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Energia Nova

Leilão deve ter ampla oferta

15/09/2008 | 05h14

Os próximos leilões de energia nova, nos próximos dias 17 e 30, devem ter como marca o amplo leque de oferta. São 193 usinas habilitadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com diferentes opções de força motriz. Presidente da Associação Brasileira de Geradoras Térmicas (Abraget), Xisto Vieira saúda o processo, mesmo diante de problemas como a incerteza no abastecimento de gás natural gerada pela crise política na Bolívia. "Segurança energética se consegue com diversificação, para suprir problemas momentâneos em um combustível específico," sustenta.

 

Vieira reage com serenidade à proposta de suspensão temporária do despacho (colocação de energia no sistema) pelas térmicas. Apresentada pela Associação Brasileira dos Consumidores Livres de Energia (ABCE), na maioria indústrias com consumo superior a 500 MW, a proposta visaria a poupar gás natural para residências, veículos e fábricas com maior dificuldade de substituir o gás, como as cerâmicas.

 

"Os reservatórios das principais hidrelétricas estão numa situação confortável, é um momento bem diferente do início deste ano, quando as térmicas tiveram que ser acionadas de janeiro a abril, para compensar os efeitos da ausência de chuvas em dezembro de 2006," argumenta Para ele, "São Pedro está dando uma ajuda, e com isso não será maior sacrifício sem as térmicas operarem por um mês a um mês e meio, enquanto a situação na Bolívia não se normaliza".

 

O regime hidrológico mais favorável não é a única diferença para a época do racionamento. A instalação das usinas térmicas, muito criticada à época pelos custos, abriu um leque maior de opções. "A regulação e as metodologias operacionais, como o despacho, não param nunca. O Operador Nacional do Sistema (ONS) está dando um show de bola, fazendo um trabalho de primeira linha, acionando as térmicas nas hora exata. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que centraliza as negociações para carga emergencial e stand-by, também está trabalhando muito bem", elogia.

 

O presidente da Abraget admite, contudo, que, enquanto se tiver essa dependência do suprimento da Bolívia (30% na média do País, mas 50% em São Paulo, estado mais industrializado), vai haver alguma incerteza.

 

"O governo aprovou o Plangás (Plano de Aceleração da Oferta de Gás Natural), com a construção de novos gasodutos e a instalação de terminais de regaseificação para a importação do combustível, a dependência vai reduzir-se expressivamente, a médio prazo" confia.

 

O País caminha para matriz mais diversificada, na avaliação Vieira. "Fala-se em evitar a dependência externa no gás, o que estará garantido em uns quatro anos. Até lá, teremos os custos dessa transição," admite. "As usinas bicombustíveis, capazes de rodar com óleo pesado na ausência do gás, ainda são mais caras. O melhor é mesmo a diversificação de fontes no sistema," insiste. O essencial, para ele, é evitar a dependência da água, acentuada por um sistema integrado nacional que chegou a ser 87% hidrelétrico.

 

"Nos últimos leilões, tem prevalecido a diversificação. Esse traço deve se acentuar nos próximos, com um peso crescente da biomassa," explica. O crescimento mais óbvio é o do bagaço de cana, no rastro da ampliação da oferta de cana-de-açúcar para a fabricação de álcool combustível. Opções mais inusitadas também mostram boas perspectivas.

 

"Cada região desenvolve sua opção: dejetos animais, cavacos de florestas replantadas, sobras do processamento industrial de alimentos," exemplifica Vieira. O gás natural segue competitivo, quando a unidade está próxima dos terminais de regaseificação, instalados pela Petrobras no Ceará e no Estado do Rio. "Outros locais, como o Espírito Santo e o litoral paulista, tendem a ganhar com o avanço na oferta doméstica de gás."

 

Xisto Vieira considera que o País esteja bem próximo da modicidade tarifária, o equilíbrio entre o controle de custos para a economia e o incentivo a novos investimentos de geração fixado como meta pela chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. "O preço da energia térmica está razoável, não está tão elevado. Fontes alternativas são mais caras que a hidrelétrica," admite. Ele chama atenção, para o custo de levar a energia das usinas até os centros consumidores "Transmissão não está computada nos R$ 81 da usina de Jirau, em Rondônia, até o Sudeste. A tendência é que a escassez de sítios adequados torne a instalação de hidrelétricas cada vez mais cara e difícil," adverte.

 

As exigências ambientais refletem o avanço social desse tema, mas também encarecem os projetos. "Agora, além das exigências diretas de tratamento de resíduos e controle de emissões poluentes, se estabelecem compensações, como o plantio de árvores para recapturar o gás carbônico gerado, que também tem preço. O Brasil tem que se convencer que o custo da energia terá que incorporar esses efeitos," alerta. Esse processo ocorre em paralelo a uma escalada de preços do aço e a um forte aumento da concorrência internacional pelo aluguel e compra de máquinas pesadas, que encarecem os equipamentos.

 

"Na China, instala-se uma máquina de 600 megawatts por semana, na Índia caminha-se para ritmo semelhante em pouco tempo. As fábricas de bens de capital por encomenda não estavam preparadas para este ritmo, que se seguiu a uma década com centros importantes, como Europa e Japão, andando de lado," explica.

 

"O nó número um é a competição externa por equipamentos e matérias-primas," enfatiza Vieira. "O segundo nó é a incerteza com o suprimento boliviano de gás natural. Até o final de 2012, com a entrada em produção dos campos de gás já cubados pela Petrobras nas bacias de Santos e do Espírito Santo, tudo se acerta," prevê.

 

A escassez de equipamentos como turbinas e motores pesados deverá exigir mais trabalho coordenado de autoridades e investidores privados para ser superada. Precedentes favoráveis a explorar existem.



Fonte: Jornal do Commercio
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