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Brasil

Indústria quer cobrar prejuízos com apagão

09/02/2011 | 09h40
A indústria do Polo de Camaçari, na Bahia, já registra um prejuízo diário de R$ 30 milhões em função do blecaute originado nas linhas de transmissão e subestação da Chesf e que atingiu o Nordeste do país na sexta-feira passada.
 
 
As estimativas são das empresas ligadas à Associação dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace) e já se estima que em todo o Nordeste o prejuízo se aproxime de R$ 100 milhões. As perdas da grande indústria são só a ponta de um problema que vem se intensificando desde o grande apagão de 2009, que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) creditou ontem à empresa Furnas, e que tem atingido consumidores por todo o país.
 
 
Nos 12 meses encerrados em novembro de 2010, e que portanto já exclui todo o efeito do apagão de novembro de 2009, o consumidor brasileiro enfrentou 20 horas de falta de energia elétrica, número superior ao total de 17 horas de falta de luz enfrentadas em 2008 e também acima das 19 horas do ano de 2009, que incluía o próprio efeito do apagão daquele ano.
 

Distribuidoras e transmissoras de energia atribuem os problemas à grande quantidade de chuva ou queda de árvores para pequenos apagões. Mas no caso da Chesf, a causa ainda não está clara. Tampouco a Companhia Transmissão Paulista (Cteep), responsável por blecaute que atingiu parte da cidade de São Paulo informou as causas para seus transformadores terem se autodesligado ontem.
O secretário de energia do Estado de São Paulo, José Anibal, diz que no dia anterior, em reunião da secretaria, já se percebia um gargalo na subestação Bandeirantes, da Cteep. A empresa deveria ter colocado em operação em abril do ano passado uma nova subestação em operação para tirar a carga sobre a subestação Bandeirantes. As obras da nova subestação, a de Piratininga, só foram iniciadas em dezembro por problemas ambientais. O terreno previsto inicialmente para a instalação da subestação estava contaminado.
 

O atraso, entretanto, está registrado. Reportagem do Valor de setembro do ano passado já apontava um atraso crônico em obras de linhas de transmissão e subestações pelo país. Na época mais de seis mil quilômetros (km) em linhas estavam atrasados e centenas de subestações.
 

O presidente da Abrace, Paulo Pedrosa, diz que todo o prejuízo sofrido pela indústria nordestina será cobrado pelo responsável pelo apagão. "Nós consumidores pagamos e pagamos caro pela proteção dupla do sistema, com linhas que não são usadas para evitar esse tipo de evento, portanto não vamos pagar mais uma vez essa conta", diz Pedrosa. Algumas indústrias do Polo ainda estão paradas porque o desligamento abrupto exige, agora, uma limpeza antes do religamento.
 

Ontem, a Aneel manteve uma multa de R$ 43 milhões contra Furnas e com isso a empresa passa a ser responsável pelo apagão, abrindo margem para que consumidores também cobrem prejuízos do apagão de 2009 à empresa. A companhia do grupo Eletrobras terá que recorrer à Justiça se quiser reverter essa multa.
 

Não são só os grandes apagões que afetam empresas e residências. O número de pequenos apagões tem crescido fortemente. O aumento do tempo e da frequência dos cortes de energia mostra uma queda no nível de qualidade do serviço, reflexo de atrasos e falta de investimentos em manutenção em diferentes elos da cadeia de fornecimento de energia.
 
 
Esse acompanhamento é realizado pela Aneel, mas na prática, exerce pouca pressão sobre as empresas, segundo Nivalde José de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico do Instituto de Economia da UFRJ (Gesel). Isso porque o valor gerado pelas multas era destinado a um fundo que poderia ser acionado para o investimento em melhoria do serviço. "Isso é pouco eficiente", avalia. A partir do novo modelo, o consumidor deve receber na conta o desconto devido pela falta do fornecimento da energia.
 
 
Na área da Eletropaulo, por exemplo, os consumidores ficaram sem energia por oito horas em 2008, tempo que saltou para 16 horas em 2009, reflexo do blecaute provocado pelo problema em Furnas. Em novembro de 2010, o padrão na distribuição em 12 meses não atingiu os níveis pré-apagão. Os moradores de São Paulo ficaram 11 horas sem energia de dezembro de 2009 a novembro de 2010.
 

Na Bahia, a Coelba também apresentou um aumento do número de horas com corte no fornecimento de 14 horas em 2008 para 15 horas em 2009. Em maio de 2010, contando os últimos 12 meses, foram 20 horas de interrupção na distribuição de energia.


Fonte: Valor Econômico
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