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Escassez

Etanol em perigo na Europa

06/10/2008 | 04h31

O setor do etanol na Europa e nos Estados Unidos já teme por uma seca prolongada. Mas não em suas terras férteis, mas na capacidade dos bancos de continuarem emprestando dinheiro para os projetos de usinas. Um levantamento feito por um banco internacional apontou que o setor de energias renováveis pode acumular uma dívida de 21 bilhões de euros por ano no processo de expansão de sua produção na Europa. Sem créditos, a tendência é de que muitos projetos sejam abandonados.

 

O levantamento feito pelos economista do Rabobank indica que, até 2020, a Europa fará investimentos de 85 bilhões de euros no setor de etanol, energia solar e outras formas alternativas para chegar à meta de garantir que 20% das fontes não dependam do petróleo. Mas com a quebra do Lehman Brothers, e da compra do Merrill Lynch pelo Bank of America e pelo menos quatro intervenções importantes nos bancos europeus pelos governos, a previsão é de que haverá uma seca nos empréstimos.

 

Apenas em 2007, o setor de energia solar e eólica consumiu investimentos de 18 bilhões de euros. A previsão é de que vão aplicar outros 85 bilhões de euros a cada ano até 2020. Segundo os economistas do Rabobank, a estimativa é de que a cada ano dívidas de 21 bilhões de euros terminarão sem encontrar um financiador, se o atual cenário for mantido.

 

A projeção aponta que um dos setores que bancos vão reduzir de forma drástica os créditos são para a área de construção e infra-estrutura. Grande parte dos projetos de energia renovável dependerá de amplos recursos para a construção de novas infra-estruturas. Outro impacto negativo para o setor será a relutância de empresas tradicionais de investir nesse momento em reduzir emissões de CO2 em suas produções.

 

Os principais lobbies industriais europeus estão pressionando seus governos para que abandonem a meta de ter 20% da energia do continente europeu movido por fontes alternativas. Isso porque a medida exigiria investimentos que, hoje, as empresas não teriam condições de fazer sem créditos abundantes por parte dos bancos.

 

Alguns analistas ainda apontam que uma bolha poderia ter sido formada nos últimos anos no setor de energia eólica e essa percepção está hoje assustando os bancos. Para especialistas da área, os preços de projetos de energia eólica estão se assemelhando aos níveis de risco do setor imobiliário americano antes da crise do sub-prime.

 

A esperança, segundo o levantamento do Rabobank, é de que novas fontes de capital possam surgir em alguns meses para preencher a lacuna deixada pela seca nos créditos dos grandes bancos. Uma das opções poderia ser os fundos de pensão. Outro impacto pode ocorrer na produção de etanol e mesmo nos investimentos de empresas em pesquisa para o desenvolvimento de uma segunda geração de biocombustíveis.

 

Além da falta de créditos, o pacote de US$ 700 bilhões aprovado na semana passada nos Estados Unidos pode reduzir o espaço do futuro presidente americano para destinar recursos ao setor e garantir os subsídios ao setor. O candidato Barack Obama admitiu que poderia ter de reduzir seu pacote de recursos para o setor de energia. Ele havia prometido US$ 150 bilhões em dez anos para a expansão de energias renováveis. Na Europa, associações de produtores de etanol e de biodiesel temem pelo pior.

 

Muitas empresas, principalmente no Leste Europeu e na Espanha, estavam sofrendo com os preços altos das commodities. O nível de endividamento de algumas usinas na Espanha já era alto e os executivos esperavam por dias melhores para começar a lucrar. Com o fim dos créditos fáceis, o temor agora é de que usinas sejam fechadas.

 

Só na Espanha, as 30 usinas no país estão paralisadas ou trabalhando com apenas parte de sua capacidade. Outras 30 em construção estão com as obras suspensas. "A situação é muito ruim", afirmou o diretor da Associação de Produtores de Combustíveis Renováveis da Espanha, Manuel Bustos.

 

No caso da Alemanha, o país viu um crescimento do biodiesel de 200 mil toneladas em 2000 para mais de 3 milhões em 2006. Mas desde então a expansão parou. Hoje, a Associação Alemã de Combustíveis Orgânicos pede isenção de impostos para evitar endividamento.



Fonte: Jornal do Commercio
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