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Macaé: um poço de desigualdade

08/02/2006 | 00h00

O petróleo que todo o Brasil quer – e precisa – produziu uma nova Serra Pelada no Norte do Estado do Rio.

As embarcações que cruzam a foz do Rio Macaé em direção às plataformas da Petrobras não constituem a única mudança produzida pela atividade petrolífera na paisagem da região Norte do Estado do Rio de Janeiro. Lentamente, uma indústria invisível, que se faz notar apenas na ponta excluída do processo produtivo, começa a delinear novos contornos à geografia litorânea local. De maneira dramaticamente semelhante ao fenômeno identificado pelo médico Josué de Castro no Nordeste do país, em meados do século 20, essa nova geografia da fome revela uma indústria da exclusão cujas engrenagens são alimentadas por óleo, poder político e pobreza, muita pobreza.
Meio século depois de Castro, gente como o geógrafo Faber Paganoto de Araújo, do Observatório de Favelas do Rio de Janeiro, mantém os olhos atentos às transformações na paisagem brasileira. Ele afirma que o contingente de migrantes que alimenta essa máquina perfaz um mesmo percurso.

Diante da baixa qualificação da mão-de-obra do município, empreiteiras e prestadoras de serviços da Petrobras contratam em outros estados trabalhadores temporários igualmente sem qualificação, porém mais baratos. Com piores perspectivas em suas cidades de origem, a maior parte do contingente permanece em Macaé, incentivada em sua maioria por uma rede assistencialista que se torna mais visível nos períodos eleitorais.

Líder na comunidade de baixa renda de Barreto, Jorge Luiz de Almeida conta que, em 2004, às vésperas da última eleição para prefeito, um mutirão que incluiu vereadores e representantes da própria administração municipal garantiu não só títulos de propriedade para moradores irregulares de uma área de manguezal, mas também uma farta – porém, temporária – distribuição de cestas básicas. Ao cabo de um mês, estava consolidada a favela Nova Esperança, que aguarda apenas as próximas eleições municipais para ganhar os paralelepípedos que ainda a diferenciam da vizinha Nova Holanda.

"A área onde foi erguida essa comunidade era farta de caranguejos. Na minha infância, o que dava de caranguejo era uma beleza", recorda Darlan Pinheiro, 60 anos, proprietário da imobiliária Darlan, que manifesta preocupação quanto ao futuro do "Eldorado de Macaé": "Imagine uma pequena cidade onde a Petrobras decidiu, repentinamente, investir bilhões de dólares. A cidade não estava preparada para isso. E continua sem estar".

No estudo Migrantes ricos e migrantes pobres – as heranças da economia do petróleo em Macaé, Faber conclui que a riqueza produzida a partir do petróleo está concentrada entre poucos na região, sem a proporcional redistribuição dos dividendos.

No estudo, Faber analisa os dois grandes fluxos migratórios para a cidade, que inclui migrantes pobres, normalmente com baixa qualificação, e a parcela dos chamados ricos, formada por trabalhadores estrangeiros, mais qualificados, geralmente contratados pelas prestadoras de serviços para a Petrobras. "Ao contrário do trabalhador com baixa qualificação, o migrante estrangeiro não fixa residência na cidade, após o término de seu contrato de trabalho. Já o de baixa renda, por pior que sejam suas expectativas, acaba por fixar moradia nas chamadas áreas de invasões", confirma o geógrafo.

"Hoje existem duas Macaés. Uma offshore, rica, que fica a 170 quilômetros da costa e outra, onshore, pobre, que tem sofrido as conseqüências da primeira", resume o presidente da Associação Comercial e Industrial de Macaé, Erodice Gaudard. "A indústria do petróleo realmente gera empregos, mas para quem tem alto grau de qualificação. A divulgação do boom petrolífero, nos últimos anos, atraiu muita gente para cá que não tinha a necessária capacitação. Hoje temos todas as mazelas de metrópoles como Rio e São Paulo", completa.



Fonte: Jornal do Brasil
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