financiamento do BNDES relaciona-se às mudanças dos limites permitidos ao banco de emprestar à Petrobras."


O executivo ressaltou, porém, que a "geração de caixa" da companhia continuará a ser a mais importante fonte de recursos "para financiar investimentos".


"A Petrobras sempre contou com o mercado privado de dívida como fonte importante de crédito. A companhia obteve um empréstimo-ponte de US$ 6,5 bilhões em 2009, com bancos comerciais, em meio à crise internacional, que foi totalmente refinanciado no mercado internacional de títulos."


Segundo Barbassa, os recursos em caixa e mais o que será gerado em 2011 são "mais do que suficientes para atender aos investimentos planejados" no ano que vem.


Até 2014, a empresa precisa captar US$ 96 bilhões para fazer frente ao seu plano de negócios. Já conseguiu US$ 40 bilhões com oferta de ações (já descontado o pagamento à União de campos não licitados do pré-sal). Resta buscar no mercado US$ 15 bilhões ao ano até 2014.


Fonte: Folha de S.Paulo
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