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Golfo do México

Gás surpreendeu tripulantes e levou caos à Deepwater

28/05/2010 | 10h15

Minutos depois que uma sequência de explosões arruinou a Deepwater Horizon, em 20 de abril, reinou o caos na plataforma de perfuração. As chamas se espalhavam rapidamente e operários aterrorizados pulavam no mar escuro e coberto de óleo.

Uma apuração do Wall Street Journal sobre o que aconteceu a bordo da Deepwater Horizon nos momentos antes e depois da explosão sugere que a plataforma não estava preparada para o tipo de desastre que se abateu. Os acontecimentos na ponte levantam dúvidas sobre o preparo dos líderes da plataforma para lidar com emergências e o esvaziamento dela, e, mais amplamente, até se havia nos Estados Unidos regras de segurança suficientes para operações tão complexas como a perfuração em águas profundas.

Este relato do que aconteceu a bordo da plataforma por ocasião das explosões, que mataram 11 pessoas, se baseia em entrevistas com sobreviventes, seus depoimentos por escrito e à Guarda Costeira e em documentos internos da operadora da plataforma, a Transocean Ltd., assim como da dona do poço, a BP PLC.

Em respostas por escrito ao WSJ, a Transocean afirmou que o período entre o primeiro sinal de problemas e a catastrófica explosão foi curto demais para que a tripulação pudesse fazer qualquer coisa para prevenir ou minimizar o desastre. A empresa informou também que a cadeia de comando da plataforma estava organizada e "não atrapalhou o tempo ou a atividade de reação".

A BP não quis comentar sobre o que aconteceu em 20 de abril.

Nos minutos antes da explosão, quase ninguém a bordo percebeu que um problema grave estava surgindo, exceto por alguns operários no andar de perfuração - o mais alto dos três níveis da gigantesca estrutura.

Quase 20 homens estavam operando o aparato de perfuração, que já tinha penetrado quase 4.000 metros de rocha a cerca de 1.500 metros de profundidade no Golfo do México.

Eram 21h47 quando os operários da plataforma ouviram o chiado repentino do metano. Esse gás geralmente está presente no solo ao lado de jazidas de petróleo e contornar essa ameaça é um elemento habitual da perfuração. Quando o metano é detectado, como foi semanas antes do acidente, um fluido pesado de perfuração apelidado de "lama" é bombeado no poço para agir como contrapeso e impedir que o gás chegue à superfície.

Em dois minutos, a pressão causada pelo gás no poço subiu drasticamente, indicam registros de operação da plataforma. Um jorro de metano atingiu a plataforma e a estrutura inteira ficou sem eletricidade.

Andrea Fleytas estava na ponte monitorando a localização e estabilidade da plataforma. Os equipamentos desligaram brevemente até que uma bateria de reserva começou a funcionar.

Vários alarmes de gás dispararam.

Um dos oito motores gigantescos que mantinham a plataforma estável estava acelerando fora de controle.

Antes da enorme erupção de gás, nenhum indício de metano havia sido detectado na Deepwater Horizon. Então, não se declarou uma emergência de gás de "Nível 1" - quando se descobrem níveis "perigosos" de gás no poço, segundo as regras de segurança da Transocean -, segundo tripulantes. Isso significa que a tripulação não recebeu nenhum alerta geral para que se preparasse para problemas e não houve uma ordem para desligar qualquer coisa que pudesse incendiar o gás.

As regras da plataforma estipulam que no evento de uma emergência como essa, os dois mais altos executivos - em 20 de abril eles eram Donald Vidrine, executivo sênior da BP na plataforma, e o gerente de instalação da Transocean, Harrell - tinham de ir à área do poço e avaliar a situação juntamente. Mas como não havia emergência declarada, nenhum deles o fez, segundo vários funcionários da plataforma.

A Transocean afirma que a cadeia de comando e os padrões de segurança da plataforma foram seguidos e funcionaram eficazmente sob as circunstâncias.

Harrell não retornou telefonemas.

A BP respondeu que Vidine não estava disponível para comentar.

Quatro chamadas de emergência foram feitas a partir da área do poço para o alto escalão da tribulação nos momentos antes da explosão, segundo um documento da BP visto pelo WSJ. Uma foi para Vidrine, segundo anotações sobre uma declaração que ele deu à Guarda Costeira e que foram vistas pelo WSJ. Vidrine correu para a área do poço, mas já "havia lama por todo lugar", disse ele à Guarda Costeira.

Por volta das 21h50 Stephen Curtis, de 39 anos, perfurador assistente de Jason Anderson - um petroleiro de 35 anos que estava supervisionando o pessoal da área do poço -, ligou para o mecânico-chefe da plataforma, Randy Ezell, que estava no dormitório, segundo um depoimento de Ezell à Guarda Costeira a qual o WSJ teve acesso. Curtis disse que o metano estava subindo o poço e os operários estavam prestes a perder o controle.

Dois funcionários da plataforma que mais tarde discutiram o assunto com Ezell disseram que ele foi informado de que Anderson ia ligar a válvula de prevenção de estouros, um aparelho de 450 toneladas desenhado para cortar o tubo de perfuração no fundo do mar e selar o poço em menos de um minuto. Se acionado em tempo, ele poderia ter evitado as explosões, ou pelo menos limitar a escada do desastre, segundo alguns especialistas em perfuração.

Ezell preparou-se para ir para a área do poço, segundo sua declaração.

Segundos depois, o metano, mais pesado que ar, pegou fogo, provavelmente devido ao motor que estava acelerando sem controle, criando uma explosão catastrófica que destruiu segmentos cruciais da Deepwater Horizon, despedaçou pelo menos um dos motores e incendiou boa parte da plataforma, permitindo que o petróleo começasse a escapar para o mar.

Anderson e Curtis certamente foram morto instantaneamente, segundo outros operários.

Também o foi o veterano perfurador Dewey Revette. Seis homens que trabalhavam perto também morreram. Donald Clark, um perfurador assistente que correu pelas escadas para ajudar, também morreu.

Dale Burkeen, que operava o guindaste de estibordo, tentava se afastar dele quando houve a explosão. O impacto o derrubou da passarela, segundo outros operários, e ele morreu após uma queda de mais de 15 metros até o convés.

Uma série de explosões se seguiu. Tripulantes foram lançados contra as paredes dos compartimentos e muitos tiveram fraturas, cortes e queimaduras sérias.

Da ponte, o imediato David Young correu para fora para investigar as explosões e preparar o combate a incêndio. Quando ele só encontrou um tribulante equipado para isso, ele voltou à ponte. Tribulantes dizem que nenhum esforço significativo de combate a incêndio foi efetuado. "Não tínhamos bombas. Não havia nada a fazer senão abandonar o navio", disse o Kuchta ontem, em depoimento para a Guarda Costeira.

"A cena era um caos", disse o operário Carlos Ramos ao WSJ.

Operários feridos se espalhavam pelo convés. "Não havia cadeia de comando. Ninguém dava ordens", disse Ramos.

Operários aterrorizados começaram a pular no mar - um salto de 20 metros rumo à escuridão. Rupinski passou um rádio para ponte avisando que os operários estavam pulando no mar.

Um porta-voz da Transocean disse que a companhia ainda não conseguiu determinar exatamente o que aconteceu na área botes salva-vidas e quantos

operadores de botes salva-vidas estavam disponíveis.

Kuctha e cerca de dez outros executivos e tripulantes de alto escalão, incluindo Fleytas, estavam na ponte, que ainda não estava ameaçada pelo incêndio. Quando ficaram sabendo que os operários estavam pulando, o supervisor de Fleytas alertou no rádio que havia "homens ao mar".

O Bankston, um barco de suprimento que, a esta altura, estava a centenas de metros da plataforma incendiada, recebeu a mensagem. O Bankston lançou um barco pequeno na água e começou a resgatar as pessoas.

Vidrine e Harrell, os dois executivos

de mais alto escalão, apareceram na ponte. Vidrine depois disse à Guarda Costeira que um painel na ponte mostrava que a equipe de perfuração, que então estava morta, já tinha fechado a grossa membrana em torno da broca.

Mas a válvula que cortaria o tubo de perfuração e fecharia o poço não havia sido acionada com sucesso. Alguns tripulantes na ponte disseram que ela precisava ser acionada, e um executivo de grau mais alto havia dito que isso fosse feito, segundo um relato à Guarda Costeira. Então outro tripulante disse que a válvula não podia ser acionada sem permissão de Harrell, que então deu o OK. Às 21h56, o botão foi pressionado, aparentemente sem efeito, segundo um documento interno da BP.

Sob as regras de segurança da Transocean, a decisão de evacuar tinha de ser tomada pelo capitão Kuchta e Harrell, o gerente de instalação. Alarmada com a situação, Fleytas lembrou na entrevista que ligou o sistema de comunicação e disse: "Estamos abandonando a plataforma."

No total, o Bankston resgatou 115 pessoas, incluindo 16 seriamente feridas.

Um porta-voz da Transocean diz que o fato de que houve tantos sobreviventes "é um testamento da liderança, treino e ações heróicas" da tripulação.

A bordo do Bankston, os funcionários da Deepwater Horizon assistiam à plataforma queimar.

Mais de 24 horas depois, ela afundou em 1.500 metros de água.



Fonte: Valor Online / The Wall Street Journal
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