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Gás

Estatal de petróleo da Bolívia mal ressurgiu e já vive um escândalo

25/08/2006 | 00h00

Pouco mais de três meses após tentar nacionalizar o setor de hidrocarbonetos do país, o governo da Bolívia tem de enfrentar acusações de corrupção na estatal de petróleo YPFB - o que deu novo fôlego à oposição, que conseguiu até aprovar uma moção de censura contra o ministro dos Hidrocarbonetos, Andrés Soliz Rada.

O presidente boliviano, Evo Morales, afirma que, se houve corrupção, ela está sendo apurada e que as acusações estão sendo usado politicamente pela oposição.

O caso vem se desenrolando desde junho, quando a YPFB contratou a IberoAmerica Trading como intermediária para a venda de 2 mil barris diários de petróleo para o Brasil. Pelos termos do negócio, a IberoAmerica pagaria à YPFB um preço abaixo do praticado no mercado, mas poderia vender a quem quisesse, pelo preço que quisesse. Vendeu à brasileira Univen Petroquímica, grupo que é sócio da IberoAmerica.

No mês seguinte, uma auditoria do Ministério de Hidrocarbonetos anulou as licenças de exportação da IberoAmerica sob a alegação de que o decreto que nacionalizou o setor proíbe a intermediação de uma empresa privada num negócio de exportação de petróleo. Além disso, a auditoria apontou não ter havido nenhum tipo de licitação no processo de contratação.

O advogado da estatal não teria nem mesmo participado do ato da assinatura do contrato, e a estatal não teria informado o ministério sobre a contratação da empresa, como exige a legislação do país.

Morales e Soliz Rada não demitiram o presidente da YPFB, Jorge Alvarado. Disseram haver uma investigação em curso e que não demitiriam Alvarado sem provas.

O ministério calcula que, se realizado plenamente, o negócio de venda de petróleo traria prejuízos de quase US$ 40 milhões em um período de dois anos.

Na mesma investigação, o ministério acusa a YPFB de comprar da Univen óleo diesel a preços acima do de mercado.

Alvarado afirma que um erro de contas levou ao cálculo de prejuízos. Ele defendeu a importação de diesel como uma necessidade de emergência para garantir o abastecimento do país.

Por causa desse imbróglio, senadores da oposição conseguiram anteontem aprovar a censura ao ministro Soliz Rada por negligência- o que o obrigaria a renunciar. Soliz apresentou sua renúncia, mas foi reconfirmado no cargo por Evo Morales.

A partir de então, tanto Soliz quanto Morales aumentaram o tom. O presidente boliviano chamou os senadores da oposição que aprovaram a censura de "traidores do povo, assassinos e servidores das multinacionais".

Em visita oficial ao Brasil, o vice-presidente boliviano, Alvaro García Linera, disse que o Senado de seu país é "o último reduto das forças conservadoras".

Ontem, o ministro acusou a oposição de conluio com as principais petroleiras estrangeiras, inclusive a Petrobras, de haver promovido a moção de censura para tentar parar o processo de nacionalização dos hidrocarbonetos.

Ele disse que a Petrobras estaria "arrecadando fundos para fazer fracassar o processo de nacionalização", num momento em que o governo se prepara para negociar os preços do gás exportado para o Brasil. O ministro disse ainda que a empresa brasileira seria a responsável pelo atual desabastecimento de diesel na Bolívia.

Uma fonte diplomática ouvida pelo Valor pondera que a oposição na Bolívia estaria apenas se aproveitando do mau gerenciamento que o governo fez em relação às investigações de corrupção. Seria a oportunidade que os oposicionistas teriam para atingir a popularidade de Morales, que, segundo uma pesquisa do mês passado, estaria perto de 75%. Além disso, o diplomata considera as acusações em relação à Petrobras "absurdas".



Fonte: Valor Econômico
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