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Aço

Excesso de produção da gigante siderurgia chinesa ameaça o setor

03/06/2013 | 10h54

 

Depois de se transformar, nos últimos dez anos, no grande motor de consumo de matérias-primas do mundo para abastecer sua economia, a China vem trazendo enormes preocupações aos investidores globais, em função da desaceleração das atividades. O maior temor, além do fato de ter esfriado sua voracidade por bens como cobre, níquel, celulose e papel, alumínio e outras commodities, é que a indústria chinesa inunde ainda mais nos próximos anos os mercados com seus produtos, semi-elaborados e acabados.
Na siderurgia isso já vem ocorrendo de forma gradual ao longo dos anos e tende a se acentuar, pois a produção de aço no país, apesar do desaquecimento da demanda local, continua acelerada. Está na faixa de 65 milhões de toneladas por mês. Isso correspondente a duas vezes o montante fabricado pelo Brasil em um ano.
Números que acabam de ser divulgados pela World Steel Association (WSA), entidade que reúne 63 países produtores de aço no mundo, mostram que a siderurgia chinesa avançou muito em uma década: em 2012, respondeu por 46,3% de todo o aço fabricado no mundo. Dez anos antes, essa fatia era de 20,1%.
Em 2002, ficava atrás dos 20,8% da União Europeia e América do Norte, com Estados Unidos à frente, e o Japão ainda tinha forte representação no bolo global. Após a crise de 2008, japoneses, europeus e americanos perderam mais força nessa indústria: no ano passado, a parcela dos países da UE foi de 11%; do Nafta, 7,8%; e a japonesa, de 6,9%.
Conforme a WSA, a indústria chinesa do aço encerrou o ano passado com 716 milhões de toneladas, bem distante das 182 milhões de dez anos antes, embora já como líder global do setor. Entre as dez maiores siderúrgicas internacionais, no último ranking da entidade já figuram seis chinesas. Foram desalojadas ao longo dos anos as americanas US Steel e Nucor, a italiana Riva e a alemã ThyssenKrupp. Esse movimento forçou várias fusões de fabricantes, como a japonesas Nippon Steel e Sumitomo, no ano passado.
Esse arranque da China, que hoje ameaça os mercados das indústrias dos demais continentes, todavia, foi uma dádiva para o setor de mineração de ferro e carvão, duas importantes matérias-primas do aço. O Brasil se beneficiou disso, por ser o segundo maior produtor de minério de ferro do mundo. Hoje, de tudo que exporta da matéria-prima, cerca da metade é para suprir usinas chinesas. O grande problema é que boa parte do que vai volta na forma de aço direto e outra importante parcela como bens acabados, caso de automóveis, máquinas de lavar, geladeiras, autopeças e equipamentos.
Até pouco tempo atrás, os produtos siderúrgicos que saíam das usinas chinesas eram totalmente voltados para atender ao consumo doméstico. O destino eram as fábricas de automóveis, indústria de autopeças, obras de infraestrutura, construção imobiliária, bens de linha branca e o setor de máquinas e equipamentos, voltadas para o consumo da própria população chinesa.
No ano passado, a China teve participação 45,7% sobre o montante de 1,41 bilhão de toneladas do consumo aparente de aço acabado do mundo, de acordo com os dados da WSA. O dobro dos 23,3% de 2002. Deixou para trás, bem longe no retrovisor, os EUA, a União Europeia e o Japão.
Com sua produção em alta e a demanda doméstica arrefecida, no ano passado a China exportou 54,3 milhões de toneladas de aço. Na mão inversa, importou, para o tamanho de seu consumo, "apenas" 14,2 milhões de toneladas.
Ou seja, a siderurgia chinesa teve uma exportação líquida de quase 41 milhões de toneladas. Os destinos foram os mais diversos. Além de Europa e EUA, os países da América Latina se tornaram um grande alvo. Era onde a demanda ainda se mostrava forte, como no Brasil.
Somadas a isso estão as exportações indiretas de aço, aliás, o fato que mais atemoriza as siderúrgicas locais. Segundo o levantamento da WSA, em 2011 (último dado disponível), o volume saído da China, em aço equivalente, foi de 71,4 milhões de toneladas - duas vezes a produção anual de aço bruto brasileira. As importações totalizaram 13,6 milhões de toneladas, atrás de EUA e Alemanha.
Se provocou enorme frenesi entre os produtores de bens primários do mundo a partir de 2003/2004, abrindo uma corrida de investimentos mundo afora para atender sua voraz demanda, a China agora é sinônimo de ameaça ao parque industrial de muitos países.

Depois de se transformar, nos últimos dez anos, no grande motor de consumo de matérias-primas do mundo para abastecer sua economia, a China vem trazendo enormes preocupações aos investidores globais, em função da desaceleração das atividades. O maior temor, além do fato de ter esfriado sua voracidade por bens como cobre, níquel, celulose e papel, alumínio e outras commodities, é que a indústria chinesa inunde ainda mais nos próximos anos os mercados com seus produtos, semi-elaborados e acabados.


Na siderurgia isso já vem ocorrendo de forma gradual ao longo dos anos e tende a se acentuar, pois a produção de aço no país, apesar do desaquecimento da demanda local, continua acelerada. Está na faixa de 65 milhões de toneladas por mês. Isso correspondente a duas vezes o montante fabricado pelo Brasil em um ano.


Números que acabam de ser divulgados pela World Steel Association (WSA), entidade que reúne 63 países produtores de aço no mundo, mostram que a siderurgia chinesa avançou muito em uma década: em 2012, respondeu por 46,3% de todo o aço fabricado no mundo. Dez anos antes, essa fatia era de 20,1%.


Em 2002, ficava atrás dos 20,8% da União Europeia e América do Norte, com Estados Unidos à frente, e o Japão ainda tinha forte representação no bolo global. Após a crise de 2008, japoneses, europeus e americanos perderam mais força nessa indústria: no ano passado, a parcela dos países da UE foi de 11%; do Nafta, 7,8%; e a japonesa, de 6,9%.


Conforme a WSA, a indústria chinesa do aço encerrou o ano passado com 716 milhões de toneladas, bem distante das 182 milhões de dez anos antes, embora já como líder global do setor. Entre as dez maiores siderúrgicas internacionais, no último ranking da entidade já figuram seis chinesas. Foram desalojadas ao longo dos anos as americanas US Steel e Nucor, a italiana Riva e a alemã ThyssenKrupp. Esse movimento forçou várias fusões de fabricantes, como a japonesas Nippon Steel e Sumitomo, no ano passado.


Esse arranque da China, que hoje ameaça os mercados das indústrias dos demais continentes, todavia, foi uma dádiva para o setor de mineração de ferro e carvão, duas importantes matérias-primas do aço. O Brasil se beneficiou disso, por ser o segundo maior produtor de minério de ferro do mundo. Hoje, de tudo que exporta da matéria-prima, cerca da metade é para suprir usinas chinesas. O grande problema é que boa parte do que vai volta na forma de aço direto e outra importante parcela como bens acabados, caso de automóveis, máquinas de lavar, geladeiras, autopeças e equipamentos.


Até pouco tempo atrás, os produtos siderúrgicos que saíam das usinas chinesas eram totalmente voltados para atender ao consumo doméstico. O destino eram as fábricas de automóveis, indústria de autopeças, obras de infraestrutura, construção imobiliária, bens de linha branca e o setor de máquinas e equipamentos, voltadas para o consumo da própria população chinesa.


No ano passado, a China teve participação 45,7% sobre o montante de 1,41 bilhão de toneladas do consumo aparente de aço acabado do mundo, de acordo com os dados da WSA. O dobro dos 23,3% de 2002. Deixou para trás, bem longe no retrovisor, os EUA, a União Europeia e o Japão.


Com sua produção em alta e a demanda doméstica arrefecida, no ano passado a China exportou 54,3 milhões de toneladas de aço. Na mão inversa, importou, para o tamanho de seu consumo, "apenas" 14,2 milhões de toneladas.


Ou seja, a siderurgia chinesa teve uma exportação líquida de quase 41 milhões de toneladas. Os destinos foram os mais diversos. Além de Europa e EUA, os países da América Latina se tornaram um grande alvo. Era onde a demanda ainda se mostrava forte, como no Brasil.


Somadas a isso estão as exportações indiretas de aço, aliás, o fato que mais atemoriza as siderúrgicas locais. Segundo o levantamento da WSA, em 2011 (último dado disponível), o volume saído da China, em aço equivalente, foi de 71,4 milhões de toneladas - duas vezes a produção anual de aço bruto brasileira. As importações totalizaram 13,6 milhões de toneladas, atrás de EUA e Alemanha.


Se provocou enorme frenesi entre os produtores de bens primários do mundo a partir de 2003/2004, abrindo uma corrida de investimentos mundo afora para atender sua voraz demanda, a China agora é sinônimo de ameaça ao parque industrial de muitos países.



Fonte: Valor Econômico
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