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Maioria dos manufaturados perde fôlego

22/10/2013 | 09h29

 

O volume de exportação de manufaturados cresceu 5,4% no segundo quadrimestre deste ano, em relação a iguais meses do ano passado. O número parece indicar recuperação depois que o primeiro quadrimestre apresentou, na mesma comparação, recuo de 1,3%. Os dados por segmentos de atividade, porém, mostram que esse crescimento está baseado em poucos setores.
Dos 23 segmentos da indústria de transformação acompanhados pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), apenas quatro - fumo, derivados de petróleo, veículos automotores e o grupo de indústrias diversas - fizeram o movimento de inverter o sinal negativo do primeiro para o segundo quadrimestre. Nesse período, 14 dos 23 segmentos tiveram desempenho desfavorável, seja porque continuaram com redução na quantidade exportada, ou porque reduziram o aumento de volume de exportação obtido no primeiro quadrimestre.
O bom desempenho do volume de manufaturados no segundo quadrimestre ficou por conta do avanço de 115,7%, muito acima da média (no primeiro quadrimestre houve estabilidade, com alta de apenas 0,3%), do segmento "outros equipamentos de transporte, exceto veículos", nos quais estão as plataformas de petróleo. Já nos dois primeiros quadrimestres, o item bateu recorde anual de exportação e sua contribuição positiva não deve perder espaço no último quadrimestre do ano. Na balança das três primeiras semanas de outubro, a exportação de uma plataforma, no valor de US$ 1,9 bilhão, contribuiu bastante para o embarque total de US$ 14,9 bilhões no período.
"As plataformas de petróleo fizeram muita diferença no quantum de manufaturados embarcado até agosto", diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Rafael Bistafa, economista da Rosenberg & Associados, diz que a consultoria estuda dar um viés de alta à estimativa de saldo zero na balança comercial do ano em razão da plataforma de petróleo na primeira semana de outubro. Embora seja algo pontual e extraordinário, afirma, as plataformas farão diferença também no desempenho dos manufaturados no último trimestre.
Castro destaca que, além das plataformas, também houve recuperação em segmentos como derivados de petróleo, com retomada do nível de produção interno, e veículos automotores. Dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que o Brasil exportou de janeiro a agosto deste ano 382,7 mil veículos montados, incluindo não só automóveis leves, como também caminhões e ônibus. A quantidade é 28,5% maior que a embarcada nos mesmos meses do ano passado. Para Castro, são recuperações importantes, de setores representativos na exportação, mas o desempenho positivo é ainda muito localizado em alguns segmentos específicos dentro da indústria de transformação.
Cristina Reis, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), diz que a recuperação do setor automotivo é importante, porque se trata de uma cadeia longa, que emprega muito e por isso tem grande impacto sobre a atividade interna. A recuperação na exportação do setor confere com os demais dados, diz ela. Cristina destaca que o emprego no segmento de meios de transporte cresceu 1,3% de janeiro a agosto e a produção aumentou em 10,1%.
Para a economista do Iedi, também representam bom sinal a recuperação da exportação de manufaturados pelos setores de papel e celulose e farmoquímicos e farmacêuticos. Mesmo a exportação de plataformas de petróleo, diz, tem um lado positivo por se tratar de bem de alta tecnologia e alto valor agregado.
O preocupante, diz Cristina, é que outros segmentos importantes, como têxtil, metalurgia e máquinas e equipamentos, tiveram desempenho desfavorável. O quadro global, levando em conta todos os segmentos, mostra recuperação, mas não um crescimento vigoroso. "Estamos ainda repondo parte das perdas acumuladas." Para ela, a recuperação está mais relacionada aos incentivos do governo e também à vantagem trazida ao exportador pelo real mais desvalorizado em relação ao dólar.
Ao mesmo tempo em que a alta do volume de exportação de manufaturados no segundo quadrimestre ainda está restrita a poucos segmentos, os preços médios de exportação dessa classe de produtos estão em queda. No primeiro quadrimestre, os preços médios dos manufaturados vendidos ao exterior, segundo dados da Funcex, recuaram 3,7% em relação a mesmo período de 2012, e no segundo quadrimestre a queda foi de 3,3%.
Cristina lembra que o recuo do preço médio também aconteceu entre semimanufaturados (queda de 10,5%) e nos básicos (4,23%), sempre no segundo quadrimestre, contra igual período de 2012. A queda de preços, dessa forma generalizada, diz a economista, está relacionada à vantagem trazida ao exportador pelo câmbio mais desvalorizado, embora ainda não tenha resultado em elevação de volume de vendas ao exterior para todos os segmentos.
Bistafa lembra que a desvalorização do real tem influência positiva nas exportações. O câmbio torna o produto brasileiro mais competitivo, mas a vantagem ainda é pequena. O economista da Rosenberg não acredita que os manufaturados possam amenizar muito a queda de valor de exportação experimentada este ano pelos produtos básicos. "Seria preciso reverter um longo processo de pauta de exportação cada vez mais concentrada em commodities", diz. Isso não deve acontecer no curto prazo, seja para este ano ou para 2014.

O volume de exportação de manufaturados cresceu 5,4% no segundo quadrimestre deste ano, em relação a iguais meses do ano passado. O número parece indicar recuperação depois que o primeiro quadrimestre apresentou, na mesma comparação, recuo de 1,3%. Os dados por segmentos de atividade, porém, mostram que esse crescimento está baseado em poucos setores.


Dos 23 segmentos da indústria de transformação acompanhados pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), apenas quatro - fumo, derivados de petróleo, veículos automotores e o grupo de indústrias diversas - fizeram o movimento de inverter o sinal negativo do primeiro para o segundo quadrimestre. Nesse período, 14 dos 23 segmentos tiveram desempenho desfavorável, seja porque continuaram com redução na quantidade exportada, ou porque reduziram o aumento de volume de exportação obtido no primeiro quadrimestre.


O bom desempenho do volume de manufaturados no segundo quadrimestre ficou por conta do avanço de 115,7%, muito acima da média (no primeiro quadrimestre houve estabilidade, com alta de apenas 0,3%), do segmento "outros equipamentos de transporte, exceto veículos", nos quais estão as plataformas de petróleo. Já nos dois primeiros quadrimestres, o item bateu recorde anual de exportação e sua contribuição positiva não deve perder espaço no último quadrimestre do ano. Na balança das três primeiras semanas de outubro, a exportação de uma plataforma, no valor de US$ 1,9 bilhão, contribuiu bastante para o embarque total de US$ 14,9 bilhões no período.


"As plataformas de petróleo fizeram muita diferença no quantum de manufaturados embarcado até agosto", diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Rafael Bistafa, economista da Rosenberg & Associados, diz que a consultoria estuda dar um viés de alta à estimativa de saldo zero na balança comercial do ano em razão da plataforma de petróleo na primeira semana de outubro. Embora seja algo pontual e extraordinário, afirma, as plataformas farão diferença também no desempenho dos manufaturados no último trimestre.


Castro destaca que, além das plataformas, também houve recuperação em segmentos como derivados de petróleo, com retomada do nível de produção interno, e veículos automotores. Dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que o Brasil exportou de janeiro a agosto deste ano 382,7 mil veículos montados, incluindo não só automóveis leves, como também caminhões e ônibus. A quantidade é 28,5% maior que a embarcada nos mesmos meses do ano passado. Para Castro, são recuperações importantes, de setores representativos na exportação, mas o desempenho positivo é ainda muito localizado em alguns segmentos específicos dentro da indústria de transformação.


Cristina Reis, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), diz que a recuperação do setor automotivo é importante, porque se trata de uma cadeia longa, que emprega muito e por isso tem grande impacto sobre a atividade interna. A recuperação na exportação do setor confere com os demais dados, diz ela. Cristina destaca que o emprego no segmento de meios de transporte cresceu 1,3% de janeiro a agosto e a produção aumentou em 10,1%.


Para a economista do Iedi, também representam bom sinal a recuperação da exportação de manufaturados pelos setores de papel e celulose e farmoquímicos e farmacêuticos. Mesmo a exportação de plataformas de petróleo, diz, tem um lado positivo por se tratar de bem de alta tecnologia e alto valor agregado.


O preocupante, diz Cristina, é que outros segmentos importantes, como têxtil, metalurgia e máquinas e equipamentos, tiveram desempenho desfavorável. O quadro global, levando em conta todos os segmentos, mostra recuperação, mas não um crescimento vigoroso. "Estamos ainda repondo parte das perdas acumuladas." Para ela, a recuperação está mais relacionada aos incentivos do governo e também à vantagem trazida ao exportador pelo real mais desvalorizado em relação ao dólar.


Ao mesmo tempo em que a alta do volume de exportação de manufaturados no segundo quadrimestre ainda está restrita a poucos segmentos, os preços médios de exportação dessa classe de produtos estão em queda. No primeiro quadrimestre, os preços médios dos manufaturados vendidos ao exterior, segundo dados da Funcex, recuaram 3,7% em relação a mesmo período de 2012, e no segundo quadrimestre a queda foi de 3,3%.


Cristina lembra que o recuo do preço médio também aconteceu entre semimanufaturados (queda de 10,5%) e nos básicos (4,23%), sempre no segundo quadrimestre, contra igual período de 2012. A queda de preços, dessa forma generalizada, diz a economista, está relacionada à vantagem trazida ao exportador pelo câmbio mais desvalorizado, embora ainda não tenha resultado em elevação de volume de vendas ao exterior para todos os segmentos.


Bistafa lembra que a desvalorização do real tem influência positiva nas exportações. O câmbio torna o produto brasileiro mais competitivo, mas a vantagem ainda é pequena. O economista da Rosenberg não acredita que os manufaturados possam amenizar muito a queda de valor de exportação experimentada este ano pelos produtos básicos. "Seria preciso reverter um longo processo de pauta de exportação cada vez mais concentrada em commodities", diz. Isso não deve acontecer no curto prazo, seja para este ano ou para 2014.

 



Fonte: Valor Econômico
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