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Álcool

Etanol atrai onda de aportes japoneses

03/07/2006 | 00h00

A mal-explicada demissão do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, provocou apreensão em um tipo especial de investidor no Brasil: os japoneses. Os mesmos japoneses torceram para que fosse o novo ministro, Luís Carlos Guedes Pinto, o substituto. O motivo da preocupação e da torcida foi o mesmo: o programa de adoção do etanol no Japão, que envolverá investimentos bilionários no Brasil, contava com o impulso entusiasmado de Rodrigues e tem em Guedes um de seus principais articuladores.

O governo firmou acordo com o Japão para cooperação nessa área, e estão adiantadas as discussões para aplicação, no país de pouco mais de US$ 1,2 bilhão em projetos de pesquisa, produção e distribuição do etanol combustível.

"O etanol será nessa década o que a soja foi no passado, que abriu a fronteira agrícola, com apoio dos japoneses", dizia Rodrigues, ainda empolgado, horas antes do jantar em que pediria demissão irrevogável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "A grande saída para nós é a Ásia", defende Rodrigues, que, neste ano, chegou a levar autoridades do governo do Japão à sua fazenda em Ribeirão Preto, e recebeu visitas de sete empresas japonesas, na maioria trading companies, conglomerados empresariais de comercialização.

Nesta semana, receberia mais um investidor do Japão, e negociava ainda projetos com coreanos, para instalação de complexos produtivos para produzir no país e exportar tecnologia e investimentos para outros países da América Latina. O Japão incentiva a adição de etanol na gasolina, na proporção de 3%, uma mistura opcional, segundo a legislação, mas que, apostam os investidores, deverá transformar-se em norma obrigatória com o sucesso do programa.

O maior temor do Japão é a insegurança em relação ao abastecimento (algo que as crises de fornecimento de álcool combustível no mercado brasileiro não ajudam a dissipar). A saída abrupta do ministro que estava á frente das negociações voltou a alarmar os japoneses em relação às incertezas do país; caberá a Guedes mostrar que o Brasil já está mais maduro e é possível acreditar em continuidade das política do governo.

"A saída é a Ásia", dizia Roberto Rodrigues

Nos contatos das tradings com o Ministério da Agricultura, a Mitsui, sem pretensões de produzir álcool, mostrou interesse em logística, no transporte e distribuição em território brasileiro e japonês; a Mitsubishi investiga oportunidades de compra de usinas privadas, para produção do etanol no país; a Marubeni andou sondando a possibilidade de instalar um projeto de produção de cana-de-açúcar irrigada no Maranhão; e a Itochu anunciou interesses na produção, na comercialização e na logística do álcool combustível.

Rodrigues vinha trabalhando para concluir, até agosto, um pré-projeto de aplicação dos recursos do JBIC, o banco de desenvolvimento japonês dedicado à cooperação internacional. Fruto do acordo assinado entre Lula e o primeiro-ministro do Japão, Hunichiro Koizumi, o programa do JBIC em bioenergia prevê a destinação de R$ 680 milhões em projetos de industrialização da cana para produção de etanol e biocombustível, R$ 520 milhões em financiamentos diretos aos produtores, e R$ 86 milhões em pesquisas, dos quais R$ 30 milhões só com a Embrapa.

Espera-se que o Brasil possa garantir a exportação, em 2007, de 1,5 bilhão de litros de álcool combustível, quase 10% da produção nacional. A demanda potencial dos nipônicos é incalculável, e esses projetos serão o teste brasileiro como fornecedor de um país que já estimula projetos semelhantes de produção nos vizinhos Malásia e Filipinas.

Rodrigues e seus assessores, que permaneceram no ministério, vinham defendendo com os japoneses um projeto integrado que o ministro chamava de "clusters" do álcool, em que os grandes investidores seriam proprietários das usinas, e financiariam pequenos e médios produtores de cana, nas propriedades em torno do projeto. Esses pequenos e médios proprietários, que poderiam se associar em cooperativa, teriam também assistência técnica e um regime de produção que alternaria a plantação de cana com oleaginosas para produção de biocombustível. O bagaço da cana seria usado como combustível para geração própria de energia, e a criação de animais providenciaria uma parte do fertilizante.

A pressa de Rodrigues para concluir as propostas ao JBIC se devia também ao que ele classificava como "variável perturbadora", as eleições no Japão, em setembro. Embora não haja dúvidas do interesse japonês pelo etanol brasileiro, o governo prefere adiantar os compromissos bilaterais para que não haja risco de retrocessos com qualquer que seja a nova administração japonesa.

"Esse projeto é só uma ponta-de-lança; à medida que mostrar resultados, tende a atrair mais recursos privados, das empresas japonesas", prevê o consultor Eduardo Vignoli, da Consultec, um dos maiores conhecedores da atuação japonesa no país e que assessora a Mitsui no projeto da empresa Eco Brazil, em associação com Vale do Rio Doce e Petrobras, para construção de dutos, tanques e sistemas de distribuição de álcool do Brasil para o Japão. Em projetos como esse, a estatal brasileira do petróleo também aproveita para estender sua influência ao mundo das fontes renováveis de combustível.

No campo, com a Argentina

Torcedor do Corinthians e fã de Teves, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, lamentou a derrota que ejetou a Argentina da Copa do Mundo. Mas, na semana passada, ele se preparava para um outro tipo de jogo com os argentinos. No próximo dia 12, em Buenos Aires, ele se encontrará com o secretário de Indústria do governo Kirchner, Miguel Peirano, para negociar o que o ministro Luiz Fernando Furlan já pediu: revisão nas cotas de importação de produtos brasileiros como televisores, fogões, geladeiras, calçados, móveis e têxteis, para evitar que concorrentes estrangeiros ocupem a área impedida aos exportadores do Brasil.



Fonte: Valor Econômico
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