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Crise

Japão pede que empresas reduzam o uso de energia

06/04/2011 | 09h39
O governo do Japão estuda a possibilidade de impor um regime de racionamento de energia para tentar compensar a queda repentina da capacidade de geração que afeta o país desde o terremoto do mês passado.
 

"Queremos pedir às empresas que reduzam seu consumo de eletricidade, especialmente durante o período de pico [em meados do ano, no verão] de um modo que não afete seus negócios", afirmou o ministro chefe do governo, Yukio Edano. "Antes de recorrermos a medidas impositivas, precisamos primeiro pedir cooperação que venha a ter um peso mínimo nas operações. Depois disso, vamos avaliar a adoção de outras medidas."
 

Diversas empresas japonesas, entre elas a Toyota e a Sony reduziram pela metade sua produção desde o terremoto e do tsunami de 11 de março, que paralisou a usina nuclear de Fukushima Dai-Ishi, no nordeste do país.
 

Sem a energia gerada por essa e outras usinas ainda paralisadas, várias fábricas foram forçadas a reduzir suas atividades, o que acarreta problemas de falta de peças em muitas cadeias de produção.
 

Ontem, a Honda, terceira maior montadora do carros do Japão, anunciou que vai reduzir o ritmo de produção em suas plantas na Índia a partir de maio por falta de autopeças que eram fabricadas no Japão. A empresa, que não disse quanto tempo durará essa diminuição, já fez cortes na produção nas suas fábricas na América do Norte, Turquia e Filipinas.
 

"Essa falta de energia é extremamente prejudicial para a economia", disse Yoshimasa Maruyama, economista do Itochu Corp., de Tóquio. "Haverá muitos investimentos quando as obras de reconstrução entrarem em um ritmo mais acelerado, mas não teremos crescimento muito forte até que os problemas com a eletricidade sejam resolvidos."
 

Analistas preveem que a economia japonesa vai se contrair neste segundo trimestre e que, se a falta de energia se prolongar, pode afetar o crescimento econômico de todo este ano.
 

A empresa que opera a usina danificada de Fukushima (a 220 km de Tóquio) prevê que o país terá um déficit de energia durante o próximo verão de 8,5 milhões de kilowatts. A Tepco tem feito cortes escalonados de energia para tentar evitar apagões mais expressivos.
 

A usina de Dai-Ichi gerava cerca de 10% da energia consumida pela região de Kanto, que inclui Tóquio e abriga cerca de um terço da população japonesa - de 127 milhões de pessoas. Geradores portáteis estão sumindo das lojas e as encomendas por esse tipo de equipamento dispararam.
 

Algumas fábricas, entre elas a Tokyo Steel Manufacturing - uma das maiores tecelagens do país - estão transferindo suas operações para outras regiões do país. Outras já consideram se mudar para outros países.
 
 
"Os custos da energia em alguns desses setores representam uma grande parcela dos gastos", disse Ken Medlock, professor de energia e recursos econômicos da Rice University in Texas. "Poderá haver um impacto substancial com reflexos na indústria de automóveis e nos maiores setores exportadores. A questão da energia afeta a competitividade dessas empresas."


Fonte: Valor Econômico
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