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Energia elétrica

Lafarge muda-se para consumidor livre de energia

25/01/2005 | 00h00

O grupo Lafarge, maior produtor de cimento do mundo e sexto colocado no mercado brasileiro, busca medidas na área de energia para reduzir os gastos no Brasil. Entre as saídas encontradas está a opção pelo mercado livre de energia elétrica para suprir as unidades do grupo em dois dos três Estados onde atua. A energia tem participação de 18% nos custos de produção do setor cimenteiro, o segundo maior, que só perde para a mão-de-obra.
No Brasil, a Lafarge tem cinco unidades industriais - três em Minas Gerais, uma no Rio de Janeiro e outra em São Paulo. Esta última, situada em Itapeva, consome apenas 5% da energia comprada pelo grupo. Por isso, ainda é cliente da Eletropaulo. Mas no Rio trocou a Light pela Petrobras em 2004 e em Minas, quem ganhou contrato recentemente foi a própria estatal Cemig. O grupo, que era consumidor cativo, passou a livre na desverticalização da estatal.
Um ponto que pesou na opção pela Cemig, explica o gerente de performance industrial e meio ambiente da Lafarge, Paulo Salomão, foi a antecipação, por seis meses, do fim do contrato como consumidor cativo.
Salomão explica que a mudança no perfil dos fornecedores de energia trará economia de 10% no custo com esse insumo, mas não revela o valor em reais. Para produzir uma tonelada de cimento são necessários entre 100 KWh e 150 KWh, dependendo do tipo.
Outra medida para reduzir o gasto com energia foi a introdução do processo de co-processamento nas unidades Arcos (MG) e Cantagalo (RJ).
A meta é que até 2007 todas as unidades da Lafarge no país usem essa tecnologia, na qual já foram investidos R$ 20 milhões desde 2001. O co-processamento substitui o uso do coque (subproduto do petróleo, que para ser processado também consome energia) como fonte térmica, por pneus, tintas e resíduos da indústria petroquímica que agora são usados para gerar energia.
Salomão explica que existem duas fontes de ganho na adoção da prática. Além de reduzir os gastos com as importações de coque (a meta é chegar a 18% em 2005), a Lafarge ainda cobra para queimar uma quantia para cada tonelada de resíduo queimado em seus fornos.
"O co-processamento traz ganho duplo, além de deixar de comprar coque, ao queimar pneus e outros produtos nós cobramos por cada tonelada de resíduo co-processsado", explica Salomão. "O maior cliente é a indústria de pneumáticos, que por lei tem que dar um destino para esse produto", acrescenta.
O gerente corporativo, Fábio Cerqueira, explica que a idéia surgiu com o aumento das medidas de controle da poluição ambiental, o que levou a Lafarge Brasil a reciclar 35 mil toneladas de resíduos em 2004, sendo 13 mil de pneus. Em 2004 o grupo Lafarge consumiu 253 mil megawatts/h (MWh) e a previsão para 2005 é de um consumo de 275 mil MWh.
O grupo, que tem 7,2% do mercado nacional de cimentos, almeja aumentar de 2,29 milhões para 2,6 milhões de toneladas a produção em 2005. Mesmo se o salto de 13% se concretizar, a Lafarge ainda terá unidades ociosas, já que a capacidade instalada no país é de 4,9 milhões de toneladas.



Fonte: Valor Econômico
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