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Energia Elétrica

Governo testa competitividade do gás

20/05/2011 | 09h50
O primeiro teste da competitividade do gás natural para geração de energia elétrica, com a perspectiva da sobreoferta do insumo, será feito pelo governo federal no primeiro leilão deste ano. A capacidade instalada das usinas que estarão na disputa representam a energia de pelo menos uma Jirau e uma Santo Antônio, megahidrelétricas que estão sendo construídas na Amazônia, e grandes elétricas, como a CPFL Energia, vão estrear em leilões de térmicas a gás natural.


Essa também será a primeira vez que as térmicas já entram na competição sabendo que terão que gerar pelo menos 30% de sua capacidade ao ano, ou seja, o preço final da energia do leilão terá que considerar essa premissa. O teste da competitividade do gás também poderá ser medido pelo fato de que esses empreendimentos terão que competir diretamente com projetos de energias alternativas (biomassa, eólica e pequenas centrais hidrelétricas).


A habilitação para a disputa terminou ontem, mas a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) não tem ainda os números finais dos cadastrados. Até semana passada, uma dúzia de projetos com capacidade de gerar mais de 6.600 MW já estavam cadastrados e todos com pré-contrato de fornecimento de gás fechado com a Petrobras. A mudança do perfil dos competidores, formado por grandes grupos, acabou sendo incentivada pela própria Petrobras que passou a exigir um capital mínimo de R$ 400 mil por MW instalado. A ideia é evitar novos casos como o do grupo Bertin, que atrasou uma série de térmicas.


Entre as grandes empresas que já confirmaram a habilitação estão CPFL Energia, MPX, Petrobras e EDP. Mas empresas menores também conseguiram seus contratos de gás e vão acirrar a disputa, como a Global Energia, empresa baiana que tem hoje cinco térmicas em operação e duas PCHs com uma capacidade de 500 MW e faturamento de R$ 500 milhões.


O vice-presidente da Global Energia, Fernando Magalhães, diz que a empresa já tem contrato com a Petrobras mas que não pode comentar as cláusulas, que são confidenciais. Ele diz apenas que são diferentes das que a Petrobras usava em 2009, ano que acabou não acontecendo o leilão de térmicas. Magalhães afirma que a competição com empreendimentos de energias alternativas será um desafio em função da chamada inflexibilidade (a obrigação de gerar 30%). "Esse custo terá que estar na tarifa do leilão", diz Magalhães.


As regras anteriores previam o preço da energia que define o vencedor do leilão e um preço de combustível a ser pago quando a usina é chamada a operar. Com a obrigatoriedade de gerar 30%, o preço do leilão passará a ter que considerar esse gasto. O pagamento à parte do combustível pelos consumidores se dará somente nos 70% restantes. Essa mudança é importante porque vai testar a competitividade do gás na geração de base, ou seja, iguala as térmicas às hidrelétricas. Esse é um desejo do governo federal em função da grande oferta de gás esperada com o pré-sal e também com os poços já descobertos.


O leilão de julho é de curto prazo e os projetos precisam ficar prontos em três anos. Nem todo mundo vai usar o gás da Petrobras. É o caso da MPX, empresa do grupo Eike Batista que vai usar o gás descoberto pela OGX, outra empresa do grupo, no Maranhão. Isso tende a dar grande competitividade ao grupo. O presidente da MPX, Eduardo Karrer, disse em teleconferências de resultados que as eólicas devem provocar grande disputa no leilão. A exemplo da MPX, a EDP também só comentou a participação, com um projeto no Espirito Santo, em teleconferência de resultados. Já o presidente da CPFL Energia, Wilson Ferreira Jr, disse em entrevista recente ao Valor que o primeiro passo da empresa no setor termelétrico a combustível fóssil foi com a compra da Epasa e agora a empresa tem expertise para brigar em leilões termelétricos.


Fonte: Valor Econômico
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