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Refino

Mercado brasileiro tem espaço para quatro novas refinarias, diz estudo

03/11/2004 | 00h00
O Brasil vai precisar de quatro novas refinarias nos próximos anos, se quiser realmente reduzir a dependência das importações e preservar-se dos efeitos de um inevitável quinto choque mundial de preços do petróleo. Para isso, a Petrobras e a iniciativa privada devem investir US$ 15 bilhões na construção de quatro unidades com capacidade média para processar 200 mil barris por dia e produzir o equivalente a 480 mil barris por dia de óleo diesel. Além de abastecer o mercado brasileiro com a quantidade de diesel hoje importada pela Petrobras, as refinarias exportariam os derivados para mercados como o americano, o chinês e o indiano, hoje os principais centros mundiais de consumo do produto.
Essas e outras recomendações, que contrariam a maior parte dos especialistas do setor petrolífero internacional, constam de um estudo elaborado por um consórcio de três empreiteiras do Brasil e dos Estados Unidos - entre as quais a Kellogg Brown & Root (KBR), subsidiária da Halliburton, a empresa que tem liderado os esforços do governo americano de reconstrução do Iraque. Do lado brasileiro, participaram as brasileiras Andrade Gutierrez e a Sondotécnica, presidida pelo engenheiro Jaime Rotstein, um dos pais do antigo Proálcool e conselheiro da Petrobras na gestão de Henri Philippe Reichstul.
O levantamento foi entregue em outubro à governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus, que deverá utilizá-lo para lastrear seus esforços para atração de uma nova refinaria da Petrobras para o município de Campos dos Goytacazes, na região Norte do estado. Na avaliação de Rotstein, uma das novas refinarias poderia ser instalada na região, uma das mais pobres do país, como forma de gerar um novo ciclo de desenvolvimento econômico.
Embora a maior parte dos especialistas identifique a proximidade com o mercado consumidor como um dos fatores fundamentais para localização de uma unidade de refino, o executivo diz não haver qualquer obstáculo de ordem técnica para instalação da refinaria em Campos.
A indústria, segundo o estudo, já começa a dar sinais de aproximação do novo choque, à medida que nada indica uma tendência de recuo dos preços do atual patamar de US$ 50. Tal tendência, alerta o estudo, se deve a um movimento de crescimento da demanda superior à capacidade da indústria de incrementar a oferta mundial de derivados. As atuais reservas, diz o documento, encontram-se em um patamar de 1,2 trilhão de barris, dos quais 63% na região do Golfo Pérsico. Essa oferta seria suficiente para suprir o mercado por um período de 41 anos.
O problema, ainda segundo o levantamento, é que verificou-se um aumento de 12,5% dessas reservas desde 1989, período no qual também ocorreu um crescimento de 20% do consumo mundial de petróleo e derivados. Apenas no período de 1993 a 2003, a demanda global chegou a 16%. "Tomando em conta que o crescimento do consumo de petróleo no mundo, no mesmo período de 1993 a 2003, foi de cerca de 16%, fica evidente o progressivo desbalanceamento provável entre produção e consumo de petróleo", adverte o documento, que prossegue no alerta:
"Considerando que a capacidade mundial de refino e o consumo atual giram em torno de 80 milhões de barris/dia, é fácil avaliar o impacto do aumento de demanda, tanto no que se refere à redução provável de reservas, como na expansão obrigatória do refino", afirma o estudo, para logo em seguida concluir: "Portanto, há necessidade de um importante ciclo de construção de refinarias. De outra parte, os preços do petróleo tendem a se manter elevados", conclui.
Ao contrário de grande parte dos especialistas do setor, que costumam identificar historicamente apenas dois grandes choques de preços do petróleo, Rotstein classifica o atual momento como "o quarto choque do petróleo". Nos dois primeiros (1973 e 1980), diz ele, os preços saltaram, respectivamente, de US$ 3 para US$ 11 o barril e para US$ 20 o barril.
No terceiro, ocorrido de 1990 a 2000, o mundo viveu sob a influência de picos de preços, provocados principalmente por fatos como a primeira guerra do Golfo (1991). Atualmente, afirma, o mercado mundial estaria sob a influência do quarto choque, que nada mais consistiria do que um ensaio para o quinto, derradeiro e mais grave choque.
Rotstein adverte que o preço a ser pago pelo país, caso nada seja feito na área de refino, poderá ser traduzido por números muito altos, principalmente na balança comercial. O engenheiro, que no período em que esteve no conselho da Petrobras foi o mais ardoroso defensor do programa de atualização tecnológica das refinarias da empresa - hoje em execução - , lembra que o país deverá gastar US$ 5 bilhões no próximo ano, somente com a importação de derivados. Caso a economia permaneça em alta, afirma, a tendência é de aumento gradativo desse montante.
"Não é facultativo para o Brasil refinar todo o seu óleo pesado. É obrigatório", afirma Rotstein, ao lembrar que o alerta se justifica mesmo com o atual programa de atualização tecnológica das refinarias da Petrobras, que prevê a adaptação das unidades para processamento do óleo pesado da Bacia de Campos. O executivo diz que, mesmo que todas as refinarias do país sejam convertidas, tal processo tecnológico apresenta limitações. Daí a necessidade de novas unidades.
Embora muitos especialistas alertem que, do ponto de vista econômico investimentos em refino apresentam baixo ou nenhum retorno, Rotstein afirma que, nos últimos anos, as margens de lucro deste segmento têm aumentado gradativamente. Como exemplo, ele diz que, em 1999, quando o mundo vivia um fenômeno contrário ao atual - de excesso de oferta de petróleo -, as margens se limitavam a US$ 1,5 por barril para os refinadores. No período seguinte, entre 2000 e 2003, quando ocorreu um equilíbrio entre demanda e oferta global, esse valor já teria subido para algo como US$ 2 a US$ 3 por barril.
Diante de um cenário projetado de escassez de oferta, Rotstein afirma que a tendência é de crescimento cada vez maior dessas margens, principalmente se levados em consideração fatos como as restrições ambientais do governo americano a novos investimentos em refino nos Estados Unidos.
"É preciso que o Brasil aproveite essas oportunidades e invista na construção de novas refinarias, não só para abastecer o mercado nacional e suprir a demanda interna, mas também para fornecer derivados para o mercado internacional. Não faz sentido exportar o petróleo bruto, que tem menor valor agregado, quando o mundo demanda cada vez mais derivados", afirma.
O executivo reconhece, no entanto, que, dada a condição hegemônica da Petrobras no mercado brasileiro, qualquer novo empreendimento nessa área precisa contar com a estatal em seu rol de acionistas, mesmo que em condição minoritária. Além disso, Rotstein também lista o comprador e os preços do petróleo pesado no mundo como pré-condições para a viabilidade desses investimentos no país.
Nesse último caso, justifica, o produto extraído do Brasil - mais pesado que os petróleos do tipo WTI americano e Brent europeu - representa fator econômico fundamental. Atualmente, afirma Rotstein, a defasagem de preços entre o WTI e o petróleo pesado de Marlim chega a US$ 10 por barril, ante uma média histórica de US$ 3. Diante disso, mais valeria refinar esse produto no Brasil do que vendê-lo tão barato. Segundo cálculos do consórcio, o Marlim a US$ 6 já seria suficiente para viabilizar novos projetos em refino.

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