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Gás natural

Indefinição na Bolívia afetará próximo leilão de energia

12/04/2006 | 00h00

O suspense criado na Bolívia com relação às novas regras para o setor de gás natural, agravadas na semana passada com a redução das exportações devido a um acidente, não afeta apenas a Petrobras mas também os investimentos bilionários de outras petroleiras que operam naquele país, e a própria expansão do Gasoduto Bolívia Brasil (Gasbol). Como conseqüência, o próximo leilão de energia, marcado para 12 de junho, não vai contar com oferta de energia de novas termoelétricas pela falta de gás.

A Electricité de France (EDF) aguarda apenas um contrato de fornecimento de gás para definir se poderá continuar os planos de construção da termoelétrica de Paracambi (RJ), o que pode definir a permanência da gigante francesa no Brasil depois de efetivada a venda da Light.

Outra empresa que precisa ansiosamente de gás para oferecer parte de sua energia é Furnas Centrais Elétricas, que investiu mais de R$ 500 milhões para conversão da térmica de Santa Cruz para a queima de gás natural. Com isso, Furnas aumentou a capacidade instalada da usina para 950 megawatts (MW), dos quais 350 MW movidos a gás.

A usina de Santa Cruz, que aderiu ao finado Programa Prioritário de Termoeletricidade (PPT), precisa de 2,4 milhões de metros cúbicos/dia de gás natural para gerar 350 MW. Mas a unidade não tem contrato de fornecimento do insumo. E sequer conseguiu quantidade de combustível suficiente para fazer o comissionamento, que são os testes necessários para provar que a usina está em condições de operar normalmente.

Por outro lado, depois de amargar perdas com a ociosidade do gasoduto Bolívia-Brasil em 2002 e 2003, a Petrobras vem respondendo com um sonoro não às empresas interessadas em novos contratos depois da retomada do mercado de energia pós-racionamento.

Sem o gás da Petrobras, a EDF fechou um contrato de fornecimento com sua conterrânea Total, dona de jazidas de gás na Bolívia. Mas nesse caso aparece outro nó no caminho: ainda não existe capacidade ociosa no Gasoduto Bolívia Brasil (Gasbol) para transportar quantidades adicionais à capacidade atual do duto, que é de 30 milhões de metros cúbicos/dia, todos garantidos pela Petrobras.

A falta de gás afeta o suprimento de energia porque o próximo leilão tem características térmicas. As distribuidoras estarão comprando energia, por meio da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em contratos que terão início da entrega em 2009. Isso significa que a maior parte da oferta terá que ser termoelétrica - a gás, carvão ou óleo - considerando que o prazo é curto para construção de uma hidrelétrica, que demora de cinco a seis anos, no mínimo.

O entrelaçamento de todas essas questões afetam o setor energético brasileiro de forma crítica. Uma das empresas que participam do processo inicial de expansão do Gasbol acha que o resultado do chamado "concurso de capacidade", conduzido pela Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia Brasil (TBG), deveria encerrar-se apenas depois do leilão de energia. Este concurso é processo por meio do qual as petroleiras manifestaram à TBG o interesse de alugar espaço no Gasbol. A TBG recebeu manifestações de interesse para ampliar em 36 milhões de metros cúbicos a capacidade de transporte do gás boliviano, o que significa mais que dobrar o gasoduto em um investimento estimado em US$ 1,5 bilhão.

Mas as empresas interessadas na ampliação acham que teriam mais segurança se a decisão final sobre a obra saísse depois do leilão de energia, em junho. Existem avaliações de que a decisão sobre o Gasbol veio em má hora, já que sinalizou para o governo boliviano que o Brasil precisa muito de gás em um momento em que o país andino ameaça com a nacionalização das reservas do insumo, ao mesmo tempo em que insiste em aumentar o preço do produto.

Além da Petrobras, as empresas que manifestaram interesse na expansão do Gasbol são a Repsol (6,6 milhões de metros cúbicos), Total (5,65 milhões), BG (6,1 milhões) e PanAmerican (2,7 milhões), que tem a inglesa BP como acionista. A TBG vai divulgar em maio o resultado dos cálculos que dirão o preço da expansão e a tarifa que os interessados terão de pagar.

Mas há quem aposte na permanência apenas da Petrobras, apesar de a estatal brasileira não ser sócia dos dois campos gigantes na Bolívia que podem iniciar a produção mais rapidamente: Itau (que tem a Total como operadora em associação com a GB e a ExxonMobil) e Margarita (operado pela Repsol, que tem como sócios a BG e a PanAmerican).



Fonte: Valor Econômico
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