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Energia Nuclear

Geração nuclear pós-Fukushima pode cair 15%

04/11/2011 | 16h25
O desastre de Fukushima pode causar uma redução de 15% na geração mundial de energia nuclear até 2035, período em que a demanda energética deve crescer 3,1% ao ano, segundo uma versão preliminar, obtida pela Reuters, do relatório anual da Agência Internacional de Energia (AIE), chamado Perspectiva Energética Mundial.

Depois do acidente de março no Japão, vários países passaram a reconsiderar suas políticas nucleares, e alguns, como Alemanha e Suíça, optaram por abandonar totalmente essa forma de energia.

O relatório, a ser publicado na quarta-feira (9), desenvolve cenários energéticos em que a geração nuclear tenha um papel muito reduzido. A versão vista pela Reuters é datada de julho.

No cenário citado, "a capacidade total de geração energética nuclear cai de 393 gigawatts no começo de 2011 para 339 gigawatts em 2035", o que significa uma queda de 15%. No outro cenário avaliado, a capacidade do parque nuclear global subiria para 638 gigawatts.

O relatório deixa claro que o cenário de recuo nuclear não é uma previsão - apenas "se destina a ilustrar o que poderia resultar de uma visão pessimista para as perspectivas da indústria da energia nuclear".

"A parcela da energia nuclear na geração total cai de 13% para apenas 7% em 2035, com implicações para a segurança energética, a diversidade da matriz de combustíveis, os gastos com importação energética e as emissões de CO2 associadas à energia".

A AIE disse que a redução na geração de energia nuclear já causou um aumento na geração de energia a partir do petróleo e do gás. "O aumento da demanda para o petróleo no setor energético japonês em 2011 é estimado em algo entre 150 e 200 mil barris por dia, enquanto a demanda por GNL (gás natural liquefeito) tem previsão e aumentar em 11 bilhões de metros cúbicos", diz o relatório.

Isso equivale a 0,2% da oferta mundial de petróleo, e 0,4% da oferta de gás natural.

Mesmo assim, a previsão da AIE é de queda no valor do gás em longo prazo, "por causa das melhores perspectivas para a produção comercial de recursos gasíferos não-convencionais".

No cenário principal do relatório, o gás natural deve chegar em 2035 a valores entre 9 e 14 dólares por milhões de BTU (unidade-padrão de medida), dependendo da região. No relatório anterior da AIE, a previsão para 2035 era de 10,40 e 15,30 dólares por milhão de BTU.

No mesmo cenário, a demanda mundial por eletricidade deve saltar de 17.200 terawatts-hora, em 2009, para quase 31.500 terawatts-hora em 2035, a uma taxa anual de 3,1%.

O relatório disse que o investimento total no setor energético entre 2011 e 2035 deve ser de 16,8 trilhões de dólares.


Fonte: Agência Reuters
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