Hidrelétricas

Estudo prevê 10% a mais de energia sem novas usinas

Jornal do Brasil
31/08/2004 00:00
Visualizações: 528

 O Brasil pode aumentar a capacidade de produção de energia elétrica em 10% sem construir novas hidrelétricas. É o que mostra um estudo do WWF-Brasil sobre a ``repotenciação`` das atuais usinas hidrelétricas, que aumenta a capacidade de produção de energia. A repotenciação, diz o estudo, custa menos do que a construção de novas usinas, evita danos ao meio ambiente e diminui os conflitos sociais por famílias atingidas pelas barragens.
- A repotenciação permite ganhos em produção acima de 10% e pode chegar a 20% - diz o professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), Célio Bermann, coordenador do estudo.
O estudo do WWF-Brasil - entidade sem qualquer vínculo com o World Wildlife Foundation - traz uma lista de 67 usinas hidrelétricas do país com mais de 20 anos de operação. Somente nestas usinas, um universo de 34 mil MW (megawatts) é passível de repotenciação. Com isso, o país poderia aumentar sua capacidade de produção em 8 mil MW. A repotenciação pode exigir a troca de geradores e turbinas e é feita entre três e seis meses. O retorno de capital ocorre em quatro anos. Na construção de uma nova usina, o retorno do capital investido só vem em 30 anos.
- Com a repotenciação, é possível aumentar a capacidade de produção de energia como uma usina hidrelétrica equivalente a dois terços de Itaipu, com 12,6 mil MW de capacidade instalada - explica Bermann.
O estudo mostra que o custo da chamada repotenciação pesada, que exige a troca de equipamentos, é de US$ 699 por KW, enquanto a construção de uma usina hidrelétrica exige investimento de US$ 2,1 mil por KW. A repotenciação leve, que muitas vezes exige apenas o isolamento do gerador para evitar a perda de energia pelo calor, pode custar US$ 100 por KW. A repotenciação das 67 usinas hidrelétricas com mais de 20 anos custaria um total de R$ 5,4 bilhões.
Vários tipos de problemas ambientais e sociais poderiam ser evitados com a potenciação, alerta o estudo. As usinas hidrelétricas já inundaram 34 mil quilômetros quadrados de terras e expulsaram 200 mil famílias de ribeirinhos, cerca de 1 milhão de pessoas.
Atrás da opção pela repotenciação, no entanto, há um forte componente político. Segundo o estudo, as obras civis representam 60% dos custos de uma nova usina hidrelétrica. No Brasil, as grandes empreiteiras de obras civis são alguns dos principais financiadores de campanhas políticas.
- Para uma empreiteira de obra civil, é melhor construir novas usinas que repotenciar. Eu esperava deste governo uma percepção maior - diz Bermann.

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