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Gás natural

GNL surge como melhor opção à escassez de petróleo

06/09/2004 | 00h00

Mesmo com as manchetes dos jornais estampando o preço do barril de petróleo a US$ 50, as empresas de energia e seus investidores estão ficando cada vez mais animados com o substituto mais provável do petróleo, o gás que é congelado e transportado como gás natural liquefeito (GNL).
A expectativa é que ele se tornará tão onipresente e crucial para a economia mundial quanto o petróleo é hoje. Planejadores de cenários da Royal Dutch/Shell acreditam que o gás poderá superar o petróleo como a mais importante fonte de energia até 2025.
Enquanto o petróleo ganhou importância crescente no último século, durante a maior parte desse período, o gás natural foi sendo queimado ou "aprisionado" quando descoberto por acidente, e raramente procurado.
A demanda por gás decolou em anos recentes, principalmente por ser ecologicamente correto - queima de uma maneira muito mais limpa que o petróleo ou o carvão, o que o torna ideal para novas usinas de geração de energia.
Até recentemente, o desenvolvimento de um mercado mundial de gás vinha sendo obstruído por um inconveniente. O gás é mais difícil de transportar do que o petróleo, que é líquido. Tradicionalmente, o gás sempre precisou de sistemas elaborados de dutos para transportá-lo do poço ao consumidor. Isso significa que ele sempre foi usado próximo de onde era produzido, embarcado via dutos a um custo elevado - ou mais freqüentemente, simplesmente perdido.
A ascenção do GNL promete mudar isso. Colocado de uma maneira simples, o gás pode ser congelado na forma líquida perto de sua fonte, embarcado para o mercado em navios-tanque refrigerados, aquecido de volta para a forma gasosa em praias estrangeiras e injetados nos sistemas de dutos locais. Graças a esse avanço tecnológico, o gás tem o potencial para ser uma commodity global como o petróleo.
Na verdade, países pobres em energia como o Japão e a Coréia do Sul há muito tempo dependem de uma forma bem pesada de GNL. Mas a disparada da demanda pelo gás desencadeou uma acelerada inovação e investimentos, que estão reduzindo o custo do GNL.
Os navios-tanque estão ficando maiores e mais disponíveis. Mesmo assim, o transporte do gás continua sendo muito mais intensivo, do ponto de vista do capital, do que o do petróleo. Construir "trens" típicos de GNL de 5 milhões de toneladas - que incluem unidades de liquefação, navios-tanque e terminais de regasificação - pode custar US$ 5 bilhões.
Assim, afirma um experiente executivo do setor de gás, "apenas umas poucas empresas podem jogar esse jogo". Mas a expectativa é de que a indústria de energia investirá US$ 100 bilhões na expansão do GNL na próxima década.
Essa expansão do GNL está sendo conduzida pelos Estados Unidos. Depois que a demanda pelo gás cresceu muito nos últimos anos, a oferta na América do Norte não acompanhou o ritmo, provocando um repique nos preços no ano passado. O mercado dos Estados Unidos está claramente pronto para o gás importado. Estima-se que as hoje fracas importações da América do Norte poderão disparar ao longo da próxima década, correspondendo ao que hoje é o mercado global inteiro de GNL.
Mesmo assim, especialistas em energia dos EUA já estão soando os sinais de alerta em relação ao aumento das importações de gás. Em particular, eles apontam para três preocupações de longa data em relação ao petróleo que eles agora acreditam que podem se aplicar ao gás também: escassez, preços sempre em alta e poder oligopolista.
Esta não é a primeira "crise" do gás natural. Na década de 70, temores de uma escassez mundial levaram governos a banir o uso do gás na geração de eletricidade. Os controles de preços nos EUA impediram o desenvolvimento de novos poços. Mesmo assim, nunca houve uma falta de gás de fato, mas sim uma falta de incentivo para as empresas procurá-lo.
Quando os EUA desregulamentaram seus mercados de gás, nos anos 80, proporcionando os incentivos a descobertas e ao mercado, os preços entraram em colapso - e permaneceram baixos durante mais de uma década. Desta vez , os preços dispararam porque - com exceção do Alasca, que é distante dos consumidores - a América do Norte está de fato ficando sem gás.
Mas o resto do mundo está inundado de gás. O motivo de isso não ter sido reconhecido antes, diz Joseph Naylor, que comanda os esforços da ChevronTexaco na área de gás, é que "as empresas simplesmente não procuraram gás antes".
Se a escassez não é uma preocupação séria, o que dizer dos preços sempre em alta? Há especialistas acreditando que os preços permanecerão altos por muitos anos, mesmo que o aumento atual da oferta acabe provocando uma bolha em algum momento.
Isso porque, com a capacidade de operação com o GNL levando anos para ser construída, a oferta vai crescer lentamente. Sara Banaszak, da consultoria PFC Energy, diz que o "GNL não conseguirá estourar a bolha dos preços nos próximos 6 a 8 anos".
E a terceira comparação com o petróleo: a ameaça de um novo cartel, uma versão da Opep para o gás? Cerca de três quartos das reservas mundiais estão na ex-União Soviética e no Oriente Médio. Amy Jaffe, da Rice University, teme que o aumento das importações do GNL possa dar à Rússia um enorme poder de mercado a partir de 2020.
O que dá à Arábia Saudita poder sobre os mercados de petróleo são seus investimentos em reservas, afirma David Victor, da Stanford University. Já os investimentos necessários para se criar capacidade sobressalente de GNL são muito maiores do que para o petróleo, de modo que ninguém com bom senso estará disposto a fazer isso.
Apesar do otimismo atual, os enormes riscos políticos e financeiros inerentes ao negócio do GNL significam que ainda não se tem certeza de que o boom vai mesmo ocorrer. O capital exigido é muito grande e a lembrança do colapso anterior dos preços, induzido pela desregulamentação nos EUA, ainda está viva na memória.
Mas aos preços de hoje, as recompensas potenciais são fabulosas para empresas com coragem, capital e competência para concluir projetos de GNL. Segundo um executivo do setor, "o gás será o combustível opcional pelo menos na primeira metade deste século, e a oferta flexível de longo prazo é a chave". Prepare-se para investimentos de US$ 100 bilhões, prelúdio do "século do gás natural".



Fonte: Valor Econômico
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