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Mercado

Escassez de petróleo deve durar 20 anos, diz FMI

11/04/2005 | 00h00

O Fundo Monetário Internacional (FMI) previu ontem um "choque do petróleo permanente", que pode durar até duas décadas, em seu relatório "Perspectivas da Economia Mundial". "Devemos conviver nos próximos anos com preços do petróleo altos e voláteis, o que continuará a representar um risco para a economia mundial", afirmou o economista-chefe Rhaguram Rajan. Até o ano passado, o FMI considerava a alta do petróleo temporária. A alta recente reduzirá o crescimento econômico mundial em até 0,8 ponto percentual.
A previsão é de disparada da demanda e continuidade do baixo nível de capacidade ociosa na produção. "Qualquer interrupção na oferta ou movimento inesperado na demanda poderá causar mudanças abruptas no preço do petróleo", disse. A partir de 2010, a demanda mundial dependerá ainda mais da produção de países da Organização Mundial do Petróleo (Opep), com a maturação e declínio da produção em outras regiões do mundo. A previsão de longo prazo do FMI é de um preço do barril de US$ 34 em 2010 (valor do dólar atual) e entre US$ 39 e US$ 56 em 2030. Considerando os preços nominais, a expectativa para 2030 é de US$ 45 a US$ 64 por barril.
Nesta semana, o preço do petróleo no mercado a vista bateu recordes, mas ontem fechou em baixa. O Brent terminou o dia cotado a US$ 54,04, queda de US$ 1,23. O WTI fechou em 54,11, queda de US$ 1,74. As previsões do FMI estão bem acima das feitas pela Agência Internacional de Energia para o longo prazo. "Estamos vendo um choque permanente que continuará, será repassado aos mercados futuros e os países precisam ajustar-se a isso", disse o sub-economista-chefe David Robinson.
O FMI também não considera "absurda", desde que a longo prazo, a previsão de um analista do banco de investimentos Goldman, Sachs, de a cotação do barril atingir US$ 100. "No caso de uma interrupção de oferta ou mudança brusca de demanda, US$ 100 não me parece absurdo. Uma oscilação de preço entre US$ 80 e US$ 100 ainda não chegaria aos níveis reais atingidos em 1979", disse Rajan.
A China, principalmente, além de outros países em desenvolvimento, será a principal responsável pelo aumento na demanda. A oferta continuará apertada. Embora entre 2007 e 2010 novos investimentos elevem a produção total, depois de 2010 começa o declínio das reservas fora da Opep. Um exemplo é o Canadá, que tem o maior volume de reservas fora do cartel, mas cujos campos já estão maduros. A capacidade ociosa de produção deve continuar baixa nos próximos anos.
A demanda deve disparar, de 82,4 milhões de barris ao dia no ano passado para 92 milhões em 2010 e 138,5 milhões em 2030. O principal estímulo será o aumento da frota de carros de países em desenvolvimento, especialmente na China, cujo número de veículos explodirá de 16 por mil habitantes em 2002 para 267 em 2030.
Os investimentos feitos na expansão da produção devem gerar frutos na África e Hemisfério Ocidental a médio prazo. Mas há dúvidas sobre a reação da produção, especialmente porque parte das reservas canadenses, que representam mais de metade das reservas comprovadas fora da Opep, são em campos que demandam investimentos por 5 a 7 anos antes do início da produção. Há ainda problemas regulatórios para novos investimentos, como proibição de investimento estrangeiro na produção em diversos países.
A Agência Internacional de Energia prevê que a produção fora da Opep atinja o pico de 57,2 milhões de barris em 2010, recuando em 2030 para 56,6 milhões. O Departamento de Energia dos EUA é mais otimista e prevê produção fora da Opep aumentando de 56 milhões de barris ao dia em 2010 para 69 milhões, em 2030.
Para tentar suavizar a volatilidade do petróleo nos próximos anos, o FMI recomendou mais incentivos à economia de petróleo e uso de combustíveis alternativos, como os carros híbridos entre derivados de petróleo e energia elétrica ou etanol. O Fundo defende ainda que os EUA deveriam avaliar mudanças na carga tributária sobre derivados de petróleo.
Robinson diz que uma medida que poderia ajudar a controlar a demanda é a eliminação de subsídios entre o preço internacional do petróleo e os derivados no mercado local, praticada por países asiáticos, entre outros. Robinson diz que os subsídios representam um risco de "piora do choque" com o estímulo ao consumo.
Os países também deveriam facilitar os investimentos em aumento de produção, reduzindo impedimentos regulatórios como a participação estrangeira em projetos no setor. "Isso pode atrasar o desenvolvimento de campos e reduzir o acesso a avanços tecnológicos e financiamento", afirma o relatório.



Fonte: Valor Econômico
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