acesso a redes sociais
  • tumblr.
  • twitter
  • Youtube
  • Linkedin
  • flickr
conecte-se a TN
  • ver todas
  • versão online
  • Rss
central de anunciante
  • anunciar no site
  • anunciar na revista
Petróleo

Fumaça de fábrica pode dar vida nova a campos de petróleo

24/02/2010 | 10h18

O dióxido de carbono que sai das chaminés não é exatamente uma commodity valiosa. Mas uma empresa americana lançou uma série de projetos para descobrir se pode usar as emissões da economia industrial para dar vida nova a campos petrolíferos envelhecidos.

 

O andamento do projeto da Denbury Resources Inc. será acompanhado atentamente não apenas por ambientalistas, mas também por outros produtores de petróleo. Há décadas que as empresas injetam dióxido de carbono natural em poços já existentes. O gás funciona como um solvente, separando o petróleo das formações rochosas.

 

A Denbury é uma produtora regional de petróleo e gás natural de Plano, Texas, cuja principal fonte de dióxido de carbono é uma bacia perto de Jackson, no Estado do Mississippi. Ela espera aumentar esse suprimento, que é finito, com dióxido de carbono retirado de fábricas. Ela deve concluir no mês que vem a compra da Encore Acquisition Co., uma petrolífera da região das Montanhas Rochosas que estuda usar fontes parecidas de gás para rejuvenescer poços de petróleo.

 

Até meados de 2011, a Denbury planeja processar e transportar o primeiro carregamento de emissões industriais de uma fábrica da Dow Chemical Co. em Plaquemine, no Estado de Louisiana, para seus campos petrolíferos no Texas, por meio de uma rede de gasodutos que está construindo.

 

Embora o governo americano tenha anunciado recentemente financiamento para uma série de projetos de "captura de carbono industrial", o projeto da Dow é único porque parece ser economicamente viável sem a ajuda do governo.

 

A Denbury quer capturar inteiramente a emissão anual de dióxido de carbono da Dow, tirando das mãos dela um problema que equivale à emissão anual de 27.000 carros. A Denbury vai até pagar à Dow algumas centenas de milhares de dólares por ano, reajustados de acordo com a cotação do petróleo. A Dow - maior produtora de óxido de etileno, um químico básico usado em produtos que vão de garrafas a descongelantes para aviação - afirma que "está aberta a acordos de captura semelhantes", disse o porta-voz David Winder.

 

A reutilização da poluição industrial para produzir petróleo tem seus críticos, porque o dióxido de carbono não é eliminado permanentemente. Ele volta ao ar pelo escapamento do carro que usar esse petróleo. Mas os defensores da técnica observam que ela pode aumentar a oferta doméstica de petróleo e a Denbury afirma que usa uma tecnologia que enterra mais dióxido de carbono do que retira do subterrâneo.

 

"Nossa mensagem é que há dois benefícios. Um é o benefício de ter mais fontes domésticas de energia", diz Tracy Evans, presidente da Denbury. O segundo, diz ele, é que esse processo enterra pelo menos algumas emissões de gases do efeito estufa "permanentemente".

 

Mesmo assim, um obstáculo importante para ampliar essa solução para outros setores da economia é o custo.

A fábrica de óxido de etileno da Dow e alguns tipos de indústrias - como as fabricantes de fertilizante ou usinas de etanol - emitem um fluxo relativamente puro de dióxido de carbono.

 

Depois do tratamento, ele se torna tão eficiente quanto as formas naturais do gás, afirma a Denbury. As terméletricas a carvão e as refinarias, que emitem muito mais gases do efeito estufa, também lançam no ar altos níveis de mercúrio, enxofre e nitrogênio. Atualmente, o custo de limpar as emissões de refinarias e termelétricas a carvão e comprimi-las para transporte é proibitivo demais para as petrolíferas poderem usá-las.

 

O custo de tratar e transportar o dióxido de carbono produzido pela usina da Dow é um pouco maior que os US$ 10 a US$ 20 por tonelada que os produtores de petróleo gastam para extrair dióxido de carbono puro de fontes naturais, diz Evans. Ele calcula que só o custo do tratamento, sem contar transporte, fica entre US$ 50 e US$ 80 por tonelada de emissão de refinarias e termelétricas a carvão.

 

Por causa de obstáculos consideráveis como esses, o Departamento de Energia dos EUA prometeu recentemente investir milhões de dolares, e bilhões futuramente, para financiar projetos de captura de carbono em algumas usinas já existentes e em outras planejadas, que converteriam carvão em gás natural. Ela está financiando pesquisas sobre membranas que podem suportar as altas temperaturas das usinas e capturar as impurezas no dióxido de carbono.

 

Mas mesmo que todo o dióxido de carbono industrial dos EUA pudesse ser filtrado de um modo mais barato, não é uma solução completa. Tim Bradley, executivo da Kinder Morgan Energy Partners LP, cita um estudo que descobriu que o espaço nos campos petrolíferos em exploração só é suficiente para absorver cerca de 4% dessas emissões. Injetar dióxido de carbono em campos já esgotados de petróleo e gás natural pode expandir isso um pouco. "Não é uma panaceia mas certamente já é um passo à frente nessa estrada", disse Bradley.



Fonte: Valor Econômico
Seu Nome:

Seu Email:

Nome do amigo:

Email do amigo:

Comentário:


Enviar