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Panorama Mundial

Fundador do Greenpeace defende energia nuclear

19/11/2008 | 03h14

O consultor canadense Patrick Moore, de 60 anos, quer no mínimo 600 usinas nucleares instaladas no mundo num curto prazo, ou 160 a mais do que existe atualmente. “Somente com uma política agressiva nesta linha é possível reduzir o domínio da era fóssil”, defende. Pregando que somente este tipo de energia e a hidrelétrica - “em abundância no Brasil”, frisa - são “limpas” e eficazes por não contribuírem com o aquecimento global.

 

Para ele, tanto a energia solar quanto a eólica - bastante defendidas pelos ambientalistas - são mais caras e não têm como ser adotadas em larga escala hoje. “Agora pararam um pouco de falar do efeito estufa, por conta da crise econômica, mas logo esta polêmica será retomada e o assunto debatido de novo de maneira errada”, disse em palestra no Rio, que lotou o auditório do XII Congresso Brasileiro de Energia.

 

Conhecido por ser um dos fundadores do Greenpeace, Moore foi afastado da organização após rever sua posição e passar a defender temas combatidos pelos ativistas, como a energia nuclear ou mesmo os alimentos transgênicos. “Muito do que dissemos no início do ativismo foi errado. A principal besteira foi ter colocado no mesmo balaio a energia nuclear e a bomba atômica. Seria o mesmo que impedir o desenvolvimento da medicina nuclear que tantas vidas já salvou”, argumentou o consultor.


Polêmico, o próprio Moore utiliza o documento assinado por cerca de 19 mil cientistas norte-americanos contra o protocolo de Kyoto para indagar diante da platéia se o aquecimento global realmente é provocado por esta emissão de gases. Utilizando mapas das eras geológicas, ele situa a temperatura média mundial com o passar dos bilhares de anos e comenta que entre os ciclos de temperatura mais aquecida, a média na Terra atingia 22ºC, enquanto nas eras mais geladas, como a glacial, chegava a 12ºC.

 


Se sobram críticas aos antigos companheiros ambientalistas, não faltam elogios às alternativas brasileiras para uso de fontes energéticas não-fósseis. Ele lembra que o país, além de ter mais de 80% de sua energia proveniente da hidrelétrica, desenvolveu o que chama de “excelente programa” de queima do álcool para veículos.

 

O consultor cita ainda a possibilidade de queima do bagaço da cana como uma outra oportunidade a ser considerada mundialmente, assim como o uso da celulose para gerar energia.

 

“Defendo cada vez mais um reflorestamento para que possamos usar esta madeira não só em móveis, mas também para produzir energia e ainda a utilização de todos os tipos de dejetos e rejeitos para a mesma finalidade, seja lixo, bagaço ou até o próprio resíduo nuclear”, defendeu, lembrando que, especialmente no caso do resíduo nuclear, há o mito de acreditar que ele levaria milhões de anos para ter extinta sua radiação. “Leva apenas 40 anos na maior parte desse dejeto e ele pode ser reaproveitado brilhantemente”.



Fonte: Jornal do Commercio
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