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Gás natural

Fenômeno natural expulsa agricultores

06/02/2006 | 00h00

Emanações de gás prometem riqueza, mas impedem plantio e provocam migração.

A fertilidade em gás natural e petróleo nas terras de Antônio da Batalha esterilizaram seus planos de agricultor. Desistiu de cultivar na propriedade onde vive há 50 anos porque a presença do combustível não deixa a plantação vingar. Aos 63 anos, Antônio não sabe o que fazer com os hectares que possui. Como ele, 30 famílias que repartem os dez mil quilômetros quadrados da Fazenda de Capão Celado, em Buritizeiro, amaldiçoam as emanações. Muitos foram embora. O sustento vem da roça que cultiva na lavoura ao lado, do amigo Messias Afonso Velloso. “Os técnicos da ANP vieram cá e nos avisaram que nem adiantava plantar”, conta Messias. O gás e o petróleo impedem a renovação dos nutrientes da terra. Quanto mais se lavra, atingindo camadas profundas do solo, menor a chance de que o plantio prospere.
– Os nutrientes são renováveis em situação normal. Os hidrocarbonetos não deixam haver renovação do solo – detalha Wilson Guerra, geológo da Universidade de Ouro Preto. Nas terras pretas, a primeira plantação brota naturalmente. A segunda já não é tão garantida. “Na terceira vez não há broto que resista; nem plantamos mais”, explica Messias.

“Sou tão pobre que nem mulher tenho”, lamenta Antônio da Batalha. Ele nem imagina que a chegada de petroleiras na região pode mudar sua vida. Não sabe que terá direito a participação de superficiário (palavra que ainda não entrou em seu vocabulário de sertanejo) se houver produção de gás e óleo nos próximos anos. Quem sabe, assim, não conseguirá um casamento?

Também sem noção das compensações que a terra preta pode oferecer, todos os parentes de Antônio da Batalha abandonaram Capão Celado em busca de locais mais adequados ao plantio. Os tios de Messias fizeram o mesmo. Na sua propriedade, algumas áreas são improdutivas, mas há espaço para culturas de mandioca, arroz, feijão, abacaxi. A produção satisfaz as necessidades das dez pessoas que dividem o mesmo teto. E ainda sobra para vender e ajudar os amigos sem a mesma sorte.

As dificuldades dos agricultores vão além. Falta tecnologia, sobra cupim, que come a plantação. Os agricultores se queixam também da dificuldade de irrigação, ainda que a distância do Rio São Francisco seja de poucos quilômetros. E já vislumbram o uso de royalties do petróleo e gás para melhorar de vida. “De alguma maneira, esse negócio tem que ajudar a recuperar esse tempo gasto”, diz Messias.



Fonte: Jornal do Brasil
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