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Biocombustíveis

Interferência política na ação da Petrobras sobre o etanol preocupa

09/08/2011 | 12h44
O aumento da participação da Petrobras no mercado de etanol pode ser prejudicial ao setor sucroalcooleiro caso interferências políticas se sobreponham a questões econômicas, avaliaram nesta segunda-feira (8), participantes do 10º Congresso Brasileiro do Agronegócio. A meta da Petrobras é ter 12% do mercado de etanol até 2015.
 
O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, disse que a influência política do governo dentro da Petrobras pode levar a um cenário diferente do estimado. "Veja o que está acontecendo neste momento, com a empresa registrando fortes perdas em função de uma política para controlar a inflação."

O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, afirma que existem outras petroleiras no mercado de etanol e a Petrobras é apenas uma delas. Mas Jank considera preocupante o fato de a Petrobras sofrer influência política do governo para assuntos que não sejam de cunho econômico. "O problema não é a Petrobras como empresa, que possui técnicos competentes, mas com ações que não sejam ligadas a questões econômicas dos combustíveis", disse.

Na avaliação de Pires, o ministro da Fazenda também não poderia ocupar o cargo de diretor presidente do conselho de administração da Petrobras. "É uma situação que cria mais problemas. Veja como o plano de investimentos demorou para ser aprovado até se adequar aos parâmetros do governo", disse. E dentro do ambicioso plano da Petrobras para petróleo, Pires vê o perigo dos biocombustíveis acabarem desaparecendo. O executivo cita também a questão do biodiesel que teria a mistura de 5% para 10% adiada também por motivos inflacionários, já que o biodiesel é mais caro que o diesel, atualmente com preço fixo. "O governo está mostrando que não possui uma política clara para os biocombustíveis", disse.

O diretor do CBIE diz que sua crítica não é em relação ao investimento em si mas ao "costume existente no governo de usar a Petrobras como instrumento de política econômica para controlar preços e até de política eleitoral, para eleger governadores, senadores, deputados", disse.

O diretor presidente da Guarani, Jacyr Costa Filho, rebateu a declaração de Pires. Segundo ele, a Petrobras Biocombustível tem atuado no setor com forte estímulo para o aumento da produção de cana-de-açúcar, uma necessidade neste momento. A Guarani possui uma participação minoritária da Petrobras Biocombustível. Segundo Costa Filho, a Guarani plantou 47 mil hectares de cana em 2011 e vai plantar mais 60 mil hectares em 2012. "A Petrobras não tem o controle da Guarani e temos uma diretoria e um conselho de administração para decidir nossas metas, portanto é incorreto dizer que o governo impõe decisões", explica.


Fonte: Agência Estado
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