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Energia

Insolação garante vantagem competitiva

05/06/2012 | 14h25
O sol nasce para todos, mas não nos alcança a todos do mesmo jeito. A insolação, quantidade de energia do sol recebida pela Terra, varia de acordo com a região do planeta e pode ser medida pela quantidade de horas de sol diretamente incidente no local. Essa incidência é um fator fundamental para determinar o clima e, consequentemente, o potencial das fronteiras agrícolas. Além disso, é um indicador importante para determinar o potencial de geração de energia solar de cada país.

Trata-se de um recurso abundante no Brasil. O país recebe uma média diária de oito horas de sol por dia, o que o coloca entre os primeiros em termos de insolação. "Não estamos falando de horas de luz, mas de incidência direta de sol", ressalta André Madeira, chefe de meteorologia da Climatempo. "Como um país localizado na zona tropical e equatorial, o Brasil é muito bem municiado".

A localização geográfica brasileira também permite que a incidência solar tenha menos variações em comparação a outros países localizados mais perto dos extremos norte e sul do planeta. As regiões do país com maior potencial são o interior do Nordeste; o Centro-Oeste e o interior da região Sudeste. No Norte, o potencial é menor por causa do excesso de umidade, que provoca nebulosidade e reduz a taxa de insolação, explica Madeira. "Mesmo no Norte, na época de seca, de julho a setembro, a insolação aumenta, especialmente no sul da região".

Do ponto de vista econômico, conforme mostram os números do setor, a insolação é muito bem aproveitada pelo agronegócio, embora seu excesso provoque temporadas de seca em algumas áreas. O mesmo não se pode dizer, no entanto, do seu uso para a geração de energia solar.

O Brasil possui apenas 20 MW de capacidade instalada de geração solar fotovoltáica. Enquanto isso, a Alemanha, com apenas 1 hora diária de insolação média responde pela maior capacidade instalada mundial, com 17,1 GW.

Só como comparação, o local com maior taxa de insolação da Alemanha recebe 40% menos incidência de sol do que o local com menor taxa no Brasil. A taxa de insolação brasileira também é superior às de outros líderes em geração solar fotovoltáica, como Espanha (3,8 GW instados), Japão (3,6 GW) ou EUA (2,6 GW).

Além do alto índice de insolação, o Brasil também conta com outra importante vantagem competitiva: grandes jazidas de silício, material usado na fabricação de painéis solares. Para tirar proveito disso, no entanto, será preciso investimento tecnológico. Atualmente, o país não domina o processo de purificação do minério até o grau necessário para a fabricação dos painéis.

Várias empresas nacionais tentam dominar essa tecnologia, com apoio financeiro do BNDES e de centros tecnológicos como o da USP. "Se, além disso, conseguirmos um avanço tecnológico que permita superar o chamado Processo Siemens (tecnologia usada na fabricação de painéis), que é poluente, vamos dominar toda a cadeia de produção, com potencial de exportação para os países da América Latina", afirma Emilio La Rovere, coordenador-executivo do Laboratório Interdisciplinar de Meio Ambiente da Coppe-UFRJ. Ele coordenou a equipe que realizou o estudo técnico do projeto Carta do Sol, com o objetivo de promover o planejamento do uso de energia solar fotovoltáica no país.

No entanto, o potencial de energia solar do Brasil não significa que essa modalidade de geração poderia substituir totalmente o modelo predominante no país, de matriz hidroelétrica. Para que uma usina solar como a de Tauá, no Ceará, a primeira planta comercial fotovoltáica do país, inaugurada em 2011, gerasse a mesma quantidade de energia que uma usina hidroelétrica como a de Teles Pires, que está em construção na fronteira entre o Pará e o Mato Grosso, seria necessário ocupar uma área de 60 quilômetros quadrados, sete vezes mais do que a que será inundada pela hidroelétrica.

Ainda assim, o investimento na energia solar vale a pena, por tratar-se de uma energia limpa e com grande potencial estratégico complementar, quando integrada a outras matrizes energéticas. Segundo La Rovere, o Brasil tem condições de se tornar o país mais competitivo em geração solar de larga escala, em nível mundial. "O país deveria incentivar a geração solar porque há uma série de vantagens sociais, ambientais e econômicas para se investir nessa modalidade de geração", afirma.

O estudo da Carta do Sol mostra que, ao contrário do que muitos imaginam, o principal potencial de aproveitamento solar não está no abastecimento das zonas rurais, embora nesse caso o uso dessa tecnologia tenha um grande impacto social. "O maior crescimento será na geração industrial, com as empresas se transformando em produtores descentralizados de energia solar, enquanto o nicho residencial crescerá mais lentamente", prevê La Rovere.

Outra conclusão importante do estudo é que a energia solar fotovoltáica pode ter um papel muito importante para a qualidade do fornecimento de eletricidade no Brasil. "O sistema interligado nacional foi construído em malha aberta e tem as pontas da rede muito mal atendidas", explica La Rovere. "A instalação de usinas solares nessas extremidades aumentaria a estabilidade e a qualidade do abastecimento." Isso poderia garantir o suprimento para instalações industriais localizadas nessas pontas de rede, acrescenta. "Como no polo de Tubarão, no Espírito Santo, por exemplo".

Mas como superar a barreira do preço? Hoje, enquanto 1 MW/h gerado em usinas eólicas ou térmicas a gás natural sai por cerca de R$ 100 nos leilões de energia elétrica, o custo médio de geração solar fica entre R$ 300 e R$ 400. Marcelo Corrêa, presidente do Grupo Neoenergia, observa que os incentivos regulamentados até agora não permitem que a energia solar fotovoltáica possa competir com outras fontes para geração em grandes centrais. "Para isso, leilões específicos teriam que ser promovidos até o custo cair a ponto de ficar competitivo, como ocorreu com as eólicas".

A saída, diz La Rovere, está na proximidade. "O consumidor paga R$ 500 pelo MW/h, por isso, gerar energia solar no ponto de consumo já é competitivo".


Fonte: Valor Econômico
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